O DeRose escreveu um livro de boas maneiras que assim como o texto da Matha Medeiros fala muito mais de como se relacionar do que a forma correta de pegar nos talheres. A dedicatória do escritor brasileiro servirá também para este lindo texto que recebi da minha amiga Vivi Müller.

"Os que precisam deste livro não vão lê-lo. Se lerem não vão entender. Se entenderem não vão concordar. Se concordarem não vão conseguir mudar. Portanto, escrevo para você que não precisa dele."


Claro que elegância nunca é demais, mas temos que concordar que quem mais precisa não se interessa em desenvolvê-la. Este fênomeno é algo que venho observando no comportamento das pessoas. É o caso comum da menina bonita que ao invés de se preocupar eu preencher o outro lado e ser também interessante, lida e culta opta sempre por passar mais tempo no cabelereiro e na academia. Do outro lado, temos o intelectual, que já possuindo um bom discernimento, continua a desprezar o corpo e seu vestuário, mantendo-se fixo no que já sabe fazer.

Será um dia que chegaremos a compreender que o desenvolvimento do ser humano só será plano se for integral?


ELEGÂNCIA
Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: A elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza. É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada. É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca. É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros. É possível detectá-la em pessoas pontuais. Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está. Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais. É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber que você teve que se arrebentar para o fazer... É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro. É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais. É elegante retribuir carinho e solidariedade. "É elegante o silêncio, diante de uma rejeição”.Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do Gesto. Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante. É elegante a gentileza. Atitudes gentis falam mais que mil imagens... Abrir a porta para alguém... É muito elegante (Será que ainda existem homens assim?)... Dar o lugar para alguém sentar... É muito elegante. Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma... Oferecer ajuda... É muito elegante... Olhar nos olhos, ao conversar é essencialmente elegante... Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: É só pedir “licencinha” para o nosso lado brucutu, que acha que ­­"com amigo não tem que ter estas frescuras". Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la. Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe: não é frescura!
Matha Medeiros