Uma labareda - não a que destruiu o acervo do Helio Oiticica - mas de um fogo cultural resplandecente está iluminando a mais artística cidade da América Latina. Por aqui, estão acontecendo muitas atividades importantes ao mesmo tempo. Começemos pelos vizinhos MuBE - MIS. No primeiro, ao ar livre, lindas fotos preto-e-branco das ruas de Paris. Internamente a exposição "The Spirit of Boz", do pscicanalista e artista Julien Friedler, traz quadros de arte moderna com conceitos de Freud e Jung. No MIS, uma instalação da conceituada e já comentada Pipilloti Rist. A suiça montou com elementos da nossa cultura, como panos de estampas brasileiras e redes, uma instalação lindíssima, na qual deitados, vemos as projeções dos seus vídeos sensoriais passarem no teto. Para mim, a impressão de pertencer ao filme foi ainda mais forte nesta instalação do que na megalomaniaca que vi no MoMA.
O MAM apresenta a série Panorama da Arte Brasileira, que de artista brasileiro não tem nada. O conceito desta exposição é bem interessante, ao contrário da Antropofagia, agora não somos mais nós que ingerimos a cultura de fora e a regogitamos como Arte brasileira. O objetivo do MAM é mostrar a influência que artistas estrangeiros tem recebido da nossa cultura.

Além de tudo isto, até quinta-feirta 5/11, ainda temos os resquícios da 33a Mostra Internacional de cinema. Dentre o que vi, destaque para Corações em Conflito com Gael Garcia Bernal. O diretor Lukas Moodysson conseguiu a partir da cadência, trilha sonora e enredo criar um filme perfeito. Os conflitos que começam no nome da película se estendem até os limites da alma humana, onde temos o maior de todos eles. Decidir entre o que sabemos ser o melhor para a consciência e aquilo que os desejos prementes clamam.