Alguns lugares possuem um tipo de vibração inexplicavelmente sedutora. Podemos não ver nada de diferente, mas a sensação no ar nos arrebata, como se estivéssemos de fato vislumbrando o extraordinário. Um prazer no estar... ali, e em nenhum outro local.
Buenos Aires exerce este tipo de fascínio sobre o meu espírito. Me encanta!
Por lá, recebi uma severa crítica dizendo que o tempo que eu dedicava a este blog, aos meus contos, à arte e à literatura não me levariam a nada. Tudo isto apenas me desvia e não produz de fato nenhum resultado. Magoei! Até pensei em dedicar-me menos ou largar esta tarefa, que de fato, em termos monetários não me traz nenhuma receita ao mesmo tempo que demanda muito tempo. Me senti como os tantos escritores que vi na FLIP e outros dos quais li as biografias e que diziam que jamais tiveram compreensão no seu labor.
De fato, escrever ainda não é visto como algo que merece reconhecimento no Brasil. Um dia eu vi a Fernanda Young dizer que o único escritor brasileiro que vive apenas de escrever é o Paulo Coelho. Na maioria dos casos blogs bonitinhos ou que tenham um nome mais apelativo são mais visitados que aqueles que realmente podem produzir algo importante.


Sempre senti que para escrever coisas interessantes não bastava ler algo importante ou ter uma idéia brilhante. Escrever bem é resultado de experiências multifacetadas. Para isto ,é preciso ouvir música de qualidade, ver filmes que a Blockbuster não gosta, visitar museus, prestar a atenção nas pessoas e conversar sobre assuntos que a maior parte das pessoas não consegue e chama pejorativamente de papo-cabeça.
Eu estava “escrevendo” no MALBA, o Museu de Arte Latinoamericana de Buenos Aires, ainda cindido pela crítica. Foi então que me deparei com uma camiseta com um texto do Paul Auster.
Para concluir, estou aqui publicando mais um artigo, a camiseta está no meu armário e eu não preciso dizer mais nada.
" Trabaja cuando el espíritu le impulsa a ello y el resto del tiempo vagabundea libremente, deambulando por las calles de la ciudad como un flâneur del siglo XIX, dejándose guiar por su instinto. Pasea, asiste a museos y galerías, ve películas a cualquier hora del día, lee libros en los bancos de la plaza. No está sometido al reloj como lo están otras personas. En consecuencia, nunca tiene la sensación de estar perdiendo el tiempo. Eso no significa que no sea productivo, pero el muro que separa el trabajo y el ocio se han desmoronado para él hasta tal punto que apenas se da cuenta de su existencia. Esto le ayuda, ya que las mejores ideas siempre se le ocurren cuando está lejos de su estudio. En ese sentido, para él todo entra en la categoría de trabajo. Comer es trabajar, viajar es trabajar, sentarse con un amigo en un bar a medianoche es trabajar. A pesar de las apariencias, apenas hay un momento en que no está trabajando."