Existe uma grande mística na idéia de se completar uma maratona. Falar sobre este assunto com os amigos é pedir para ser tachado de louco ou masoquista. No entanto, como com quase tudo que pensamos ser impossível de se realizar, somos nós mesmos que criamos, dentro das nossas cabeças, os maiores obstáculos. Tornar desafios realidade depende somente de vontade transformada em ação e de enfrentar o receio, como descrevi no artigo A PSICOLOGIA DO MEDO.
A minha primeira maratona não começou em Porto Alegre no dia 24 de maio de 2009 às 7h e 15 min. com a largada na beira do Rio Guaíba, mas há 4 anos atrás quando dei o primeiro trote de 15 minutos no Parque do Ibirapuera e quase morri de cansaço. A preparação feita com constância e disciplina é a chave para se vencer qualquer tipo de desafio. É o treino que faz o gênio. Mas esta disciplina jamais pode ser incorporada como uma auto-flagelação, if you no pay, no play. Acredito que disciplina seja muito mais uma questão de se fazer uma boa escolha - algo pessoal, significativo, que você goste e que tenha identificação com seus valores - do que sofrer para ter o direito de ser feliz.
Comecei a prova muito bem (naquele momento eu achava que aquilo era bem!). A cidade acabara de amanhecer e estava lindíssima, vazia, limpa com a formosura do rio, completamente sereno, estimulando os atletas. Foi nostálgico correr pelas ruas que passei tantas vezes na infância sem dar muito valor e vê-las agora como um turista que observando tudo pela primeira vez, caminha atento a tudo que há ao seu redor.
Eu me planejara correr os 12 primeiros quilômetros a uma média de 5min. e 15seg. cada km, para depois disto, buscar o 5’ para cada km. Mas o começo de toda prova longa é bastante traiçoeiro, soma-se a ansiedade com o descanso total e isto nos faz acreditar que poderemos manter um ritmo forte por todo o tempo do mundo. O que é até admissível numa prova mais curta como uma meia-maratona, mas se torna impossível quando temos que correr por mais de 3 horas.
Mantive esta média, de 5 minutos por quilometro - 12km por hora - até o km 32. E se continuasse neste ritmo terminaria em 3h e 30min, mas aí um cansaço insuportável tomou conta da mim, não era só do corpo, era mais profundo que isso, era da minha consciência mesmo. Neste ponto da prova, cheguei a cogitar abandoná-la, foi quando percebi que poderia optar entre desistir ou terminá-la com um ritmo mais fraco. Por incrível que pareça, esta decisão tornou a corrida muito mais divertida. Apesar da fadiga comecei a sentir mais prazer no que estava fazendo, aquilo tudo era apenas para mim mesmo e a decisão em correr mais devagar era só minha. Caminhei em alguns trechos e ao encontrar meus pais no quilômetro 38 até parei para comer a batata quente que eles me trouxeram, dei algumas risadas com o fato de eu estar quase morto e prossegui.
Os últimos 4km não foram fáceis, no final de uma maratona o tempo parece não passar. Mas ao cruzar a linha de chegada a satisfação é tanta que suplanta qualquer esforço. Tive a presença de espírito de parar e curtir aquele instante, estava realizado e muito feliz, apesar de todo o cansaço. Um significativo objetivo pessoal havia sido cumprido.
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Daniel De Nardi
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Parabéns pela conquista, De Nardi!
Muito legal este texto, e é uma alegria ver esta sua meta alcançada.
Um grande abraço!
Dani, fiquei muito inspirada com o teu relato!! Parabéns!! Contei pra todo mundo que meu amigo Dani correu a maratona em 3 horas e 43...hihih
Beijocasss
Você alcançou por que mereceu, lutou, batalhou e não desistiu. Acreditou no seu potencial fazendo com que todos a tua volta também acreditassem. Eu acreditei! Parabéns, mandou mto bem na prova! Continua correndo e escrevendo!!
Bjão, Vv.
Dá-lhe Dani!!!!!
Mais uma conquista alcançada depois de tanta disciplina e constância nos treinos. Da até vontade de voltar à correr. Beijinhos e parabéns.
haha.. dirvertidíssimo! Nada tão prático quanto uma corrida. Para cumprir a meta, a técnica: passo a passo!
Parabéns pela atitude descontraída que fez mais divertidos os minutos finais!
Fábio Santana
Joinville SC