Eu e meu irmão sempre fomos muito unidos. Quando morávamos na casa dos nossos pais, dormíamos no mesmo quarto, fazíamos os mesmos esportes e começamos a praticar SwáSthya Yôga juntos. Quando eu fiz 19 anos, fui morar em São Paulo para trabalhar e ele rumou para Austrália, depois disto por percalços naturais, a vida foi nos afastando.

De um uns anos para cá me dediquei pouco ao surf e ele manteve-se obstinado, como éramos na juventude. Por conta disto, nas suas viagens pelo mundo buscou somente lugares propensos à prática deste esporte, o que fez com que não nos encontrássemos nas salas de embarque.

Pois nessa viagem, eu o vejo duplamente feliz. O fato de estar surfando ondas perfeitas já o deixa em êxtase, mesmo sozinho, mas eu sinto que ele está ainda mais contente por eu estar aqui. Vibra o tempo todo, elogia minha performance na água, mesmo sem muito mérito. Sente-se como se tivesse recuperado aquela amante, que quase perdeu a esperança de ver novamente, mas que nunca esqueceu. Rema feliz, deixa ondas para mim e até dorme no pior colchão do quarto só para garantir que eu vá me sentir bem e voltar a surfar com ele como nos velhos tempos...