Para três integrantes, a viagem começa em Porto Alegre - Lucas De Nardi, Sandro Nowacki e Thomaz Fortes - deixam a capital gaúcha na quinta-feira, 9 de abril, com destino a São Paulo. Os que vem do Sul, trazem na bagagem a experiência de várias surf trips internacionais. A outra parte, eu e o Rafa Kiss, apenas a vontade de se deliciar nos mares fora do Brasil. Nosso destino é Santiago, Chile. Alugamos um carro para rodar 250km até uma pequena praia chamada Pichilemu, onde longas e geladas ondas nos esperam.

A primeira impressão é ótima. O Chile é um país privilegiado, possui um litoral de mais de 5000km com centenas de praias sorridentes ao surfe, a segunda cordilheira mais alta e extensa do mundo com dezenas de estações de esqui e a 8ª economia mais aberta do planeta. Por aqui, não se compra uma bala sem que o comerciante não emita - a mão - algo parecido com a nossa nota fiscal, um país desenvolvido, num continente em desenvolvimento. Além disso tudo, seu povo consegue ser a um só tempo educado e caloroso.


Os dias que precedem qualquer viagem são de excitação, ansiedade e expectativa. Sempre consegui administrar bem esta vontade de antecipar vivências e normalmente começo a pensar nas experiências futuras somente algumas horas antes de embarcar. Porém, o que me assola nas vésperas é uma preocupação – mesmo viajando com pessoas conhecidas - de como será a convivência, afinal esta é, na minha opinião, uma das mais difíceis e belas habilidades humanas.

Somente quando voltarmos ao Brasil, poderemos dar o veredicto final. Até agora, o que estes 5 amigos estão vivendo debaixo do mesmo teto, dividindo um único e apertado banheiro, é um mix de diversão, respeito, companheirismo e empatia. Tenho certeza que contribui essencialmente para isto, o fato de sermos todos instrutores de SwáSthya Yôga. Este método de aprimoramento pessoal, tem como objetivo o autoconhecimento, principal característica no desenvolvimento de lideranças, e não é simples a convivência de líderes quando não há hierarquia institucionalizada. Mas, aprendemos também que a liderança só é consistente quando permanecemos atentos aos sentimentos dos outros, abrindo mão de vontades individualistas em prol da harmoniosa coexistência.