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Incomoda a atitude do cinema brasileiro de usar o dinheiro público através de leis de incentivo como a Rouanet e a do Audiovisual para produzir películas que exportam uma imagem perniciosa do nosso país. Só fazemos dois tipos de filmes: comédias idiotas com atores globais - que para nossa sorte (ou azar de quem vê) não saem daqui e de violência explícita, de preferência com bastante favela para reforçar o estereótipo.

Será que nada mais interessante acontece no nosso amado Brasil?

Será que os excelentes economistas do Rio de Janeiro não estão fazendo trabalhos importantes? E os jovens empresários de São Paulo? Ou os artistas da Bahia? E os escritores gaúchos? Ou mesmo os poucos, mas bons políticos de Brasília? Ou, e, ou, e ou... Vejo tanta coisa acontecendo, que não há como não me revoltar.

No entanto, o que o cinema brasileiro faz para denegrir nossa imagem não se compara ao que Hollywood fez para destruir o conceito do negro americano. Na primeira vez que vim para Nova York, lembro de que quando via um grupo de negros juntos, chegava a ouvir o rap dos filmes de gangues e meu coração batia mais forte de medo, tinha miragem de suas armas e de suas atitudes violentas.

A convivência por aqui mostra uma realidade completamente diferente. A cidade é muito segura, mesmo nos bairros ditos como perigosos pelos filmes pode se caminhar tranquilamente. Na verdade, os negros são a alegria desta cidade. Estão o tempo todo a sorrir e dançar, são atenciosos, amigos e muito receptivos. Eu nunca vi diferença entre cores, mas agora sinto que se há alguma discrepância ela está na bondade e na alegria. Mesmo com os WASP fazendo de tudo para excluí-los eles se tornaram mais fortes e vitoriosos e em alguns dias, provavelmente, terão um representante no posto mais alto da Casa Branca.

Todos os dias eu me fico me perguntando:

O que acontecerá no mundo se passarmos por uma recessão?
Quanto tempo ela durará?
Que hábitos teremos que mudar?
Será tão drástica quanto a de 29?
O que temos a aprender com ela?

São apenas questionamentos, pois ninguém nem mesmo sabe se sequer haverá crise. A parte ruim de pensar em assuntos tão amplos é que por mais que você saiba o que está acontecendo você consegue interferir muito pouco no problema.

Mas quem muito pensa e muito quer acaba podendo influenciar bastante. Tal como o atual presidente do FED, Ben Bernanke que é o maior especialista da crise de 29 tendo escrito 10 livros sobre o tema e tem agora a faca e o queijo na mão para colocar em prática tudo que pensou.

A primeira vez que vim à Nova York, minha viagem anterior havia sido para Paris. Na cidade luz você não para de se impressionar. Para onde quer que você olhe, vê um cartão postal - é um lugar que clama por contemplação. Eu lembro de observar a tudo a minha volta e pensar “Não é possível que eles fizeram isso! Como?”

Quando cheguei a Nova York, esperava ter a mesma reação, mas ela não vinha e eu não entendia porque. Afinal esta cidade é também impressionante, mas aquela sensação mágica que temos quando nos deparamos com algo magnífico não aparecera. Eu voltei daqui, achando Nova York simplesmente Ok.

Somente agora, me sentindo quase um morador, é que consegui entendê-la. Nova York é um lugar para se contemplar com ação, é um local no qual você aprecia e caminha, se impressiona mas ao mesmo tempo age, tal como a Arte Contemporânea, que se demora um pouco mais para gostar, mas depois de entender que o que ela pede é interação, passamos a amá-la. Nova York não é uma cidade pré-determinada, é você que tem que fazê-la.

Se Richard Wagner estivesse vivo ele seguramente moraria aqui. Nova York é como suas óperas - intensa, megalomaníaca, detalhista e acima de tudo grandiosa. O autor da Cavalgada das Valquírias seria um apaixonado pela Time Square e certamente produziria inúmeros musicais por lá. Por falar em Times Square, o famoso TKTS, que passou uns anos funcionado num Hotel na 49th street, está de volta ao centro da praça. Agora os bilhetes com desconto para os espetáculos da Broadway são vendidos abaixo de uma linda e - não poderia ser diferente ali - iluminada arquibancada onde os impressionados turistas se sentam para deslumbrarem-se com as milhares de cores e movimento do local.

Nova arquibancada na Time Square inaugurada dia 16 de outubro de 2008


Eu estava achando estranho o fato de eu ainda não ter me manifestado sobre essa crise que assola o mundo. O motivo talvez tenha sido porque ainda não havia visto luz alguma no fim do túnel. Não consigo aceitar o que quase todos os economistas estão dizendo "teremos que esperar pelo menos um ano e meio para a coisa melhorar". Esperar??? Não, não vejo as coisas melhorarem quando só espero, eu estou esperando perder peso há uns três anos, mas sei que isso só vai mudar quando eu agir e começar a comer menos...

Um conceito exposto inúmeras vezes nesse blog é que uma instituição é um espelho das atitudes das pessoas que dela participam, refletindo seus defeitos e qualidades, trazendo à tona tanto suas virtudes quanto seus vícios. Numa média ponderada que atribui mais peso aos líderes, mas que recebe influência de todos os indivíduos que dela fazem parte.

Os problemas que geraram os desastres econômicos que estamos presenciando tiveram início na economia americana e posteriormente se espalharam para o mundo. Por tanto, há algo no comportamento das pessoas daqui (i'm in NYC now) que está prejudicando a todos - a atitude americana de gastar mais do que se tem. Este tipo de conduta construiu nada menos que, apenas com a dívida interna, um montante – e põe montante nisso - de U$5,5 trilhões, quase 6X o PIB do Brasil. Por conseqüência seu governo também gasta mais do que tem e os riscos de gastos elevados para uma nação foram explicitamente expostos no artigo Pão e Circo.

Crises acontecem com pessoas e por isso também sempre acontecerão com empresas e governos. Não são necessariamente ruins, pois trazem consigo a oportunidade de consertarmos aquilo que não estamos fazendo da melhor forma. Os americanos tem agora a chance de aprender a controlar melhor suas contas para não terem que pagar mais caro depois.

Os Estados Unidos só saíram da crise de 29 quando entraram na II Guerra Mundial, fomentando desta maneira seu desenvolvimento. Na época o paradigma econômico que reinava era que a riqueza do mundo era como um bolo, do qual quem pegasse a maior parte sairia mais rico. Tal como expôs Adam Smith em Riqueza das Nações, "não é da benevolência do padeiro, do açougueiro ou do cervejeiro que eu espero que saia o meu jantar, mas sim do empenho deles em promover seu próprio auto-interesse".

Os tempos mudaram muito de lá para cá, e hoje guerra não significa mais desenvolvimento econômico, pois conforme falado no artigo acima citado “Bush assumiu sua gestão com as contas públicas equilibradas, hoje (texto de fevereiro de 2008) o déficit americano já está na casa dos 400 bilhões de dólares. O presidente da guerra gastou somente com a desnecessária Guerra do Iraque 320 bilhões de dólares por ano triplicando os gastos bélicos que teve o governo de Clinton. A conta está sendo paga agora com as drásticas quedas das bolsas de valores americanas. O fato inegável é que gastos desmedidos uma hora aparecem e normalmente quem paga por eles é a sociedade.”

Mesmo sem grandes guerras desde 1945, o PIB mundial passou de U$ 2 trilhões em 1967, para U$48 trilhões em 2006.

Mas que fermento é esse que fez a riqueza do mundo se multiplicar 24 vezes em 40 anos?

Quem descobriu a fórmula do crescimento sem prejuízo para um dos lados foi o matemático americanos Jonh Nash, que ficou conhecido pelo grande público depois de ter sua biografia Uma mente brilhante transformada em filme de mesmo nome que ganhou o Oscar de melhor película em 2002. Nash provou, através de cálculos avançadíssimos, que em situações de disputa, se abrirmos mão de interesses exclusivamente próprios, podemos chegar a um resultado melhor para todas as partes.

No filme, Jonh tem esse insight no momento em que jogava snooker com seus amigos e todos queriam ficar com a mesma menina, apesar de terem outras tão belas quanto a desejada esperando pelos rapazes. Concluiu que se todos fossem em cima da mesma acabariam não tendo sucesso, mas se abrissem mão do ganho unicamente particular e combinassem em conjunto todos saíram acompanhados. O sucesso de situações em que abrimos mão de um pouco para somar melhores resultados no todo é um tema bastante discutido na área favorita de Nash, a teoria dos jogos, na qual conseguimos entender através de problemas como o dilema do prisioneiro essa estrutura desse pensamento.

Truman adotara esse tipo de postura na implementação do Plano Marshal em 1947 para o desenvolvimento da Europa pós-guerra. Mesmo os Estados Unidos tendo sido o principal financiador do projeto, com o desenvolvimento da Europa, perderam participação do mercado mundial, mas ganharam em números absolutos pois, o PIB cresceu como um todo.

Para José César Fernandes, um dos fundadores de bancos como o Garantia e Pactual, a saída para a atual crise, dentro dessa linha de pensamento ganha-ganha, é a impressão maior de moedas em todos os bancos centrais. Na sua visão, os governos precisam esquecer momentaneamente de Friedman, pois o maior problema da atualidade está sendo a retirada de dinheiro dos bancos pelos aposentados que têm medo de perder todas as suas economias. Como o dinheiro numa instituição financeira se multiplica por 25, a liquidez está secando e a hora é de se arriscar a ter um pouco de inflação do que ter que enfrentar uma recessão. O plano atual dos EUA que emitiu U$700 bilhões em C-Bonds - que daqui a 30 anos quando a dvída vence terão se transformado em U$1 trilhão - terá que ser pago pelos contribuientes e beneficiou apenas as empresas que estavam a beira da falência. Colocar mais moedas no mercado traria benefícios para empresas, que fizeram as coisas certas, contribuintes e governo e ainda motivaria os aposentados a retornarem seu dinheiro para os bancos.

A saída para a recessão que está por vir é por aí. Ações conjuntas de bancos centrais mundiais apoiando o desenvolvimento das pessoas e conseqüentemente das empresas. Sempre com a consciência de que para se fazer riqueza é preciso compartilhamento, abrir mão de egoísmos que ambiciona o ganho no curto prazo para se ter muito mais no longo. Não estamos mais lutando por algo limitado, pois a riqueza assim como a criatividade e a inteligência não tem limites, ela só precisa dos estímulos certos para crescer.



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