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Para ilustrar melhor o que tentei expressar no artigo abaixo, sobre a interferência da consciência na realidade do mundo, sugiro que você faça o exercício do link.

É impressionante e ao mesmo tempo esclarecedor como a nossa decisão é determinante para a forma das coisas. No caso da bailarina, é você quem decide para que lado ela girará. O sentido da sua rotação depende da sua escolha.

http://www.funnyphotos.net.au/right-left-brain/

Quando visitou o Palácio de Versalhes, René Descartes, matemático e filósofo francês do século XVII, ficou admirado com todos os truques que Luís XIV havia colocado por ali. Águas saltavam, música tocava e o famoso Netuno saía de dentro da fonte de maneira automática. Essa visão inspirou-o a formular uma tese com a qual ele tentou provar que o mundo também funcionava de maneira mecânica, onde tudo poderia ser previsto. Baseado nisso, Descartes propôs que houvesse uma divisão clara para a atuação da ciência e da religião. A primeira estudaria a matéria e a outra atuaria nas esferas mais sutis, como mente e espírito.

A liberdade que os cientistas ganharam a partir daquele momento foi fundamental para que Isaac Newton fizesse suas pesquisas sem a intervenção da Igreja e chegasse a conclusões que, em outras épocas, o condenariam à morte. A ciência foi ganhando cada vez mais poder à medida que comprovava no cotidiano uma a uma de suas leis. No início do século XVIII fervilhava tanto otimismo científico que um colega de Newton, Pierre-Simon de Laplace, escreveu a seguinte constatação “Uma inteligência que, em qualquer dado momento, conhecesse todas as forças através das quais a natureza é animada e os estados dos corpos do quais ela é composta, abrangeria – se ela fosse vasta o suficiente para submeter os dados à análise – na mesma fórmula os movimentos dos grandes corpos do universo e os átomos mais leves: nada seria duvidoso para essa inteligência e o futuro, tal como o passado, seria o presente aos seus olhos.”

Pobre do livre-arbítrio humano que tinha acabado de sair das mãos da Igreja e caía imediatamente numa máquina mecânica totalmente programada.

Assim como A.A. Michelson, autor da frasebasta adicionar algumas casas decimais aos resultados obtidos”, a maioria dos cientistas do início do século XX acreditavam que se descobrissem uma ou outra lei que faltava tudo seria desvendado e o universo caminharia numa direção previamente calculada.

Entretanto, nuvens cinzentas resistiam em permanecer no horizonte da ciência. Questões simples como: Porque nos bronzeamos no sol e não quando estamos na frente da lareira uma vez que as duas fontes de calor emitem radiação? Não conseguiam ser respondidas com o arsenal de conhecimento materialista que os especialistas possuíam.

Foi no início do século XX quando a ciência foi abençoada pela conjunção de vários gênios, como Max Planck, Einstein, Niels Bohr, De Broglie e Erwin Schrödinger trabalhando simultaneamente na mesma linha de pensamento que nossa maneira de ver o mundo mudou completamente. Esse grupo rompeu com toda a previsibilidade newtoniana fazendo uma revolução no pensamento científico.

Tudo começou quando Planck propôs que eram os elétrons que carregavam a energia como se fossem minúsculos pacotes que pegavam o calor emitido pela madeira incandescente ou pelo sol e o transferiam sob a forma de radiação. Quando liberavam essa energia, perdiam força e saltavam da órbita que estavam para outra abaixo. Para liberarem os raios ultravioletas precisavam dar um grande salto quântico o que dependia de muito calor, que a luz da lareira não possuía. Pois é justamente este tipo salto, chamado de salto quântico, que começou a desmanchar o sonho dos antigos cientistas de preverem tudo o que aconteceria na natureza.

Quando os pacotes de energia dos elétrons saltavam de uma órbita para outra, não se transferiam de maneira previsível, tal como tendemos a imaginar. O que de fato acontece é que o elétron desaparece daquela órbita e surge em outra, sem passar pelo espaço intermediário naqueles breves instantes. Bohr ampliou essa teoria provando que todos os átomos e não apenas os da luz produzem esses saltos. O que levou a imprevisibilidade do funcionamento do universo para tudo o que existe e ampliou as possibilidades da existência.

Em seguida Einstein trouxe outra incógnita mostrando que a luz pode ser tanto partícula (fóton) quanto uma onda, dependendo apenas de como decidimos tê-la. Caso a coloquemos em uma câmara de condensação a luz se torna matéria (fóton) e quando acendemos a lâmpada do quarto ela é onda. Assim como Bohr observou que o comportamento dos elétrons no átomo da luz se estendia para os outros átomos, De Broglie também conseguiu provar que todos os átomos podem ser matéria ou onda e, mais uma vez, a escolha do homem é que determina a formação da natureza.

Complexos experimentos científicos à parte, o fato é que o início do século XXI nos traz um mundo de infinitas possibilidades a ser explorado. Um mundo no qual, cada vez mais poderemos perceber a interferência da consciência humana em sua construção. Um mundo que dependerá apenas das nossas escolhas para que seja luz ou escuridão para sempre...



Foto de 1927 no quinto congresso Solvay de Física, realizado em Bruxelas:

[1] - Max Planck - Nobel de 1918; [2] - Albert Einstein - Nobel de 1921; [3] - Niels Bohr - Nobel de 1922; [4] - Erwin Schrödinger - Nobel de 1933; [5] - Louis de Broglie - Nobel de 1929; [6] - Wolfgang Pauli - Nobel de 1945; [7] - Werner Heisenberg - Nobel de 1932; [8] - Paul Dirac - Nobel de 1933; [9] - Max Born - Nobel de 1954.



O movimento TODOS PELA EDUCAÇÃO mostrou sua força nestes últimos dias. Praticamente todos os canais de TV e emissoras de rádio apresentaram publicidades dessa mega campanha que, liderada por nomes do setor privado como Viviane Sena, José Roberto Marinho, Jorge Gerdau e outros, tentará bater audaciosos objetivos atestados em documento firmado junto à UNESCO. Para alcançar a Educação que o Brasil precisa, foram definidas 5 metas específicas, simples, compreensíveis e focadas em resultados mensuráveis, que devem ser atingidas até 7 de setembro de 2022:
Meta 1. Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola.
Meta 2. Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos.
Meta 3. Todo aluno com aprendizado adequado à sua série.
Meta 4. Todo jovem com o Ensino Médio concluído até os 19 anos.
Meta 5. Investimento em Educação ampliado e bem gerido.
Este é mais um exemplo de que a incapacidade do Estado de em cumprir suas obrigações mínimas (saúde, segurança, justiça e educação) praticamente obriga o setor privado a se responsabilizar por serviços que seriam seus. A campanha me dá esperança por ver que começamos a priorizar ações que realmente farão a diferença.
Como aprendemos no mundo corporativo, quando vamos começar um projeto, devemos buscar a referência do mercado. Em termos de educação, a Índia tem muito a ensinar, pois, o segundo país mais populoso do mundo (perdendo apenas para a China) é hoje o benchmark da educação em massa. Produzindo sem recursos abundantes uma verdadeira revolução educacional com seus jovens, e tornando-se exportadora dos mais variados serviços, com destaque para o mercado de T.I. (tecnologia da informação).
No processo de aprendizado, seja para um jogo de bolita ou à neurocirurgia, é necessário que se admire ou que pelo menos se respeite aquele que ensina, caso contrário, nenhum conhecimento será incorporado. E é justamente esta falta de valorização daquele que transmite o conhecimento o maior problema da educação brasileira. De maneiras diferentes, essa dificuldade assola tanto as escolas públicas quanto as privadas.
Nos colégios onde o ensino é pago, de uns anos para cá, preocupando-se apenas com os resultados financeiros, seus diretores passaram a esquecer que alunos são aqueles que devem aprender, e numa inversão de valores, transformaram-nos em clientes. Este fato tem prejudicado demais o aprendizado, uma vez que a relação cliente-prestador de serviço não tem semelhança alguma com a relação mestre-díscipulo. Na primeira, reza a infeliz frase do marketing “o cliente sempre tem a razão”. Mas como terá sempre a razão alguém que está ali para aprender? Neste panorama, os mimados alunos, ganham tudo o que pedem e estão mais preocupadas em exigir mordomias do que em valorizar aqueles que vão à frente do quadro negro transmitir o ativo mais importante da nossa Era, o conhecimento.
Agora o que dizer do ensino público, no qual os professores ganham tão pouco que não conseguem desenvolver um mínimo de auto-estima que lhes confira respeito diante da turma. Além do mais, com a violência cada vez mais presente nas classes mais baixas, o poder da ameaça de um aluno delinqüente fará o docente tomar qualquer atitude que o “aprendiz” desejar. Quem sabe possamos nos inspirar nos Indianos e ver um pouco de luz no fim do túnel para sair dessa complicada situação.
O respeito ao mestre é algo muito presente em toda a cultura oriental. Basta ver os inúmeros filmes de artes marciais ou de mestres de filosofia que transmitem ao discípulo sua sabedoria sem aceitar questionamento algum por parte daquele que aprende. Na Índia há tamanha reverência aos que ensinam, que o termo guru, que designa professor de qualquer matéria, foi trazido para o ocidente de maneira deturpada. Isso aconteceu pelos ocidentais acharem que um professor de matemática, música ou de contabilidade que fosse tratado de maneira tão respeitosa não deveria ser apenas um professor, mas quem sabe, um guia espiritual. Pronto, com essa confusão feita, de guia espiritual a charlatão foi um passo.
Mas por lá, a veneração ao docente é tanta que a própria divisão de castas pôs acima de todos os brâhmanes, representados por sacerdotes, filósofos e professores. Os que ensinam eram hierarquicamente superiores à casta dos shatriyas formada pelos governantes e militares que era seguida pelos vaishyas, comerciantes e agricultores e pelos shudras, os artesãos, os operários e os camponeses. Isso gerava um enorme respeito pelos professores, o que facilita demais o aprendizado.
Como vimos não foi nenhuma técnica revolucionária de docência ou altíssimos investimentos que fizeram dos indianos, depois de priorizarem a educação, grandes exportadores de conhecimento, e sim algo muito simples que deve ser base comportamental de qualquer nação que deseja se destacar na Era da Informação, o respeito ao professor e conseqüentemente a valorização do conhecimento. Se a campanha brasileira, ao invés de simplesmente alardear que todos são responsáveis pela educação, conscientizasse a população da importância do professor em nossas vidas, seus resultados seriam muito mais expressivos.



Muitos amigos e leitores do blog haviam me indicado a leitura deste livro do nosso conterrâneo Ricardo Semler. Ele é mais um exemplo de brasileiros que fazem muito sucesso pelo mundo e que têm pouco reconhecimento por aqui. Mas esquecendo nossa capacidade de desdenhar talentos nacionais, eu realmente me identifiquei muito com a forma de agir e pensar do autor.

Semler alcançou o que sempre sonhei, exportou conhecimento do Brasil vendendo mais de 2 milhões de livros nos 134 países que foi publicado, sendo bestsellers em 16 deles, ministra palestras nas principais universidades do mundo e dissemina sua mensagem aos quatro cantos do planeta. Se você nasce nos Estados Unidos, isso nem é tão difícil de se ver, mas vindo ao mundo aqui, acho que ele deve ser o primeiro no mercado corporativo.

Com Semler, (com quem ainda pretendo sentar para tomar um café um dia e jogar conversa fora) confirmei idéias que tinha e que se tornaram, a partir da leitura do livro, conhecimento sedimentado.

  1. Que dinheiro nas mãos de pessoas lúcidas só traz benfeitorias ao mundo. Dinheiro é como uma energia, assim como o fogo, que quando bem usado cozinha a nossa comida e nos protege do frio, mas na mão de um maníaco pode fazer vítimas. Com o que ganhou em suas empresas, Semler construiu uma escola de ensino revolucionária, montou uma think-tank para pensar no Brasil a longo prazo e resolver os nossos principais problemas, internacionalizou seus negócios e participou da construção de projetos de proteção ambiental como o S.O.S. Mata Atlântica.
  2. Que a aquisição de cultura e conhecimento nos dilata a consciência, possibilitando uma visão de longo prazo e também uma atenção maior para assuntos de interesse comum como a política. Segundo Ricardo, é por isso que a elite brasileira é tão indiferente à administração pública e nada faz para mudá-la. A grande maioria preocupa-se apenas em gastar em vida a fortuna que acumulou.
  3. Que se você confiar nas pessoas que trabalham na sua equipe, compartilhando com eles poder, decisões, obrigações e resultados, todos se comprometerão mais e farão juntos o negócio crescer bem acima das médias do mercado. Essa estória é melhor retratada no seu primeiro livro Virando a própria mesa que permaneceu 4 anos na lista dos mais vendidos da revista Veja.
  4. Que se você for determinado, quase obsessivo, poderá realizar qualquer coisa que deseja. depende da sua vontade e da constância nas ações. Ricardo fez desde peça de teatro, estrelada por Raul Cortez até alpinismo no Everest.

O livro relata dezenas realizações bem-sucedidas chegando ao ponto de passar pela sua cabeça que Ricardo Semler é melhor que o Chuck Norris, mas a leitura vale muito a pena.


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