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No mês de abril, dedicaremos nossos quatro artigos à cobertura das principais palestras que aconteceram no XXI Fórum da Liberdade, importantíssimo evento que acontece há 21 anos na cidade de Porto Alegre. O tema deste ano, Agora, o mercado é o mundo, não poderia ter sido mais apropriado e definiu o contexto dos debates que elucidaram as mais de 8 mil pessoas que passaram pelo auditório da PUC nos dias 7 e 8 deste s. Enriqueceram o Fórum com suas idéias os empresários Jorge Gerdau (Grupo Gerdau), Salim Mattar (Localiza) e David Feffer (Grupo Suzano), os intelectuais Tom Palmer (Instituto Cato), Carlos Alberto Montaner e Paulo Guedes e os políticos Ciro Gomes e Henrique Meireles (Banco Central).

Começarei nossa série de exposições explicando o motivo pelo qual me identifico tanto com o liberalismo, sistema político-econômico que embasa este evento, e qual é sua relação com o Blog.

O www.assimfaloudenardi.blogspot.com começa sua definição da seguinte maneira: Esse blog foi criado para divulgar idéias com um objetivo único: despertar o pleno potencial das pessoas. O liberalismo acredita e estimula o desenvolvimento do potencial de cada indivíduo e por isso, a identificação com este sistema foi imediata desde que comecei a travar contato com seus conceitos.

Acredito que o mundo esteja seguindo uma tendência de ampliação do poder de cada ser humano. Isto pode ser facilmente detectado na nossa sociedade. Para citar um exemplo simples, hoje você pode sozinho, organizar um abaixo-assinado pela internet contra alguma decisão do governo que você discorde. Como um que acabo de receber e assinar opondo-me à indenização milionária que Ziraldo e Jaguar recentemente receberam. O amigo que me mandou, o fez do seu computador, sem sair de casa. Se o movimento começar a ganhar volume, poderemos modificar uma decisão judicial sem sequer pedir a ajuda a algum político, algo que jamais conseguiríamos há poucos anos atrás. Como acredito no desenvolvimento do potencial humano e na capacidade de cada pessoa decidir o que é melhor para si e lutar por isso, me sinto um liberal.

Para mim, o Governo ideal é aquele que aparece o mínimo possível, deixando que os estados federais façam o que puderem. Estes, por sua vez, liberarão aos municípios a verba necessária para que essa célula menor, e por isso mesmo mais próxima dos indivíduos e de suas reais vontades, possa realizar o que é capaz. Mas os municípios também permitirão que as comunidades locais façam o que achem necessário. Que por sua vez, deixarão a cada indivíduo, com sua própria iniciativa , fazer o que deseja. Menos governo e mais indivíduos realizando o que acham importante é liberalismo.

Por acreditar no potencial e na capacidade humana, creio que cada indivíduo saiba o que é mais importante para si. Quando cada pessoa toma uma decisão optando por um produto ou serviço, ela influencia o mercado. Por tanto, quanto menos o governo influenciar no mercado, mais força dará às pessoas. Cada indivíduo é quem melhor melhor sabe o que é mais importante para si. O indivíduo não deve trabalhar para manter um estado forte, mas é o governo que deve trabalhar pelo indivíduo e isso é liberalismo.

Interferindo menos na sociedade, o governo tem menos oportunidades de corrupção. Se tudo o que fazemos depende dele, algumas pessoas, sem ética, se sentirão impelidas a subornarem os burocratas para que as coisas andem conforme elas desejam. Com menos governo e mais liberdade econômica temos menos corrupção. E esse é mais um ideal liberal.

Para finalizar, como acredito no potencial humano, acho que todos têm condições de chegar onde bem entendem. Cabe ao governo possibilitar oportunidades e condições para que as pessoas compitam nas mesmas regras. A meritocracia estimula a evolução e está presente em todos os grupos de animais da natureza, não sendo diferente conosco. Um sistema que não valorize talento e esforço está fadado ao fracasso. Sem estímulo, as pessoas fazem poucas contribuições ao mundo. Aqueles que se esforçam mais, desenvolvendo suas competências e contribuem mais para a sociedade, devem ser reconhecidos por isso.

Os liberais valorizam acima de tudo a tolerância e acreditam que cada um deve ter o direito de seguir o que acredita ser melhor para si. Eu escolhi o liberalismo.



Para saber mais: http://assimfaloudenardi.blogspot.com/2008/03/poltica-qu-es-el-liberalismo.html

Quando ouvi Paulo Guedes, um dos principais economistas brasileiros, iniciar sua apresentação no XXI Fórum da Liberdade, pensei que ele havia desistido de tentar emplacar as idéias de Locke na nossa administração pública. Realmente não deve ser fácil falar por mais de 30 anos sem encontrar um único político com a coragem de aplicar práticas econômicas mais modernas. Analisando posteriormente sua linha de raciocínio, percebi que o que o fundador do Banco Pactual e da Universidade IBMEC achara era uma brecha dentro da atual conjuntura política brasileira para aplicar uma revolução liberal.

Para que uma idéia pegue dentro deste contexto, ela não pode ser apresentada para beneficiar o indivíduo, mas deve ser algo que, aparentemente, ajudará multidões. será aceita pelos políticos da América Latina se tiver uma roupagem socialista, mesmo que não seja. Nãooutra forma, uma vez que estamos em um continente de 19 países onde 13 deles são socialistas ou social-democratas.

Como queremos mercados mais abertos por aqui, a solução proposta pelo economista brasileiro é unir as moedas da América Latina e criar o PESO-REAL. Isto traria benefícios para todas essas populações, ajudando os países mais pobres, o que seria muito bem visto, e fortalecendo os mais ricos. Como temos Peso por todas as partes (Uruguai, Argentina, Chile, México, República Dominicana, Bolívia, Cuba e Colômbia) e do outro lado um subcontinente chamado Brasil com o Real, equilibraríamos a balança no nome da moeda e na influência política. Claro que nem tudo é festa. Visto que nossa colonização Ibérica se esqueceu de ensinar que leis devem ser cumpridas, para que não haja abusos de poder nesta união, quebras de contrato devem ser severamente punidas, até mesmo com a exclusão do infrator, se necessário for.

Paulo Guedes começou sua apresentação falando que no início do século passado, o mundo vivia, tal como agora, um momento de euforia e otimismo. A globalização e o desenvolvimento econômico vinham crescendo exponencialmente, até que, muitos países foram atingidos por um equívoco chamado comunismo. Mercados se fecharam, economias encolheram e tudo piorou, chegando-se ao fundo do poço com o início da I Guerra Mundial. A dificuldade de interação entre os países gerada pelo socialismo foi culminante para o estouro da Guerra, vale lembrar que NAZI era a sigla do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães e quando o mercado começou a reagir, veio a II Guerra atrapalhando tudo outra vez, permitindo que nos recuperássemos recentemente. Há 70 anos que a economia mundial não crescia durante 6 anos seguidos a taxas acima de 5%.

Mas o equívoco está de volta e bem presente em nossos governos, e se não fizermos nada para atenuá-lo, seremos devorados pelos 3,5 bilhões de euro-asiáticos que acabam de entrar no mercado, loucos para trabalhar, dispostos a qualquer sacrifício para poupar e prontos para romper qualquer código de ética para vencer. Paulo Guedes disse que ele e seus colegas olham para os Estados Unidos dos dias de hoje da mesma forma que olhavam para a Inglaterra na década de 40, vendo um barco luxuoso que começa a afundar de tão pesado e que não conseguirá conter os mais leves e velozes que chegam com força total.

Acredito que possamos vencer os euro-asiáticos se nos tornarmos mais competitivos, e nesse ponto, uma economia de mercado mais aberta é essencial. A criação de uma nova moeda mais forte pode ser um bom começo. Posteriormente, teremos que acumular reservas de Euro (para que a eventual falência dos Estados Unidos não nos prejudique tanto) e fazer todos os investimentos em infra-estrutura e educação que uma nação de ponta necessita.

Este Cubano nascido em Havana e defensor da economia de mercado nos brindou com uma breve história da globalização e sua importância na evolução da espécie humana.

Ao contrário do que muitos pensam, a globalização não começou no final do século XX com o advento da internet ou com a sofisticação dos meios de comunicação. Para Montaner, esse fenômeno teve inicio com a civilização mesopotâmica há 5000 anos e desde então ampliou sua base de atuação. Daí eu faço minha correção. Existiu na Índia, antes mesmo dos construtores dos jardins suspensos da Babilônia, um povo chamado Drávida, que apesar das inúmeras contribuições à humanidade é esquecido nos estudos da História Geral do Ocidente. A civilização que habitou o Vale do Indo foi a pioneira no desenvolvimento de um intenso comércio entre seus habitantes e também com os povos de regiões distantes. Construíram portos como o de Lôthal por onde naus de diferentes partes chegavam para comercializar com os antigos indianos. Possuíam selos para marcar os produtos e até mesmo moeda corrente. Os Drávidas edificaram uma próspera cultura homogênea que se estendia por mais de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, mais que os antigos Egito e Mesopotâmia juntos. Seus conhecimentos são a base das principais filosofias da Índia.

O livre comércio que exerciam pode ser um dos motivos pelos quais eles não se preocuparam em formar um exército forte e com isto foram facilmente derrotados pelos arianos que invadiram suas terras por volta de 1500 a.C. destruindo toda essa civilização. Afinal, quandomais liberdade econômica, gera-se mais riqueza para todos os envolvidos nas negociações e conseqüentementemenos guerras. Diz-se que um dos motivos que Hitler usava para convencer seu povo a entrar na II Guerra Mundial era a dificuldade que os alemães tinham ao tentar negociar seus produtos.

Povos mais ingênuos vêem a riqueza como algo material que se deve brigar para ficar com uma parte, mas na verdade ela é ilimitada e se constrói a partir de interações e trocas. A prova disso é que o PIB mundial, nos últimos 40 anos, se multiplicou 24 vezes.

Os drávidas, diferentemente da maioria dos povos antigos, não faziam sua população trabalhar em prol dos governantes. A administração pública nas cidades da Índia antiga era feita em construções simples, por outro lado, seus habitantes possuíam casas espaçosas, a maioria de dois andares e com esgoto coberto que funcionava, até que as cidades foram encontradas no início do século XX. Estamos falando de construções de pelo menos 7000 anos. Seriam os drávidas o primeiro povo liberal e por isso mesmo sua cultura e economia se desenvolveram tanto?

Especulações à parte o fato é que sempre que houve melhoria na execução de alguma tarefa humana, seja a formação de exércitos, a coleta de alimentos ou a caça de animais, a interação entre as tribos permitia que aqueles que não dominavam determinada técnica pudessem copiá-la e posteriormente inovar em cima da idéia inicial. Com o compartilhamento de conhecimento, o ser humano acumulou cada vez mais know-how e se desenvolveu. Por tanto, o processo de globalização se reforça em nossa Era para contribuir e não para prejudicar os homens. Aqueles que permanecerem fechados em casulos de subsistência, seja para proteger seus mercados locais ou pensando que se bastam, verão essa onda de progresso passar e quem sabe, mais tarde, tentarão alcançá-la através de uma guerra. Como sempre aconteceu, as interações gerarão cada vez mais riqueza e sabedoria e propiciarão desenvolvimento aos países que estiverem mais abertos a mudanças.

Tom Palmer é vice-presidente de Programas Internacionais do Cato Institute, instituição que incentiva o aumento da liberdade econômica no mundo. Sua exposição esclareceu o funcionamento das think-tanks, maravilhosas ferramentas de interferência da sociedade na vida pública e que ainda não se fortaleceram no Brasil. Segundo Raimundo Mariano, presidente da BOVESPA que deseja trazer este tipo de prática para o nosso país, “a expressão remete originalmente aos gabinetes em que generais americanos debatiam, durante a Segunda Guerra Mundial, as estratégias a serem adotadas contra o inimigo. Hoje nos EUA há milhares de think-tanks, dedicadas aos mais variados objetivos e temas - um fenômeno que atesta de modo geral o poder da sociedade civil americana, historicamente inclinada a formar organizações civis e políticas independentes do Estado.”

Pois é essa independência do Estado uma das mais importantes características de uma think-tank séria. No Brasil, presenciamos recentemente a intervenção do Governo expulsando do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), que em princípio era uma instituição independente, todos os economistas que combatiam o crescimento dos gastos públicos, idéia que é oposta à ideologia do PT. Quando isso acontece, a instituição se desmoraliza e perde seu papel principal; contribuir através de estudos independentes para uma melhor administração pública.

As think-tanks, depois de fazerem suas pesquisas sobre determinado assunto, atuam no esclarecimento da população e também dos próprios políticos que assim como nós, não têm tempo para fazer estudos minuciosos sobre determinado tema. E esse é o papel das think-tanks. Por isso mesmo, deve imperar um rigoroso critério de não interferência nos dados pesquisados visando adequá-los a determinada vontade política. Os números devem aparecer sem distorções, como um trilho que mostra o melhor caminho a ser seguido.

Acredito demais nas think-tanks, pois elas possibilitam à sociedade interferir de maneira consistente no governo, não apenas como uma vontade popular, mas com consistência de estudos e pesquisas. Estejamos atentos, pois instituições como essas, muito em breve, começarão a brotar nos centros urbanos do nosso país e cabe a nós apoiar aquelas que nos identifiquemos para que a sociedade tenha cada vez mais peso nas decisões governamentais.

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