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Acabo de voltar do terceiro final de semana do ano, passado nessa cidade mágica. Confesso que desde que comecei a morar em São Paulo, há 10 anos eu vinha perdendo o encanto pelo Rio. Acho que por que em geral os paulistas não gostam tanto de . Mas agora ao chegar na cidade maravilhosa, volto a sentir a bolsa nova, consigo penetrar na essência das letras de Vinicius de Moraes que passei a entender realmente depois que conheci o Rio de Janeiro. Volta a me felicitar com a brisa do mar, mesmo estando entre gigantescos edifícios. O Rio não me cheira a tráfico, medo e confusão. O Rio me traz às intelectuais madrugadas na Letras e Expressões, os saudabilíssimos sucos dos 5 Bs da Ataulfo de Paiva ( Baladas, Bibi e B&B) e o sabor do risoto do Quadrucci que por horas deixa impregnado no meu paladar o gosto do azeite trufado.
O Rio é o lugar onde você sai da praia e quase que imediatamente pode estar num show de alta qualidade, e no final deste, caminhar pela beira-mar tomando água de coco. Nada pode ser tão gratificante...
Talvez como eu esteja convivendo muito com pessoas da minha terra, eu tenha me tornado mais gaúcho e consequentemente mais apaixonado pelo Rio. Em uma de suas crônicas da Comédia Da Vida Privada, Luis Fernando Veríssimo retrata muito bem os pensamentos de um gaúcho no final de uma discussão de bar com um carioca.
“Estava no Riomenos de dois anos e chiava como uma locomotiva no cio. Mas não me senti triunfante. Me senti derrotado. Eu estranhara ele não ter dito: “Se você gosta tão pouco do Rio, o que é que está fazendo aqui?” Eu não poderia responder a não ser com a verdade, que era fascinado pelo Rio. Uma característica de gaúcho é que gaúcho é fascinado pelo Rio. E ali estava ele como prova que depois do fascínio vinha a rendição, a vitória carioca. Acabou a discussão. Nos despedimos e saímos, cada um cambaleando para um lado. Na saída ele ainda disse:
- Precisamos nos ver…”


Sempre que fatores externos produzem em nós uma sensação de segurança, reduzindo nossa tensão, relaxamos e passamos a lutar menos por aquilo que acreditamos. “Consta que uma das razões que contribuíram para a queda do Império Romano teria sido a introdução dos banhos quentes como hábito cotidiano, os quais teriam arrefecido a têmpera dos seus, antes, bravos guerreiros.” O perigo deste estado de relaxamento é que ele pode ser usado como forma de manipulação e domínio das pessoas. Como alerta o escritor DeROSE, também autor da citação acima, em seu livro Quando é Preciso Ser Forte. “No Brasil, para domar a fibra dos temíveis índios cinta-larga, do Amazonas, os construtores da estrada Transamazônica usaram... açúcar.” Este mesmo ingrediente serviu de artifício para induzir as crianças e adultos a trabalhar mais na Inglaterra da Era Industrial. Com um pouco do doce prazer, elas reclamavam menos e produziam mais.

Na administração pública, os açúcares são outros. Entendendo como funciona a gastança e o endividamento governamental, chegamos ao principal causador dos problemas sociais. Pois, com muito dinheiro nas mãos, mesmo com uma péssima gestão, o governo poderá mascarar a realidade e aparentar uma fase de prosperidade econômica para que a população pense que está tudo bem e não se revolte contra quem está no poder.

Políticos aproveitadores endividam ao máximo seus governos, pois com dinheiro circulando, gera-se uma aparente sensação de que a economia está crescendo e as pessoas ficam felizes e vulneráveis. É como uma pessoa que ao se sentir infeliz por estar sem dinheiro, ao invés de encarar esta realidade e fazer planos para gastar menos e ganhar mais, vai ao Shopping Center e compra com seu cartão de crédito tudo o que deseja. Muito embora ela possa aparentemente se sentir melhor depois de cometer este ato incoerente, as conseqüências emocionais aparecerão com ainda mais intensidade no mês seguinte quando a fatura vier.

Na administração pública a situação é ainda mais grave, pois muitas vezes a fatura será transferida para o político que o sucederá no cargo. O próximo, jamais aceitará ficar apenas pagando dívidas. Ele também terá que mostrar serviço e para tanto contrairá mais dívidas num ciclo inesgotável que torna os meios públicos os maiores devedores do mundo. No entanto, invariavelmente a bomba estourará em algum momento e alguém terá que pagar a conta. Nãocomo resolver problemas enfiando-nos mais neles. Existe um ditado que diz: se você está afundando a primeira coisa a fazer é parar de cavar. Daí a importância de se gastar apenas ou até menos do que se arrecada, atitude quase nunca seguida que na política é chamada de equilíbrio fiscal.

Quando um Estado precisa de dinheiro para fazer as coisas acontecerem, a concessão de crédito funciona de maneira diferente de uma pessoa ou de uma empresa. Estas podem falir e caso isto aconteça, terão todos os seus bens confiscados pelo credor como do pagamento da dívida. Sendo assim, fazemos empréstimos quando é inevitável e quando temos a certeza de que poderemos pagar. Mas para o governo é diferente. Afinal, quem conseguirá decretar a falência de uma cidade ou pior ainda de um país? Que instituição financeira terá coragem de se apossar das máquinas de um hospital público ou dos computadores de uma escola estadual?

Esta proteção permite que o Estado fique devendo para muita gente por muito tempo e mesmo neste cenário consiga crédito para se endividar ainda mais. Vejamos o exemplo brasileiro no qual a dívida líquida total do setor público atingiu R$ 1,150 trilhão, ou 42,8% do Produto Interno Bruto (PIB) no final de dezembro 2007, mas apesar disto o governo federal ainda consegue muito dinheiro para suas obras. Hoje, o que nos salva de um desastre é a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) que entrou em vigor em 4 de maio de 2000, e por dificultar abusos de gastos públicos, é considerada a uma das mais importantes contribuições do governo FHC. Não obstante, os governantes sempre acham brechas para poder gastar mais do que arrecadam.

Da mesma forma que os relaxados romanos, depois de muitos banhos quentes, foram derrubados pelos bárbaros. Os estadunidenses também estão vendo seu império ruir. E muito têm contribuído para tal, a desastrosa administração republicana de George W. Bush. O maquiado aquecimento da economia que ele produziu, deveu-se quase que exclusivamente a gastos desmedidos do governo Americano. Com isto, os ianques se sentiram seguros, reduziram seu senso crítico e perderam sua tradicional bravura política para lutar contra os absurdos que cometeu este presidente.

Bush assumiu sua gestão com as contas públicas equilibradas, hoje o déficit americano está na casa dos 400 bilhões de dólares. O presidente da guerra gastou somente com a desnecessária Guerra do Iraque 320 bilhões de dólares por ano triplicando os gastos bélicos que teve o governo de Clinton. A conta está sendo paga agora com as drásticas quedas das bolsas de valores americanas. O fato inegável é que gastos desmedidos uma hora aparecem e normalmente quem paga por eles é a sociedade. Outra evidente demonstração da queda do Império Americano, que foi acelerada pelo desastre administrativo deste governo, não combatido pela sociedade americana, que inclusive o reelegeu (depois são os brasileiros que não sabem votar) é que Bush assumiu a Casa Branca com o Dólar valendo 30% a mais que o Euro e hoje ele vale 50% a menos que a moeda européia.

“No Brasil, para domar a fibra dos temíveis índios...” a estratégia foi outra. Também temos um aparente bom momento econômico e um ilusório equilíbrio fiscal. A estratégia adotada pelo governo Lula para não gerar revoltas frente à corrupta administração do PT foi montada visando atrair muito dinheiro de fora. Para chamar os investidores externos, pagamos os mais altos juros do mercado mundial o que custa anualmente R$ 160 bilhões aos cofres da União. O capital externo vem para e aparenta um crescimento da nossa economia. Isto não é ruim, mas o fato é que não há uma substancial elevação de produtividade no Brasil. O que existe é muito dinheiro de fora entrando, mas que pode desaparecer a qualquer momento como aconteceupouco tempo atrás com a nossa vizinha Argentina.

Lula anestesiou a população que ficou sem forças para lutar por um governo melhor. Passamos a aceitar passivamente as maiores fraudes reveladas na política do nosso país. E assim como aconteceu nos Estados Unidos, a aparente segurança fez com que reelegêssemos nosso presidente que pouco investiu em infra-estrutura e que aproveitando esse momento de relaxamento da população gasta de 2 a 3 X mais do que consegue fazer o PIB crescer. Gastos estes que gerarão mais cargos de confiança e consequentemente mais recursos para o seu partido se manter no poder.

Não sejamos ingênuos, não podemos cometer os mesmos erros dos guerreiros romanos ou dos nossos compatriotas cinta-largas. Um espasmo de prazer não pode se refletir em falta de senso crítico e bravura para lutarmos pelo que acreditamos. Olhos abertos e voz ativa para construirmos um Brasil melhor.


Acabo de ter uma prazerosa aula sobre relacionamentos humanos ao ler atentamente o livro que deu título a esse artigo. Minha professora foi a psicóloga brasileira Regina Navarro Lins. Acredito que ninguém conseguiria desmantelar com tamanha astúcia intelectual as mais arraigadas “verdadessobre este tema como fez esta corajosa escritora. Ela demonstra que tudo o que a tradicional educação vende como correto em termos de relações, passou por grandes transformações ao longo da história. Aquilo que hoje é aceito como sensato, foi execrado em épocas passadas e vice-versa. Por esta razão aprendemos na leitura, o que parece óbvio, mas que pouca gente aplica. Não existe certo ou errado quando falamos de relacionamento, o que existem são convenções que nem sempre condizem com as vontades pessoais de quem se une. Por ser algo muito pessoal, cada um deve encontrar a melhor maneira para si e jamais simplesmente aceitar o que é empurrado como o mais adequado.

O livro aprofunda a história e as transformações que passaram conceitos aparentemente eternos como o amor romântico, a veneração pelos filhos, o patriarcalismo e a sua antítese o matriarcalismo, o sexo, o homossexualismo e a prostituição. Tenho certeza que você tem conceitos cristalizados sobre todos esses temas e nem imagina de onde vieram e quais as razões que estão por trás destas opiniões. Costumo sublinhar, escrever e ainda colar post-its plastificados para marcar as partes mais importantes dos livros, este hábito além de reforçar as mensagens, facilita qualquer consulta posterior. Para mim, esta obra apresentou tantos axiomas - premissas consideradas necessariamente evidentes e verdadeiras - que sublinhei e escrevi em praticamente todo livro e os tantos post-its colados fizeram-no parecer um fio repleto de bandeirinhas de são-joão.

O mais significante ensinamento que ficou é que crenças que vão nos sendo impostas pelo sistema penetram a psique de tal forma que passamos a defendê-las como sendo “nossas”, tal qual uma verdade inquestionável que todos os seres humanos devem acatar. Não questionar padrões comportamentais que conflitam com a nossa felicidade é no mínimo uma burrice declarada. Acho que se um dia tiver um filho, ou melhor ainda uma filha, e como todo o pai desejar a máxima realização pessoal para ele, este será o primeiro livro que indicarei a leitura. Como o objetivo do artigo não é fazer um resumo da obra, não vou entrar em mais detalhes sobre seu conteúdo. Fica aqui uma veemente recomendação de leitura.

O período que precede o Oscar traz para as telas os melhores espetáculos cinematográficos. Isto fica ainda mais evidenciado por suceder as fracas semanas que temos antes do Natal. Nas quais, apenas as crianças conseguem se divertir com os filmes. Segue nossa análise dos três best-sellers que recentemente foram transformados em filmes e suas respectivas colocações para o conjunto livro-filme. Todos eles valem o ingresso, no entanto, do menos bom para o melhor temos:

3º O caçador de pipas

Nãocomo desvincular o sucesso deste livro com a necessidade que os Estados Unidos têm de mostrar ao mundo que fizeram uma grande caridade ao expulsar os Talibãs do Afeganistão. Sem esta guerra, provavelmente o afegão Khaled Hossein seria mais um desconhecido autor. Afinal, sua obra não possui nenhum estilo literário capaz de destacá-lo por mérito próprio.

Marc Foster, que também dirigiu o premiado A Última Ceia, fez um excelente trabalho na direção desta adaptação. Mesmo sem tirar nem pôr nada da história original, conseguiu tornar o filme bem atraente. O ponto alto são as belíssimas filmagens das batalhas de pipas que sobrevoam a pobre, mas bela Cabul tendo os Himalayas como pano de fundo.



2º O amor nos tempos do cólera

Florentino Ariza, principal personagem do romance de Gabriel Garcia Márquez que leva o mesmo nome do filme, vem ao cinema mostrar sua ansiedade pela longa e angustiante espera que durou décadas na esperança de reaver o grande amor de sua vida, que lhe foi tirado quando era adolescente. O escritor colombiano é um dos principais expoentes do realismo fantástico, movimento cultural que contrasta o desenvolvimento tecnológico da América Latina, com a forte cultura de superstição e preconceito que assolam esta terra. O livro retrata as mais impossíveis loucuras que o ser-humano é capaz de fazer para viver um grande amor.

O filme está muito bem feito, os personagens da mágica e sensual cidade de Cartagena, na Colômbia reforçam a cultura altamente repressora que eles viviam, mas infelizmente se manifestam em inglês ao invés do original espanhol. Quando lemos o livro, torcemos por Fiorentino em dois aspectos. No primeiro para que ele tenha vida longa para conseguir em vida ter novamente em seus braços o seu grande amor. no segundo, para que o Doutor Juvenal Urbino morra o quanto antes permitindo que sua esposa, Firmina Daza, caia novamente nos braços de Fiorentino.

A meu ver, o roteirista cometeu um erro grave ao expor no início do filme a morte do doutor nos deixando apenas na expectativa de que Fiorentina vença com os preconceitos de sua sociedade e viva um amor que se interrompeu por mais de 50 anos.

1º Desejo o Reparação

O livro de Ian McEwan chama-se apenas Reparação e trata-se da mais expressiva obra desse gênio da literatura inglesa. Ele acreditou tanto no sucesso do filme que entrou como diretor executivo (investidor) e certamente obteve muito retorno do seu capital por ter vencido o Globo de Ouro de melhor filme.

O escritor é considerado mestre em traduzir em palavras, os estados psicológicos dos seus personagens. Nãocomo discordar disto, no entanto para mim, McEwan merece outro mestrado, o de desconstrucionista do tempo. A forma como ele traz o passado ou projeta o futuro é tão bem feita, que em seus romances o tempo se altera constantemente sem que ele precise avisar o leitor. O filme conseguiu traduzir isto de forma impecável. Os efeitos sonoros desta película também foram muito bem escolhidos de maneira a enfatizar as emoções dos personagens, característica marcante nos seus livros.

A história se passa antes e durante a segunda guerra e traz à tona a crueldade desta época, a insaciável saudade que assolava os amantes afastados pelas batalhas e a vontade ilimitada que temos de reparar nossas atitudes quando sabemos que agimos de maneira errada. Para nós, Desejo e Reparação merece além do Globo de Ouro o Oscar deste ano.

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