Eu resisti até o último instante, mas tenho que me render... Pensei que jamais escreveria estas palavras na série New York Impressions – não deu. E já que é para dizer que seja gritado.


ESTOU MORRENDO DE SAUDADES DO BRASIL.


A experiência está sendo maravilhosa, e colho aprendizado a cada instante que passo por aqui, mas não tem jeito, nós brasileiros temos qualquer coisa que nem o pai do Chico, nosso honrado Sergio Buarque de Holanda, que escreveu um dos mais profundos estudos sobre o comportamento brasileiros, consegue explicar.

De joelhos, em completa rendição, para não ficar sozinho, vou usar algumas muletas para me apoiar.

Fábio Martins, um grande amigo meu que nunca pára mais de um ano na mesma cidade e coleciona moradias em Lisboa, Hong Kong, São Paulo, Londres, New York, e sei lá mais aonde, se saiu com essa. “Depois de morar em tantos lugares acabei percebendo que a cidade em si não faz tanta diferença, o que muda nossa vida são as pessoas que estão a nossa volta.” Claro que New York tem coisas que nenhum outro lugar no mundo pode oferecer, ainda mais para um apaixonado por cultura e modernidade como eu, mas não posso tirar nenhum pedaço da razão do meu parceiro.

Para fechar com chave de ouro minha sujeição, lembro do maestro Antonio Carlos Jobim que depois de fazer muito sucesso por aqui, no auge de sua carreira voltou ao Brasil, quando questionado sobre o motivo do retorno não titubeou:
“ Os Estados Unidos é bom, mas é uma merda. O Brasil é uma merda, mas como é bom.”