A primeira vez que vim à Nova York, minha viagem anterior havia sido para Paris. Na cidade luz você não para de se impressionar. Para onde quer que você olhe, vê um cartão postal - é um lugar que clama por contemplação. Eu lembro de observar a tudo a minha volta e pensar “Não é possível que eles fizeram isso! Como?”

Quando cheguei a Nova York, esperava ter a mesma reação, mas ela não vinha e eu não entendia porque. Afinal esta cidade é também impressionante, mas aquela sensação mágica que temos quando nos deparamos com algo magnífico não aparecera. Eu voltei daqui, achando Nova York simplesmente Ok.

Somente agora, me sentindo quase um morador, é que consegui entendê-la. Nova York é um lugar para se contemplar com ação, é um local no qual você aprecia e caminha, se impressiona mas ao mesmo tempo age, tal como a Arte Contemporânea, que se demora um pouco mais para gostar, mas depois de entender que o que ela pede é interação, passamos a amá-la. Nova York não é uma cidade pré-determinada, é você que tem que fazê-la.

Se Richard Wagner estivesse vivo ele seguramente moraria aqui. Nova York é como suas óperas - intensa, megalomaníaca, detalhista e acima de tudo grandiosa. O autor da Cavalgada das Valquírias seria um apaixonado pela Time Square e certamente produziria inúmeros musicais por lá. Por falar em Times Square, o famoso TKTS, que passou uns anos funcionado num Hotel na 49th street, está de volta ao centro da praça. Agora os bilhetes com desconto para os espetáculos da Broadway são vendidos abaixo de uma linda e - não poderia ser diferente ali - iluminada arquibancada onde os impressionados turistas se sentam para deslumbrarem-se com as milhares de cores e movimento do local.

Nova arquibancada na Time Square inaugurada dia 16 de outubro de 2008