A ERA DA INFORMAÇÃO
Assim como aconteceu com a Era Industrial, em que somente depois de um século de existência é que as pessoas acordaram para as modificações que haviam acontecido no mundo, o mesmo vem acontecendo agora. Apesar de já estarmos há mais de 50 anos vivendo um novo paradigma social, a maior parte das pessoas não percebem isso e ainda mantém suas crenças alicerçadas no sistema antigo.
A Era da Informação está sendo mais do que uma mudança social. Ela é uma mudança na condição humana. Na nossa época, quantidade de esforço não significa mais resultado. Mãos calejadas não são mais sinônimo de trabalho honesto. Será a capacidade criativa e pensante, que sempre nos diferenciou dos demais animais, que determinará o sucesso das pessoas na economia mundial.
Para se ter uma idéia do delay na leitura dos acontecimentos globais, apesar do sucesso mundial de livros que tratam do assunto como O mundo é plano de Thomas Friedman e de muitos intelectuais colocarem a boca no trombone para falar disso, ao consultar a Wikipédia para obter informações para este artigo, me assustei ao me deparar com um texto de apenas três frases e ainda totalmente equivocadas a respeito da Era da Informação. Agora o que consta lá é contribuição nossa.
A característica da Era da Informação que mais salta aos olhos é que ela tem deixado de lado o mercado de massas para focar no indivíduo. A indústria e os serviços saíram da massificação para a customização, transferindo cada vez mais poder à individualidade. O valor de cada pessoa tem crescido muito nestes últimos anos. Hoje podemos acessar o site da Nike e montarmos nosso próprio tênis. Outro exemplo curioso é o filme Homem-Aranha que, ao ser exibido na Índia, teve o nome do herói trocado de Peter Parker para Pavitr Prabhakar (!), se passa em Mumbai ao invés de Nova York e o personagem não adquiriu seus poderes através da irradiação, mas por um ritual feito por um yôgin paranormal. Ou seja, personalizar para valorizar o indivíduo.
E isso bate mais uma vez com a teoria de Maslow, cujo estágio contempla a estima de cada pessoa.









Todas essas transformações pelos quais estamos passando são importantes. Mas esse processo de individualização tem malefícios bastante significantes. Afinal, os grupos que ocupavam os espaços de socialização (clubes, igrejas, escolas, faculdades que no passado serviam para socializar as pessoas) tornaram-se indivíduos isolados com experiências fragmentadas (por conta da necessidade de especialização) e estas mesmas pessoas são valorizadas no cálculo do utilitarismo individual. Assim, como diria Karl Polanyi, "os conhecimentos e aspirações das pessoas vão para o moinho satânico do capitalismo, o qual corrói, ao invés de civilizar". Além do mais, essa individualização tornou as pessoas mais egoístas e diminuiu drasticamente o poder representativo da sociedade, através da democracia, que se mostra pulverizada em poucas pessoas e políticos realmente interessados com a sociedade. O poder não emana do povo, pois estes estão preocupados em ganhar o suficiente para suprir necessidades básicas. Assim, a democracia se mostra sempre frágil, vulnerável, corruptível e frequentemente corrupta.
Discordo da colocação que hoje as pessoas socializam menos e tem menor atuação política.
Hoje conseguimos interagir muito mais por causa da internet e através da web podemos fazer verdadeiras revoluções políticas.
Presenciei passeatas organizadas por e-mail e vi que Obama ganhou milhões de votos com esse tipo de atuação.
Não existe "moinho satanico do capitalismo, o qual córroi ao invés de civilizar". Você acha que em Cuba as pessoas são mais civilizadas que em Nova York ou em Paris?
Tenho um tio Cubano o que ele conta é que lá sim ele era corroido internamente pela fome.