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O sucesso explosivo do filme Tropa de Elite, que nem foi lançado no cinema e vendeu milhões de cópias piratas por todo o Brasil, é facilmente compreensível, afinal no nosso íntimo, acreditamos que o bem possa ser feito mesmo quando o ambiente nos conduza para o lado oposto. Sabemos que existem pessoas mais conscientes e integras que nenhum sistema pode corromper. A mídia não gosta de exibir estas atitudes, mas o êxito dessa película mostrou que não são as notícias ruins que vendem mais. Estamos carentes de ver serviços públicos funcionando, e isto é possível, quandopessoas comprometidas para tal feito, até nas mais degradadas instituições como a polícia.

O filme nos permite acreditar que se conseguirmos eleger uma quantidade suficiente de políticos que trabalharão para o todo e não para benefícios pessoais, até mesmo a mais mal vista instituição brasileira, o congresso, pode funcionar. A mudança está nas mãos da sociedade, é o uso aparentemente inocente de drogas que fortalece o poder do tráfico assim como a ingênua negligência política exacerba a corrupção.

Presencio, cada vez mais, pessoas envolvidas em projetos que contribuirão com nosso país, e vejo alegremente brasileiros esperançosos numa nação próspera. Tropa de Elite me encheu de orgulho de ser brasileiro e ampliou minha convicção de que um Brasil melhor é possível.


Shiva, o todo-poderoso deus hindu, aparece em uma das suas representações mais conhecidas, a Natarája, dançando. Enquanto baila, com um dos pés subjuga um pequeno demônio. Vale lembrar que esse bailarino um dia viveu e morreu no Noroeste da Índia e por toda a sua contribuição para a cultura local passou à mitologia como uma divindade.

O aspecto do mal no qual ele pisa, está representando o maior de todos os adversários humanos na visão indiana. Esse pequeno monstrengo se chama em sânscrito - antiga língua indiana que influenciou praticamente todos os idiomas ocidentais – Avidya. O nome prove da palavra vidya, que significa conhecimento, sabedoria. Como a letra A aparece antes, e assim como no português pode representar uma partícula de negação, temos como o maior desafiante humano o não-conhecimento ou a ignorância.

Mas que tipo de ignorância é essa que vencida por Shiva o tornou sublime a tudo?

Qualquer tipo de desconhecimento é prejudicial, mas como não podemos ter toda a informação do mundo, isso sim seria prejudicial, ele se concentrou no ponto mais existencial e importante para a vida, o conhecimento daquilo que realmente somos.

Ele conseguiu discernir que por trás de tudo o que vemos, sentimos e pensamos há uma consciência e que ela é que é o nosso verdadeiro EU. No entanto, como estamos muito envolvidos com nosso ego, pensamentos e emoções, acabamos por achar que é isso que somos, e é essa a mais profunda ignorância humana.

Quando o ser humano se conhecer melhor boa parte dos problemas que existem hoje na terra desaparecerão. Quando nos conhecermos mais passaremos a cuidar mais dos nossos hábitos e com isto melhoraremos nossa saúde. Nos certificaremos que ajudando outras pessoas a se descobrirem, estaremos ampliando não apenas a felicidade delas, mas a nossa também . Quando aprendermos sobre nossa total ligação com a natureza, o homem parará de destruí-la, pois terá consciência de que nós somos parte dela e ela de nós. O grande desafio do próximo milênio é o reconhecimento da verdadeira essência que somos, conseguiremos isto através de tecnologias da consciência, entre elas posso citar com atestado prático o Yôga, o Tantra e o Sámkhya.

No entanto, acredito que cada um deva buscar a sua forma de se aprimorar e ser cada vez mais o que verdadeiramente é.


Uma vez ouvi que Chico Buarque quando compunha suas músicas não dava a mínima importância para a opinião dos críticos, da mídia ou mesmo dos seus fãs. Para ele, somente uma crítica importava, a de seu mestre inspirador Tom Jobim. Em tudo o que fazia, Chico preocupava-se com qual seria a opinião do maestro, era como se ele vivesse apenas para agradá-lo.

Apesar disto soar um pouco estranho para nós ocidentais, essa quase devoção ao mestre é muito comum no Oriente e o verdadeiro discípulo obedece com o máximo de respeito a quem lhe ensina. Esta atitude facilita seu aprendizado e o faz evoluir mais rápido.

Fiz essa breve introdução para compartilhar com você, leitor do blog, minha alegria por um fato acontecido hoje. Enviei o texto O sonho Americano, Brasileiro e de Maslow, para muitos amigos e recebi vários elogios. A todos vocês muito obrigado, são estas demonstrações de reconhecimento que estimulam um escritor a manter sua solitária tarefa. No entanto, uma resposta marcou-me bastante.

Despretensiosamente, enviei o texto ao Professor italiano Domenico De Masi, autor de muitos livros que eu li e que inspiram várias reflexões aqui expostas, entre eles, o mais famoso Ócio Criativo. Encanta-me sua erudição, sua capacidade de prever o futuro, sua paixão pelo Brasil e todas as suas publicações. Para minha satisfação ele respondeu e apesar de ter sido breve este ato representou muito para um distante discípulo.

Grazie del testo, molto interessante.

Un cordiale saluto.

Domenico De Masi

A revista era muito bonita, capa brilhante, cheia de cores, lombada grossa, parecia-se com aquela publicação anual da Exame onde eles ranqueiam as 500 maiores empresas brasileiras. No entanto, o que me chamava mais a atenção não era a sua beleza e sim a principal reportagem, nela apresentava-se um sistema revolucionário que seria aplicado pelo presidente Lula. Os 13 principais ministérios teriam que apresentar 40 idéias novas que tiveram para as suas pastas durante esta gestão e quais conseguiram implementar, disto depende a verba que eles receberão em 2008.

A idéia era tão boa que não parecia ter vinda do atual governo do PT. A começar pelos 13 ministérios, fazendo uma propaganda do número do partido e mais do que isso, mostrando queconsciência dentro do governo que os 34 ministérios não têm o mesmo peso e que 13 receberão mais atenção da sociedade. A reportagem apresentava a cada capítulo fotos dos ministros em reuniões quebrando a cabeça para gerar idéias que complementassem o que faltasse de 40, mostrava também imagens de cada ministro com um grande balão acima da cabeça representando seus pensamentos com figuras alusivas à sua área.

Eu estava gostando de ver pela primeira vez a criatividade ser estimulada em um governo federal, desde que eu acompanho a política, noto muita promessa de mudança nas campanhas, mas, efetivamente as mesmas coisas sendo feitas na prática e a maioria sem produzir bons resultados. Esse relatório acabaria sendo também uma ótima forma do cidadão comum acompanhar junto com o Presidente o que fez cada um de seus 13 principais ministros e o quanto cada pasta receberá de verba para desempenhar suas funções no ano seguinte.

Quando me virei para o meu amigo para comentar o quanto eu estava feliz com o que via... meu despertador tocou... acordei. A sensação foi horrível, me invadiu uma vivência de nostalgia da minha infância-adolescência, eu sonhava com toda a preparação da transa e quando a coisa ia acontecer, exatamente naquele momento, meu pai me acordava para ir para escola. Eu estranhava que era sempre na hora H que a coisa se perdia.

Temos vivido estas tristes decepções no nosso país, na hora que parece que vai, se esvai. Lembro de minha família entusiasmada na posse do Collor, a vibração no ar era de agora vai, passou-se dois anos e nos chamaram para a escola, recordo-me da alegria do povo quando elegeu quem havia acabado com a nossa devastadora inflação, de criativo, Fernando Henrique fez algo que nenhum economista consegue explicar, ele ao mesmo tempo, privatizou e aumentou impostos, 8 anos se passaram e nosso despertador tocou, do governo atual nãopara se esperar uma atitude inteligente e criativa como esta que a nossa revista mágica mostrava, se pedirmos 40 idéias é mais fácil que eles apresentem os 40 acusados do mensalão.

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