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As coisas preciosas da vida se vão assim que percebemos que as perdemos.

Tenho tentado vencer muitos desafios que a existência me impõe e nem sempre a vitória em uma etapa significa vantagem para a próxima.

Nosso ego enche de armadilhas o caminho. Na mesma medida que nos traz confiança e agressividade, nos tira capacidade de ouvir com profundidade e agir com humildade.

Assim que cresce, ele nos afasta da consciência que está por trás e acima de tudo e que é o que realmente somos, a formadora de nosso caráter mais profundo.

Este orgulho EGO ista, torna inacessível as compreensões da alma e nos joga para conquistas impostas de fora, vistas pela sociedade como as mais importantes, e não pelo próprio indivíduo.

As vitórias da profundidade contrariam as da superficialidade. Mostrar externamente o que se tem, não significa felicidade.

Perder alguém que se ama é a derrota dos dois lados e se não vier acompanhada de aprendizado, será um prejuízo irreparável.

Se desejarmos conhecer o amor em sua plenitude, devemos buscar acima de tudo, um estreito contato com aquilo que vai além do ego, que está acima das emoções e dos pensamentos, o EU, que a tudo permeia e que é a chispa de consciência que a todos habita. Sem medo de entregar-se encontraremos o amor, com uma grande interferência da individualidade isso seria impossível.

À medida que crescemos internamente vamos percebendo que se podemos observar nosso corpo, se conseguimos estar por cima das emoções e até mesmo dos pensamentos, isto tudo não podemos ser. Discernir que não somos o perecível, e sim o eterno Self é o maior aprendizado desta vida.

Ou como dizia Nietzche “Torna-te aquilo que és”.

O EU é a segurança sem egoísmo. É a compreensão profunda do outro sem perder suas individualidades. É o agir pelo próximo em prol do todo.

A mais sublime emoção humana, que transcende a tudo e que até o mais simples grão de areia com sua quase inexistente consciência visa alcançar.

O amor é solidificado quando obtivermos a compreensão do que realmente somos para depois permitir que nos doemos aos outros de corpo e alma para enfim termos a edificação da paixão permanente...

Aprendemos desde muito cedo a ver o mundo como uma dicotomia de certo e errado. A educação nos induz a esta postura, fazendo com que sigamos o que se acredita como sendo certo, evitando o que se vende como mal e se afastando dos chatos, que são apenas diferentes. No entanto, o discernimento entre bem e mal, certo e errado, claro e escuro é uma das piores criações humanas, ele não existe dentro da natureza e é por isso que nenhum animal tem sentimento de culpa e desfruta a vida que lhe foi dada tranquilamente.

Podemos demonstrar a inexistência real da dualidade quando, por exemplo, mudamos de localização e detectamos que o que é errado em um lugar passa a não ser mais equivocado em outro, ou ainda conversando com aquele que achávamos chato e descobrindo que ele tinha a mesma opinião a nosso respeito. Quem estava com a razão? Certamente nenhum, ou os dois, depende apenas da ótica. Olhando sob uma lente angular mais ampla, de fato não existe certo ou errado, são apenas pontos de vista, assumidos como verdades absolutas por aquele que compra a idéia.

Embora a Igreja Católica tenha se tornado uma das maiores instituições julgadoras da história, a bíbliaindícios para livrar-nos dos constantes julgamentos, aconselha que se desejamos viver no paraíso podemos comer todos os frutos menos... não, você não vai ler maçã. Este fruto foi apenas uma representação feita por um desconhecido pintor da idade média para representar o real fruto proibido. Após este quadro, vários outros pintores passaram a copiá-lo e caiu no senso comumque quase nunca é verdadeiroque o fruto proibido é a maçã, na bíblia não está assim. Não há nenhuma menção anterior ao período obscurantista, de que o fruto proibido seria este. O que na verdade não era permitido era comer da árvore que continha o conhecimento do bem e do mal, ou seja, o julgamento. Foi isso que fez o homem perder sua belíssima ingenuidade infantil, que muito nos alegra. Vejamos como está escrito em uma das versões bíblicas em que Deus, logo no começo no Gênesis, diz no capítulo 2, versículos 16 e 17: “E lhe deu esta ordem:
De toda Arvore do Jardim comerás. Mas da Arvore do Conhecimento do Bem e do Mal não Comerás”. É este tipo de ciência que divide o mundo e que nos aprisiona numa vida limitada pelos paradigmas que nos foram impostos na infância. Os sábios que escreveram este texto sabiam que o que faz o homem sofrer é justamente a sua capacidade intrínseca de julgar. Quando julgamos, o fazemos sobre o nosso prisma dizendo que o nosso está certo em detrimento do outro que está errado. Criamos com esta atitude um enorme bloqueio para novas idéias e repetiremos os mesmos comportamentos que nos ensinaram, mesmo que estes não sejam os melhores para a nossa felicidade.

Por conta disso, toda vez que uma contradição às nossas opiniões aparece, nosso primeiro instinto não é entender o outro lado, mas rebater com a máxima veemência, pois se a outra opinião prevalecer sairemos derrotados. Repare que a estrutura do pensamento está repleta de dualidades “minha opinião”, “prevalecer”, “derrotados”. No inconsciente é assim que sentimos, infelizmente.

A conseqüência disso é o baixo aprendizado e a falta de consciência de que pode haver uma idéia que é melhor que a sua e que a do outro também, um insight que transcenda essa dualidade e que seja mais abrangente que as duas. Jamais devemos criar esse bloqueio em relação às contradições, o que elas fazem é melhorar nossa forma de expor nossos pensamentos e fortalecem nossas convicções.

Para conseguirmos tal nível de aprendizado é preciso que, antes de qualquer coisa, aprendamos a ouvir com sinceridade. Escutar com empatia, com o coração, sem julgar, apenas absorvendo o conhecimento e colocando-se realmente no lugar da outra pessoa. Tente entender profundamente e perceber o motivo mais profundo pelo qual a pessoa apresenta aquela colocação. Nem sempre ela está contra, às vezes apenas não soube se expressar ou você não se explicou bem.

Esse tipo de audição profunda possibilita que os pensamentos e sentimentos das outras pessoas penetrem profundamente o nosso ser. No entanto, para ouvirmos dessa maneira é necessário que estejamos fortalecidos internamente. É importante que você tenha muito claro quais são os princípios que vêm da sua mais profunda consciência. Esses pontos não podem mais estar vulneráveis, caso contrário o tornarão totalmente suscetível a influências externas. Você se tornará altamente instável e logo em seguida infeliz. Por isso necessitamos de amadurecimento interno, conquistando através do autoconhecimento a consciência do que realmente são princípios imutáveis para nós nessa vida, e desses jamais devemos abrir mão.

Contradições devem sempre ser bem vindas, elas nos possibilitam ver o mundo sob outro prisma de uma forma que pode estar acima da sua maneira. Podem ainda gerar união de opiniões que levarão uma idéia sublime a muitas pessoas. Opiniões contrárias às nossas jamais podem gerar melindres ou desagrados em s, elas fazem parte da vida e ainda bem que nem todos pensam igual, caso contrário qual seria a graça do mundo?

A transcendência da dualidade é um grande desfio humano. Conquistar a capacidade de ouvir opiniões e não julgá-las, mas apenas entendê-las é um dos maiores conhecimentos que podemos ter na vida. Disso resultará uma abrangente visão do mundo e uma capacidade de aprender com todas as situações, sejam elas “boas ou ruins”.


Sempre me intrigou o processo pelo qual uma idéia, que surge de apenas um indivíduo, muitas vezes sem expressão na sociedade em que vive, consegue tomar o mundo e interferir na vida de bilhões de pessoas.

A forma como toda idéia nasce é no mínimo curiosa, e o processo pelo qual a pessoa transforma algo extremamente subjetivo em algo concreto, dá a nós, seres humanos, um poder que antigamente atribuíamos apenas aos deuses. Entendendo melhor este processo, aumentamos a probabilidade de realizarmos tudo o que desejamos.

Quando o que está latente na mente de um indivíduo se concretiza, tornando-se algo tangível, passa a influenciar outras pessoas de diversas formas, elas poderão tocar, sentir, ou até comprar este pensamento-matéria. O fruto da imaginação que se tornou real passou por um grande procedimento que vai desde o insight de criatividade até o contínuo esforço para ver o que se imaginou compartilhado com todos. Inicialmente a idéia é realidade apenas dentro do imaginário do seu criador, quando se concretiza passa a existir para todos. Isso é fascinante, pois mostra que a realização dos nossos sonhos é a mais perfeita ligação que existe entre o mundo subjetivo e o objetivo.

Para entender todo esse andamento pelo qual ela passa, desde seu surgimento até a sua concretização, precisamos compreender que o universo em que vivemos não é plano e formado apenas pelos objetos e seres que o compõem. Ele é um espaço vasto e altamente complexo composto a partir da sobreposição de vários planos, que serão todos visitados pela idéia. Do mais denso ou bruto para o mais sutil ou desenvolvido, seguem listados abaixo:

- Plano físico denso: é formado por toda matéria tangível. Por ser o mais perceptível, induz as pessoas menos sensíveis a pensarem que ele é o único existente. O mundo mineral parou sua evolução neste nível.

- Plano físico energético: é constituído pela energia sutil quevida aos seres. Essa energia é muito conhecida pelas filosofias orientais, no hinduísmo ela recebe o nome de prána, na filosofia chinesa recebe o nome de shi. Uma de suas definições proposta pelo escritor DeRose é que prána é qualquer forma de energia desde que manifestada biologicamente. Alguns exemplos da manifestação do prána são: o calor, o magnetismo, a eletricidade, etc. O mundo vegetal conseguiu ao longo da evolução aproveitar-se deste tipo de energia para gerar o que chamamos de vida.

- Plano emocional: é um plano gerado a partir do conjunto de emoções existentes nos seres animais e no cosmos. Dentro dessa gama de possibilidades temos desde as emoções mais densas como ódio, medo e inveja até as mais sublimes como o amor, satisfação e o prazer.

- Plano mental: formado pelos pensamentos, associações intelectuais e todos os processos que chamamos de racionais. Os seres humanos por terem desenvolvido este plano mais do que as outras espécies, conseguiram se destacar de todos os outros animais.

- Plano intuicional: este plano é acessado em raros momentos pelos humanóides, sendo que as mulheres o acessam com mais facilidade que os homens. O ser humano ainda não se desenvolveu a ponto de poder viver neste estado de consciência, que é o mais sofisticado de todos que foram expostos até aqui. Estamos presos e identificados com nossos pensamentos e emoções, que por sua vez obstruem a vivência da intuição linear, uma intuição contínua. O máximo que conseguimos vivenciar são lapsos de intuição que aparecem e fogem durante nosso dia-a-dia.

- Plano monádico: aqui habita nosso verdadeiro EU, aquilo que realmente somos está contido neste plano, que na verdade é também o gerador de consciência para todos os demais.

Pelas leis naturais, os planos mais densos vão sempre obstruir os mais sutis. As estrelas permanecem no céu o tempo todo, mas a luz do sol, mais densa, nos impede de vê-las durante o dia. Para entender isso no aspecto humano, vejamos alguns exemplos.

O casal se conhece na festa com muita agitação e movimentos de dança (físico), no entanto, eles querem se conhecer melhor, trocar carícias e afetos (emocional), para isso precisam parar o plano mais denso, que neste caso é o físico, para vivenciar o emocional mais sutil.

O plano das emoções por sua vez é mais denso e por isso eclipsa ou dificulta o funcionamento do mental. Ninguém pode tomar uma decisão importante quando está emocionado. Você deve ter ouvido a expressão, “não tome decisão de cabeça quente”.

O mundo intelectual também eclipsa as intuições que são mais sofisticadas que as análises mentais e esse é o motivo principal pelo qual não conseguimos manter uma continuidade em nossas intuições que acabam por aparecer apenas como flashes raros. Nós fomos treinados desde a infância para pensar, analisar, julgar. Isso impede que uma manifestação mais desenvolvida de nossa consciência que é o plano da intuição apareça.

Por fim, por conta de todas essas camadas que fazem parte do universo, ficamos impedidos de conhecer aquilo que realmente somos, nosso verdadeiro EU, que habita o plano monádico. Este fica eclipsado por todas as outras manifestações do cosmos. Pela baixa consciência que possuímos de tudo isso, passamos a nos identificar com nosso corpo, sentimentos, pensamentos, intuições, mas jamais com aquilo que realmente somos. Não conhecemos verdadeiramente a chispa de vida que possuímos e que habita o plano mais sutil e sofisticado do universo que é o monádico.

Voltando ao plano das idéias, uma delas quando surge não é por conta de associações mentais ou conclusões. Idéias que revolucionam e que realmente farão a diferença brotam como lampejos desta manifestação mais que perfeita que é o nosso SELF. Chega-nos através de um lampejo de intuição. Quando não são rejeitadas pelo mental, com pensamentos comoisso é bobagemouisso não é possível, se fosse alguém teria pensado e feito”, são entendidas pelo intelecto. Depois um envolvimento emocional participa do processo, e por fim, se coloca energia e ação até que a idéia se concretize no plano da matéria.

Vejamos um exemplo em um grande movimento que foi a criação do sistema filosófico - político-econômico do marxismo, que influencia hoje a vida de bilhões de pessoas. Aqui não está sendo julgado o quanto esse movimento agrega valor ou prejudica a vida das pessoas, o que impressiona é a dimensão que a idéia de uma pessoa tomou.

Quando Karl Marx desenvolveu sua tese, era um inexpressivo escritor, que assim como seus contemporâneos Balzac e Dostoievski, vivia da venda de artigos para jornais e às vezes passava fome. Marx havia sido expulso de sua terra natal, a Alemanha, por defender idéias contrárias às que imperavam na época. Chegou à União Soviética como um humilde jornalista e passou a observar profundamente o êxodo rural e a industrialização, e a tentar prever quais seriam as conseqüências disso no longo prazo. Não havia estudo ou pesquisa nas quais ele pudesse confiar, a industrialização era algo recente e ninguém sabia onde isso iria parar.

Embora boa parte das suas previsões não tenha se concretizado, suas idéias tomaram corpo e motivaram revoluções em vários países. Ele teve um lampejo (monádico - intuicional) e criou sua obra-prima, O Capital, que é lida e estudada até os dias de hoje. Este filósofo morreu praticamente como um desconhecido, no entanto, hoje é impossível falar de economia mundial ou história sem citar seu nome. Ele deixou idéias que foram lidas e entendidas (mental) anos depois de sua morte por intelectuais como Trotski e outros que começaram a difundir esses conceitos entre a população. Começou-se um envolvimento (emocional) cada vez maior dos operários com essa nova forma de pensar, até que não houve mais como conter esse movimento e a conseqüência foi a Revolução Russa (físico denso e energético) na qual, os Bolcheviques tomaram o poder em 1917.

Esse processo de insight - entendimento intelectualpaixãoação – concretização, pode ser todo executado por uma mesma pessoa como é o caso da criação do avião por Santos Dumont. Este nio brasileiro participou de todas as etapas da sua invenção, desde a idéo por Santos Dumont que participou desde a idual-paixia inicial, passando pela elaboração do projeto, até sua concretização. Neste caso, o que chama a atenção é que ele não apenas inventou um objeto, mas mudou a natureza humana que a partir daquele momento passou a dividir os ares com todas as aves.

Como simples mortais que não ambicionam tanto como Marx ou Dumont, mas que desejam realizar melhorias para o mundo, devemos antes de qualquer coisa estar atentos a lampejos de lucidez que nosso interior insiste em enviar e não fazer a burrice de barrar isso com bloqueios intelectuais do tipo que foram expostos no texto. Se você sentir que a idéia despertada realmente se encaixa com sua vocação, valores e princípios saiba que vale a pena lutar por ela. Depois disso vem a parte do envolvimento e da paixão, começando por entender melhor a idéia no plano racional e a namorá-la no plano das emoções. Dificuldades farão parte da jornada, mas quando amamos de verdade nada nos separa. Naturalmente virá a vontade e a energia para agir, insistentemente a até que o objetivo se concretize.

O autoconhecimento vai permear todo o processo, desde uma ligação mais estreita com os planos mais sutis, monádico e intuicional, passando pelo mental, no qual a capacidade de foco e concentração será imprescindível para o profundo entendimento do assunto. A capacidade de se conhecer também será útil para sabermos o que realmente toca nossos corações e nos emociona, quando isso acontece podemos nos encantar e envolver intensamente. Daí vem a ação e a auto-superação até ver tudo o que se quer se concretizar, transferindo a realidade subjetiva para o mundo concreto.


Embora queiram nos convencer que não somos capazes de desenvolver nosso país a ponto de nos tornarmos uma nação admirada, os fatos históricos mostram o contrário.

Uma grande prova que nossos conterrâneos são propensos ao sucesso são as admiráveis vitórias que conquistamos nos esportes (principalmente no futebol, a atividade desportiva mais competitiva do mundo), na música e em diversas áreas. O destaque brasileiro não é maior em outras atividades porque o ser humano tem êxito naquilo que possui condições e recebe treinamento para se desenvolver. É impossível sermos líderes na geração de conhecimento científico, por exemplo, se nossas crianças mal têm acesso à alfabetização. No entanto, no momento em que a educação funcionar em nosso país, aparecerão gênios e descobertas revolucionárias em todos os cantos desta nação e, como no futebol, também seremos os maiores campeões do mundo.

Nós nascemos para vencer

  1. Por volta de 1570, a safra da cana-de-açúcar brasileira valia mais que a produção exportável de qualquer país europeu.
  2. Até 1800, nosso PIB era maior que o dos Estados Unidos sendo que 90% dessa riqueza era mercado interno, ao contrário do que sempre aprendemos, que produzíamos apenas para os outros e que não tínhamos grandes quantidades de dinheiro gastos com o consumo nacional.
  3. Dos nossos 500 anos de história, em 430 crescemos mais ou o mesmo que a média mundial. Sempre houve no Brasil oportunidades de enriquecimento e desenvolvimento pessoal, mas isto foi continuamente restrito a um grupo de poucos privilegiados, que jamais se importaram em construir uma nação próspera para todos. Ao invés disso, eles acumularam bens para seu próprio desfrute.

Com esse potencial todo para a geração de riquezas, por que não nos tornamos uma potência?

Para compreender a atual estagnação de nosso desenvolvimento é importante analisarmos a estreita ligação que existe entre o crescimento de um país e o desenvolvimento das pessoas que nele habitam. Uma nação se torna próspera quando possuir uma grande quantidade de indivíduos capacitados para gerar riquezas. Caso isso não aconteça, o país cresce até o ponto em que as pessoas que têm condições econômicas se desenvolvam, e assim que isso acontece, ele desacelera a sua expansão. Vejamos alguns exemplos históricos que ilustram melhor esta afirmação.

Portugal e Espanha sustentaram seu crescimento com a escravidão. Isto funcionou até o ponto em que sua força de trabalho chegou ao limite do desenvolvimento. Como o escravo não tem acesso à educação, ele não consegue melhorar profissionalmente, muito menos se realizar como pessoa. O seu trabalho é condicionado pelo castigo e limitado pela fadiga gerada pelo desgastante labor. A Inglaterra, que foi a terceira nação a estruturar-se, enveredou por outro caminho. A fim de gerar consumidores para seus produtos, acabou com a escravidão e possibilitou que mais ingleses se desenvolvessem, ultrapassando economicamente os países da Península Ibérica.

A comparação entre o PIB brasileiro e o estadunidense mostra claramente a importância de se despertar o pleno potencial das pessoas para o aumento da riqueza do país. Como mencionamos, nossa geração de abundância era maior que a deles até meados do Séc. XIX, o século das luzes, no qual surgiu o capitalismo. Esse sistema político-econômico possibilita um desenvolvimento maior das pessoas e apresenta uma meritocracia mais justa do que o colonial. O Brasil demorou a aceitar e se encaixar neste sistema e foi justamente neste período que fomos deixados para trás.

Em 1865, a guerra civil norte-americana na qual, batalham os conservadores do sul (lutando pela manutenção da escravidão) contra os liberais do norte (a favor de uma liberdade maior para toda a população), que para o bem do desenvolvimento, ganharam a guerra. A história mostrou que dar instrução às pessoas para que elas sonhem e tenham perspectivas de prosperidade faz com que todos saiam ganhando e a liderança atual dos Estados Unidos confirma isto.

No Brasil, aconteceu no mesmo período, um movimento muito similar ao do nosso, até então concorrente direto, os Estados Unidos. Ele não foi tão abrangente, pois aqui não tínhamos tantas pessoas com vontade de dar condições iguais a todos. No nosso país, infelizmente, a vitória acabou sendo do conservadorismo, através de muita repressão militar, patrocinada pelos traficantes de escravos (o métier mais rico da época) e apoiada pelo governo, sob milhares de cadáveres de pessoas sedentas por liberdade. Preservou-se a política da riqueza para poucos em detrimento do sacrifício de muitos. A conseqüência foi que acabamos batendo no teto do nosso desenvolvimento e patinando no crescimento do PIB até o final do século XIX.

A abolição da nossa escravatura aconteceu mais de 20 anos depois da estadunidense, em 1888. No entanto, a atitude comportamental daquele que escravizava não mudou muito desde então, temos um histórico bem claro dessa maneira elitista de agir.

Após o ‘’descobrimento’’ do Brasil em 1500, intrometeu-se em nossa terra, um povo que escravizava nossos índios visando apenas a sua prosperidade. Assim que o Pau-Brasil acabou em 1530, esta elite extrativista se apropria de grandes latifúndios para plantação de cana, que enriqueciam os poucos senhores-de-engenho, detentores da terra, e os seus fornecedores, traficantes de escravos, em detrimento de milhões de negros e índios.

Por volta de 1650, Portugal perde a hegemonia do comércio de açúcar para a Holanda, que produzia muito mais com menos custo nas Antilhas, e os privilegiados começam, em 1700, a ir atrás da riqueza fácil com a extração do ouro das Minas Gerais. Com o esgotamento do mesmo, voltam seus olhares para a Amazônia. Nessa correria extrativista, que durou até 1912, traziam nordestinos para trabalhar na retirada de borracha dos seringais, principal produto do país na balança de exportação da época, com 40% de participação.

Os trabalhadores chegavam empregados com uma dívida que não seria vencida até o fim de suas vidas. Eles tinham que pagar a viagem do Nordeste, a comida e o material que usavam para o trabalho. Caso fugissem, eram proibidos de trabalhar em qualquer outra fazenda e passavam por muitas dificuldades para sobreviver na mata. A escravidão, com outro nome, se mantinha nesta região e em muitas outras do Brasil após a abolição.

Para o Brasil se tornar uma potência, seu povo precisa de oportunidades para se desenvolver, necessitamos mais do que a escolaridade básica. Sendo otimista, acredito que 90% dos brasileiros nunca entraram em um museu para contemplar uma obra de arte, não tiveram a oportunidade de ouvir maravilhosas melodias tocadas ao vivo por uma orquestra sinfônica ou jamais leram um livro. Se formos aos níveis ainda mais profundos de desenvolvimento pessoal e observarmos a porcentagem que se preocupa com a excelência na alimentação ou com a qualidade de suas emoções e pensamentos, esse número cresce ainda mais. Comparando com a população americana, esse número de aculturados deve ficar em torno de 5%, o que explica em boa parte porque eles possuem um PIB 16 vezes maior que o nosso.

Os Estados Unidos investem 27 vezes mais em educação que o Brasil e mesmo se os dois países tivessem o mesmo PIB, eles ainda investiriam quase duas vezes mais que nós. Depois, não entendemos porque praticamente exportamos commodities e pouquíssimos produtos manufaturados com valor agregado. Não é por falta de talento ou inteligência do nosso povo que isso acontece, e sim por poucas oportunidades de desenvolvimento pessoal, fraca educação e baixas perspectivas.

Para que a pessoa tenha êxito profissional necessariamente precisará desenvolver suas potencialidades. O resultado financeiro está totalmente ligado a esse tipo de desenvolvimento. O sucesso depende de um aumento na nossa exigência em tudo o que fazemos, e isso exige conhecimento. Precisamos aprender a gerir pessoas e disso depende um bom desenvolvimento psíquico de cada um de nós também. Enfim, o ser humano precisa crescer internamente para realizar mais externamente.

Quando um rico preconceituoso olha para a camada mais pobre da população (se ainda houver um pouco de compaixão), pensa que deve ajudá-lo para não gerar mais violência nas suas proximidades. Esta visão míope impede de enxergarmos a parcela menos favorecida do país como um grande gerador de riquezas. Estas pessoas têm a mesma capacidade que os favorecidos, para criar empresas prósperas ou concorrer a cargos importantes. Basta que tenham treinamento e possibilidades para isto.

Para concluir, desejo sinceramente que você aprecie o povo brasileiro com mais orgulho. Prestigie essa nação que sempre lutou para vencer e que tem total condição para tal façanha. Um povo que se reconhece como único e que se receber ferramentas para a instrução mostrará todo o talento que possui.

No entanto, se você ainda deseja pensar com individualidade, saiba que subiremos posições no ranking mundial das nações mais prósperas do mundo se desenvolvermos essas pessoas que estão sedentas para crescer. Afinal, toda grande empresa, precisa de mão-de-obra qualificada e consumidores com poder aquisitivo para adquirirem seus produtos. Portanto, temos uma opção, pensar e agir por nós mesmos, o povo brasileiro.

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