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Situações difíceis acontecem na vida de todos nós. O que diferencia o sábio do medíocre é que o sábio sempre vê na adversidade um aprendizado e uma oportunidade de crescimento. Ele aprende com a situação e sai dela melhor que entrou. O medíocre vê apenas uma ocorrência difícil.

Quando nos deparamos com estas circunstâncias a primeira reação é sempre reclamar e achar que coisas desse tipo só acontecem conosco. Dificilmente alguém vê na crise uma oportunidade. A decisão de se vamos crescer nesse panorama ou nos deprimir com ele é apenas nossa. Somente você pode escolher como será a sua reação quando os momentos difíceis acontecem.

O emocional é uma área muito forte dentro de nós. Apesar do ser humano se achar sapiens e pensar que é um homo intelectus, nós agimos muito mais pelas nossas emoções do que pela razão. Vejamos o exemplo de um esporte como o tênis. Todos sabem que esse jogo faz mal à coluna, que é repleto de impacto, que prejudica articulações pelo movimento repetitivo sempre feito para o mesmo lado. Não obstante, as pessoas gostam do esporte e continuam praticando-o. Isso mostra que mesmo entendendo algo, atuamos sempre segundo nossas vontades emocionais. Quando as crises ocorrem, sejam elas conjugais, profissionais ou pessoais, a parte mais afetada é o nosso campo emocional. Como ele tem grande interferência sobre o nosso poder de escolhas, podemos aproveitar esses momentos para nos modificar intensamente. Os momentos difíceis podem produzir, se bem aproveitados, os melhores hábitos de nossas vidas.

A flor de lótus é muito reverenciada na Índia e por lá é considerada sagrada. Um dos motivos é que ela vive em todos os elementos da natureza. Suas raízes são presas na lama (terra), seu caule se encontra sempre na água, sua flor desabrocha no ar e é alimentada pelo calor do sol (fogo). No entanto, sua característica mais impressionante é que esse vegetal extrai do lodo mal cheiroso da lama os nutrientes que passarão por grandes transformações, até se sublimarem em perfume para a aromatizada flor.

Aprendamos mais com as lições da natureza, que seremos mais completos, conseguindo transformar obstáculos que pareciam intransponíveis em trampolins para novas conquistas.

A única propriedade constante da vida é a mudança e quando ela para, a vida perde sua intensidade. O fluxo contínuo que gera a existência faz com que ela seja uma eterna transformação.

Acompanhando essa qualidade inerente ao ser humano, muito se pesquisou sobre mudanças dentro de grandes corporações. As opiniões como sempre são as mais variadas e discrepantes. Cabe aqui uma observação sobre o cerne de toda e qualquer modificação.
Para sabermos como atuar com mais eficácia nesse assunto, precisamos entender profundamente qual é a energia motriz daquilo que queremos melhorar.

Uma empresa tem como principal força motriz o seu capital monetário e humano, portanto uma grande modificação dentro de uma organização vai depender diretamente do poder que esses dois recursos tiverem dentro do processo. Uma empresa com muito dinheiro poderá fazer grandes alterações até mesmo em seu core bussines, alocando capital financeiro para isso. Outra empresa que não tenha esse recurso abastado, mas que tenha coesão em suas equipes, poderá obter o mesmo sucesso sem despender tanto dinheiro. O foco para uma mudança eficaz deve ser aquilo que movimenta o que queremos modificar.

Uma equipe é formada pela união de dois ou mais membros em prol de um único objetivo, portanto a força motriz das equipes é sua capacidade de agir de forma conjunta. A velocidade de mudança de uma equipe depende diretamente do comprometimento que todos têm com o propósito, de tal forma que consigam pensar mais no coletivo do que no interesse particular.

O artista tem na criatividade a principal manifestação expressada. A capacidade de passar de uma arte para outra, por exemplo, da escultura para a pintura, dependerá diretamente da sua quantidade de inventividade. Para que isso aconteça é imprescindível que ele se mantenha inspirado e com a sua criatividade em alta, afinal a criatividade é o que move a sua manifestação.

O ser humano tem como principal energia a sua vitalidade. Toda e qualquer modificação que esse quiser processar dependerá diretamente do bom funcionamento do seu corpo, emoções e mente. Para alterarmos velhos condicionamentos precisamos de muita força de vontade e esta vem com um superávit energético que somente um indivíduo saudável consegue alcançar. Uma pessoa com pouca energia ou com um alto desgaste devido ao stress não conseguirá substituir velhos hábitos por novos, mais inteligentes e saudáveis. Caso esse indivíduo queira se aprimorar, deve primeiro aumentar a sua quantidade de energia biológica, que é a força que o mantém vivo, para depois melhorar-se.

Dependemos da mudança para nos aprimorarmos, poderíamos mesmo dizer que dependemos dela para viver. Se quisermos otimizar nossa capacidade de melhorar constantemente, precisamos conhecer profundamente o que vamos modificar e depois atuar com eficácia no ponto exato que causará transformações mais rápidas e perenes.

A última observação em relação à mudança fica por conta de nossa ilustríssima escritora Lya Luft que em sua belíssima poesia professa: ``...Mude sempre mas lembre-se que a direção é mais importante que a velocidade.


Que felicidade falar da mais nobre das emoções. A mais perfeita sensação. A maior inspiração das grandes obras da humanidade.
Nossa relação de busca frenética pelo amor inicia-se no ventre materno e continuará a nos acompanhar muito por tempo depois da nossa morte, quando muitos ainda chorarão de amor por nós.

O ser humano possui essa inquietação dentro de si, essa ansiedade intrínseca por saber que pode ter mais plenitude em sua existência do que a vida que tem no momento presente. Tem consciência que pode amar mais e ser mais amado. Sabe que possui dentro de si mais capacidades do que as que consegue manifestar no estado atual de desenvolvimento. Temos certeza que sempre podemos e que somos mais, agimos para nos aproximarmos mais dessa maneira mais completa de ser. Desistir desse aprimoramento é desistir da vida, a busca por um amor maior faz parte desse processo.

O amor realmente faz com que nos movemos, produz transformação e obriga a nos tornarmos melhor e a realizar mais. Às vezes esse afeto não existe, mas batalhamos com toda nossa força para que ele se concretize no futuro. O sábio não desperdiça os efeitos benéficos dessa nobre sensação.

Podemos ver as mais variadas obras de arte construídas como expressão do amor e sabemos que muito se fez e se faz no mundo para a conquista dele. Esse sentimento surge em nossas vidas como um detonador de ambições profundas e quando bem aproveitado produzirá grandes construções.

Em um nível bem desenvolvido chegamos ao amor ou incondicional, que o hinduismo chama de prêman. Essa manifestação da mais elevada emoção humana transcende até mesmo o julgamento. Prêman é um amor maior do que podemos conceber dentro de nós, um amor por tudo e por todos, um amor que esta acima de raça, cor, credo ou espécie. Um amor que por ser tão grande é invariavelmente compartilhado. Ele está sobre o que é certo ou errado.
Quando esse nível de sensação é alcançado temos uma expansão da nossa consciência. Passamos a amar acima de tudo, transcendendo a mais difícil barreira da nossa evolução, a capacidade de julgar. É ela que faz com que gostemos apenas daquilo que nos ensinaram que é bonito e simpatizemos apenas com aqueles que pensam como nós. O julgamento nos prende no mundo da ilusão fazendo com que o vejamos de maneira parcial e superficial. Quando vemos acima do que é certo e do que é errado conseguimos perceber o mundo sobre outro prisma e ver que lá do alto não há dualidade. São apenas pontos de vista. Podemos com isso ser mais felizes, por amarmos mais a tudo e a todos.

O melhor disso tudo é que podemos começar a treinar o acesso a esse estado de superlativa paixão com as coisas mais simples do nosso dia-a-dia. Começando a amar mais a natureza que está à nossa volta, as pessoas com quem convivemos e esse maravilhoso presente que recebemos que é a nossa vida. O treinamento começa com as coisas mais simples e se amplifica até amarmos mais tudo a nosso redor.

Faça bom proveito dessa nobre sensação e ame muito, cada vez mais e sem medo, pois no final o que fica são as coisas boas...

A melhor descrição de felicidade para mim é a de um estado de tamanha satisfação que você não tem a necessidade de mais nada, deseja apenas que aquele momento se prolongue ao máximo. Quando isso acontece conseguimos vivenciar absolutamente o momento presente, não tendo expectativas e nem receios. Simplesmente nos deixamos preencher por aqueles instantes e uma alegria plena toma conta de nós.

Por incrível que pareça, essa felicidade aparece em muitos momentos todos os dias, entretanto nós, seres humanos, com nossa incrível capacidade de nunca nos sentirmos satisfeitos, não percebemos esse estado e o perdemos com pensamentos que projetam nossa satisfação para o futuro ou para o passado. Sentenças como `` esse momento está tão bom mas se... seria muito melhor `` ou ``naquela época quando ...`` vagueiam por nossas mentes fazendo com que percamos momentos muito gostosos de se viver.

Se nos dois casos acima tivéssemos preenchido a expectativa daquele que levou a satisfação para o futuro ou, se conseguíssemos nos transportar para o passado e vivenciar o momento que ele achava que era feliz, com certeza outra necessidade surgiria para atrapalhar a constatação da felicidade.

Como diz o filósofo contemporâneo Ricardo Mallet: `` Ser feliz é fácil, difícil é perceber isso.`` Pois é justamente para essa percepção dos momentos agradáveis que vivenciamos todos os dias, que devemos estar atentos, para não perde-los com o vício da transferência do contentamento.
Outro grande filósofo indiano, Pátañjali que viveu por volta do séc. III a. C. diz que se compreendermos a mensagem do desapego entenderemos o sentido da vida. O desapego ao qual ele se refere não é abrir mão de todos os bens materiais e ir viver na montanha. Esses bens não devem ser desprezados, devemos inclusive desejar tudo aquilo que possa nos trazer mais bem-estar. No entanto o que não pode acontecer, e esse é o grande ensinamento de Pátañjali, é projetarmos nossa felicidade para algo que esta fora de nós mesmos. Se o sentido da vida é ser feliz, a melhor maneira de cumpri-lo é chegar a isso sem depender de outras pessoas ou de objetos.

Quando conseguirmos vivenciar este estado de desapego, vamos continuar valorizando o que temos, mas sem deixar isso interferir em nosso bem-estar. Pensar com desapego é construir esse tipo de pensamento: `` Eu adoro meu carro, vou zelar por ele, mas caso o perca isso não vai interferir na minha felicidade, pois esse estado é algo que me pertence e nada pode tirá-lo de mim.´´

Apesar de não podermos nos deixar influenciar por fatores externos, a valorização do que temos é parte do processo para nos mantermos mais tempo no estado de contentamento. A gratidão pelas pessoas que nos rodeiam e por tudo aquilo que temos faz com que consigamos transportar nossa vivência para o momento presente, enchendo de sentido o que possuímos. Domenico de Masi em seu mais famoso livro O ócio criativo diz: `` As poucas coisas que o filósofo tem lhe bastam, já que ele sabe enriquecê-las de significado.´´ A felicidade só pode ser vivenciada no momento presente. A meditação é um treinamento deste estado, pois nos ensina a nos transportar para o aqui e o agora com todas as nossas forças. Seja você praticante desta técnica ou não, treinemos mais a vivência da seguinte sentença em nosso dia-a-dia: `` Eu não gostaria de estar em outro lugar ou momento que não fosse este´´, e passemos a valorizar mais aquilo que temos não deixando que a felicidade nos escape entre os dedos, ou melhor, entre os pensamentos.

Quando somos crianças a presença de heróis é uma constante em nossas vidas. Nesta fase, nossa imaginação é muito fértil e nos permitimos ser quem queremos. O herói nada mais é que uma representação da grandiosidade do potencial humano. No fundo sabemos que podemos ser muito mais do que aquilo que estamos manifestando no momento.

Nosso inconsciente sabendo que possuímos potencialidades latentes, que quando não trabalhadas se atrofiam mantém viva a imagem do herói dentro de nós. Ele envia mensagens de admiração por aqueles que realizaram grandes feitos, querendo nos dizer que também podemos fazer tudo isso, basta que lutemos.

Assim como a criança admira a personagem do cinema que salva a vida de pessoas, o adulto aprecia aqueles que realizaram grandes feitos em alguma área que ele julga importante. Na verdade, o herói vivente é alguém como nós, mas que jamais aceitou a imposição da sociedade que certas coisas não são possíveis. Ele manteve acesa a identificação com aqueles seres "paranormais" que ele tanto gostava quando era jovem e gerou em si a força necessária para a realização de grandes feitos. Aquelas pessoas que aceitam este tipo de imposição, acabam por perder força, voltam à faixa da mediocridade e passam a ser normais como as outras milhões que têm ao lado.

Para Joseph Campbel - um dos maiores estudiosos de mitos e lendas da história - existe dois tipos de mitos: aqueles que realizam proezas físicas, como salvar a vida de uma pessoa, fazer uma grande travessia, etc. E aqueles que atingem um estado superior de consciência e depois se determinam a ensinar outras pessoas uma mensagem. Temos como exemplos do primeiro grupo: Pelé, Lance Armstrong, Paul Tergat e outros grandes atletas. Já no segundo: Zaratustra, de Nietzsche, Jesus, Buda, Maomé, Gandhi, Madre Tereza de Calcutá e outros. Para Campbel seja em um caso como no outro o Herói nos fascina por ter sempre uma atitude de auto-superação e sacrifício. Porém a mensagem mais importante que estes ícones nos passam é que podemos viver uma realidade mais plena do que a que estamos vivendo.

Os iconoclatas, destruidores de mitos, têm seu aspecto positivo dentro da cultura do mito, pois eles nos mostram que também somos capazes de tais proezas. Entretanto, dependendo da forma que tentarem passar sua mensagem poderão enraizar ainda mais as pessoas em sua vida monótona e normal, impedindo que atinjam seus maiores sonhos, pois estarão desencorajando atitudes grandiosas.

O antigo sistema filosófico do Hinduismo possui uma tradição chamada pújá, na qual os adoradores de mitos buscam através do agradecimento a aproximação com os aspectos sutis e perfeitos dos arquétipos. Se esta tradição fosse trazida para os esportes, as artes, a música e o nosso trabalho, com certeza melhoraria nosso desempenho pois despertaria dentro de nós aquilo que nossos heróis viventes já tem desenvolvido. Imagine o quanto um violinista melhoraria sua apresentação se minutos antes dela fizesse um exercício no qual ele busca a máxima identificação com seu ídolo deste instrumento, admirando-o, agradecendo-o e despertando dentro de si algo que o ídolo já tem bem desenvolvido. Sem perder sua individualidade ele faria uma apresentação deslumbrante.

Os heróis estão por aí, às vezes mais próximos do que imaginamos. Não tomemos uma atitude preconceituosa de não admirar as pessoas mais próximas, não vamos perder nada com isso. Façamos daqueles que já conquistaram objetivos que desejamos fonte de inspiração para despertar as mesmas potencialidades dentro de nós.

A era do compartilhamento

Estamos passando por uma fase que por ser tão recente ainda não se definiu seu nome. Alguns a chamam de era pós-industrial, outros de pós-capitalista e há quem prefira era da informação. Analisemos uma outra possibilidade de nome que condiz totalmente com os acontecimentos atuais. Era do compartilhamento.

A informação sempre foi o grande diferencial de poder entre os seres humanos, aqueles que detinham a ciência do fogo na época das cavernas acabavam por dominar os que não tinham. O mesmo aconteceu depois com o conhecimento bélico e com a religião que retinha dados para não perder poder. Essa sempre foi a atitude de quem detinha informação reserva-a para poder usá-la como arma contra seus rivais. Com a informação concentrada nas mãos de poucos, havia também uma restrição de dinheiro e poder. Uma enorme parte da população acabava por se condicionar às decisões que vinham dos detentores da informação. No entanto, dizer que o mundo está mais oligárquico do que nunca é tapar os olhos para um movimento de compartilhamento que vem crescendo desde o fim da era medieval.

Exemplificando essa movimentação de distribuição do poder em um momento bem recente observamos o que diz Peter Drucker em seu livro Administração, Tarefas, Responsabilidades e Práticas `` Nos Estados Unidos da década de 1990 , nenhum homem de negócios se compara em poder ou visão aos magnatas de 1900, tais como J.P. Morgan, John D. Rockefeller ou Henry Ford (um pouco mais tarde). Muito pouca gente hoje em dia sabe sequer o nome dos presidentes e principais diretores das maiores empresas norte-americanas; no entanto, os nomes daqueles antigos magnatas eram conhecido de todos. Nem mesmo as maiores empresas de hoje em dia podem comparar-se em poder político e nem mesmo em poder econômico com aqueles magnatas, que podiam colocar o próprio governo americano em xeque. ``

Com a difusão da internet a partir do ano 2000 esse movimento de compartilhamento das informações e consequentemente do poder se estendeu não somente a todas as empresas mas também aos indivíduos. As pessoas ganharam mais autonomia e poder em suas vidas.
Jack Welch se tornou o executivo do século principalmente por criar um programa que ele chamou Workout, no qual as pessoas se retiravam da empresa para um campus longe da G.E. e durante um final de semana todos os funcionários da empresa podiam dar sugestão sobre os processos existentes. Ele simplesmente compartilhou poder com seus colaboradores e tornou sua companhia imbatível.

Sites de busca ou enciclopédias virtuais fazem com que todos possam achar qualquer informação que desejam em muito pouco tempo. O que programas como o E-Mule fez foi uma grande ``vaquinha´´ de quase todas as músicas e filmes do mundo e hoje todos tem como acessa-las facilmente, pois cada um disponibilizou o que tinha e o que aconteceu foi que todos tem mais. Hoje a informação retida não é mais a mais valiosa, o que vale nos nossos dias é a informação compartilhada.

O ser humano vivência normalmente três níveis de consciência: física, emocional e mental. Quando se desenvolve internamente consegue atingir através da meditação um plano mais evoluído, que é chamado de intuição linear. Uma das percepções desse estado é descrita, por aqueles que a presenciaram, como uma visão de que tudo que existe é a mesma coisa em diferentes tônicas vibratórias. `` Tudo o que está aqui está em toda parte o que não está aqui não esta em parte alguma`` diz uma importante escritura hindu.

Isso mostra que apesar de poucas pessoas conseguirem atingir esse estado de consciência nossas atitudes atuais como a de agir pela coletividade e partilhar informações estão ampliando nossa lucidez. O mundo esta evoluindo de um patamar onde a divisão era acentuada para uma visão mais expandida de que na essência tudo é igual, portanto compartilhando o que se possui você não esta ajudando apenas o outro, mas a si mesmo.

O ser humano com mais conhecimento ganha mais liberdade, pois pode tomar decisões mais alinhadas com seus valores pessoais. Ele não precisa mais por falta de alternativas acatar deliberações já feitas. Ele pode ir lá e fazer melhor. Podemos prever que mais pessoas possam realizar seus sonhos de vida agindo dessa maneira e que se a maior parte das pessoas realizadoras pensarem em compartilhar, o mundo certamente será um lugar maravilhoso de se viver e de repartir experiências.

A civilização que criou essa fantástica filosofia de vida que é o yôga, tinha uma visão mais realista do verdadeiro papel da mulher. Esse povo olhava-a como a própria divindade encarnada, pois somente ela era capaz de gerar a sua imagem e semelhança. A mulher gerava a vida, então os antigos indianos a cultuavam como uma deusa. Com as mulheres no poder o mundo era mais humano, mais sensível e certamente por serem mais livre todos eram mais felizes.

Infelizmente os povos guerreiros tentaram acabar com essa forma de ver o mundo, mas vocês nunca perderam Sua Majestade. Por mais que os homens queiram se colocar em posições privilegiadas dentro da sociedade todos sabemos que o poder esta com vocês e que para o nosso contentamento vocês estão voltando a conquistá-lo.

Nós estamos felizes por ver o mundo cada vez mais próximo da maravilha vivenciada pelos antigos povos matriarcais. Somos gratos a você mulher, por trazer aos nossos dias, sensibilidade, atenção genuína às pessoas e mais alegria.

Parabéns pelo sua reconquista e pelo seu bem-vindo retorno ao topo.

Quando Voltaire escreveu seu livro de maior sucesso: Cândido, ele o fez em protesto às filosofias otimistas que vinham sendo difundidas por Pensadores alemães. O Livro de Voltaire é altamente refratário à forma de raciocinar vigente na época, na qual eles achavam que um Deus infinitamente bom, que logicamente era de se esperar a criação de um mundo amável e feliz, escolheu o melhor dos mundos possíveis e as coisas ruins que aconteciam nele eram reflexos da imperfeição de todo o ser criado. Para os Pensadores desta época a priori tudo caminha para o melhor.

Para Voltaire os acontecimentos cotidianos mostravam um mundo totalmente diferente do que desejariam seus contemporâneos. Nesse livro ele apresenta um cenário no qual quase todas as situações que vivemos são desagradáveis. O célebre filósofo francês achava que não devemos ter uma visão positiva da vida. Cândido, a personagem principal de seu pequeno romance, era um rapaz muito puro e ingênuo, ele seguia todas as orientações de seu tutor o Dr. Pangloss, que por sua vez tendia ao pensamento otimista e acabava sempre se colocando em situações bem difíceis. Por acreditar que esse é o melhor dos mundos e que no final tudo iria dar certo, Cândido assumia uma postura extremamente passiva em relação a sua vida e acabava pagando por isso.

Se nosso ingênuo aprendiz tivesse um mestre que seguisse a antiga filosofia naturalista da Índia chamada Sámkhya, provavelmente as coisas aconteceriam de forma diferente. Essa filosofia apesar de ter mais de 5000 anos é muito mais coerente com a forma atual de pensar e agir. Para os naturalistas hindus a existência não é boa nem ruim ela simplesmente É. Segundo esses sábio, a chispa de vida que possuímos em nossa essência não possui atributo algum. Essa interpretação pode soar um pouco estranha para nós, pois como nos mantemos constantemente julgando tudo a nossa volta é inconcebível algo que não possua adjetivos e que simplesmente seja. Porém, como esse plano de consciência está muito acima da mente humana tudo o que é dito sobre o que realmente somos reflete apenas nossas vontades ou medos e não a realidade. Devemos procurar, segundo essa visão, não interpretar os fatos como sendo bons ou ruins, positivos ou negativos, mas apreendermos com todas as situações buscando sempre o caminho da nossa consciência para sermos cada vez mais felizes. A atitude do não julgar faz com que consigamos ver o mundo sem as dualidades e nos aproximemos mais da sua veracidade. Todo o julgamento é parcial, ele parte sempre de um ponto de vista e acaba nos prendendo na superficialidade. O sábio tem ciência de que existe a minha estória a sua estória e a estória verdadeira. Ele age sem tomar partido de uma delas observando e escolhendo aquilo que lhe trará mais desenvolvimento pessoal e mais felicidade.

Jamais devemos tomar uma atitude passiva perante a vida, pois o ritmo de evolução da natureza é muito lento e se assim fizermos entramos em um canal de condicionamento exatamente igual ao dos animais. O ser humano deve trabalhar todos os dias para fugir do que a sociedade impõe a ele como sendo o melhor e descobrir o que sua consciência diz que é melhor. Ele deve lutar para simplesmente ser legitimamente.

Um Cândido com pensamento Sámkhya saberia desde o começo que dificuldades existem na vida e que a vida é a arte de vencê-las. Essas situações quando bem administradas geram mais conhecimento e aprendizado para que não repitamos os mesmos erros no futuro e não entremos nas mesmas situações. Ele não aceitaria as circunstâncias difíceis passivamente e lutaria para buscar mais conforto e felicidade e se seguisse sua consciência com certeza se realizaria como ser humano e construiria grandes obras para a humanidade.

Certamente podemos atribuir à comunicação um grande diferencial para o desenvolvimento de nossa espécie em relação às outras. A escrita, por exemplo, é algo que merece nossa atenção. É incrível essa capacidade que desenvolvemos que, por meio de códigos, que são esses caracteres que o leitor esta vendo agora você possa transmitir seus pensamentos. Isso proporcionou a nós, seres humanos, um diferencial de aprendizado que jamais poderá ser medido. Pense o quanto aprendemos a partir da leitura e o quanto nosso desenvolvimento ficaria estancado se precisássemos ter sempre a presença física de alguém para nos ensinar. A comunicação oral, que também existe em outros animais, se tornou muito sofisticada no homo sapiens e somou-se aos nossos atributos de diferenciação. Podemos perceber outro aspecto da interferência da comunicação em nosso desenvolvimento, observando os países que possuem mais troca de informações se desenvolvendo mais.

Vamos analisar os dois pontos mais importantes da comunicação para o desenvolvimento pessoal e a conquista de objetivos:

Expressar-se claramente
Expressar aquilo que realmente sente

Vamos analisar o primeiro ponto, expressar-se claramente:
Nesse aspecto, mais importante do que o que você diz é como o ouvinte vai perceber a sua mensagem.

Conseguir transmitir através das palavras aquilo que você deseja é uma arte e aqueles que a dominaram se tornaram grandes líderes. Para que possamos melhorar cada vez mais esta habilidade devemos notar alguns pontos que são subliminares a ela. Há uma ligação estreita entre auto-conhecimento - confiança - e missão de vida. À medida que vamos nos conhecendo mais, passamos a ter mais certeza de qual é o nosso papel nessa vida e com isso nos imbuímos de força e confiança para realizarmos aquilo que queremos.

A confiança é o primeiro ponto a ser trabalhado para que sejamos bem sucedidos na transmissão clara de nossos pensamentos. Quando você se conhece, você se diferencia e toma consciência que tem uma missão a cumprir. Dependerá da sua boa interlocução com as pessoas a realização deste propósito. Portanto não há truque, confiança se conquista com auto-conhecimento.
O mundo esta cada vez mais saturado de informações. Estamos vivendo em um momento em que não há mais tempo para que as idéias se perpetuem e sejam solidificadas. Quando uma idéia nova surge, em qualquer área, em pouco tempo ela já esta na internet e é compartilhada com todos os interessados, logo outra aparece para substituí-la. A quantidade de conhecimentos que temos absorvido poderá nos levar a uma barafunda mental que mais atrapalha que contribui para o sucesso. A solução esta na qualidade de informações captadas e também estará na qualidade de informações que serão transmitidas por você. Saber o que falar e principalmente a quantidade de informações que você irá passar é algo vital. Vejamos por exemplo uma admoestação que quando prolongada perde todo o efeito educador. Aquele que precisa aprender, por ouvir demais, cria uma repulsa que inibe o seu aprimoramento. A mesma informação se dada no tempo certo seria vista com bom grado e a mensagem seria facilmente captada. Devemos sempre nos preocupar com a qualidade e não deixar que ela seja prejudicada pela quantidade, seja no receber quanto no transmitir idéias.

Quando nascemos, um simples grunhido era capaz de nos trazer tudo o que necessitávamos, e assim continuou por muito mais tempo naqueles que não ocuparam posições de liderança na sociedade. A nossa cultura nos impõe decisões já pré-estabelecidas e essas tem que ser engolidas por nós. Como na famosa frase de Henry Ford ``as pessoas podem escolher qualquer cor para o seu carro, desde que seja preta. `` Essa perda no poder das escolhas inibe nossa capacidade de comunicação e faz com que não precisemos expressar nossas decisões, pois elas já foram feitas por outros. A conseqüência disso é que acabamos por não voltar à atenção para a nossa forma de expressar aquilo que queremos e acabamos engolindo as opções já estabelecidas. Começar a tomar decisões é fundamental para que você se preocupe em se expressar com mais qualidade.

Quando sabemos o que queremos, se torna condição sine qua non nos expressarmos bem para que conquistemos nossos objetivos. Quando temos que mostrar o que queremos, passa a ser obrigatório que passemos a observar mais a condição de nossa comunicação, apesar disto parecer óbvio, poucas pessoas observam-se interagindo com as outras. Vejamos por exemplo quantas pessoas que você conhece já se filmaram falando em público para depois melhorarem suas falhas? Isto é um exercício doloroso que deve ser enfrentado e repetido por todos, seja profissional de comunicação ou não. Todo o líder deve se esmerar em transmitir melhor suas intenções. A comunicação com clareza é característica de todo aquele que deseja realizar grandes obras.

Chegamos ao ultimo ponto que será tratado para que você se expresse claramente, o ouvir melhor. O bom comunicador consegue ouvir o que não é dito e sabe que a qualidade do seu discurso dependerá diretamente da quantidade de empatia que foi estabelecida com o público. O ouvir é uma capacidade pouco desenvolvida na espécie humana, apesar de termos duas orelhas e somente uma boca. Nós estamos acostumados a falar e projetar nosso ego para o mais alto patamar que seja possível, mas poucos desenvolveram esse incrível catalisador de aprendizado que é saber escutar. Consultores e psicólogos ganham fortunas apenas ouvindo com atenção genuína e encontrando junto com o cliente uma solução bem personalizada. Ouvir não é apenas escutar as palavras e sim conseguir se projetar para a realidade do transmissor. A tendência de todos é ouvir e automaticamente encaixar o que foi falado dentro de seus paradigmas. Dessa forma acabamos por não receber uma nova realidade, mas permanecemos com a nossa intacta e apenas reforçada pelo que o outro disse. Saber ouvir é entrar em tamanha identificação com a outra pessoa que se possa adquirir uma forma nova de pensar. Somente quando conseguimos estabelecer tamanha conexão no ouvir é que conseguiremos expressar de forma perfeita aquilo que queremos transmitir ao público receptor da nossa mensagem.

Vejamos o segundo e mais profundo ponto da comunicação que é transmitir aquilo que sentimos.
Antes de discorrer sobre esse assunto, vale a pena ressaltar um preceito moderador o fato de que não precisamos falar a todos tudo o que sentimos. Determinadas sensações são de fórum íntimo e somente você pode decidir se deseja compartilha-lhas. O que não pode acontecer é termos vontade de nos expressarmos e não sabermos como ou termos insucesso que acarretará em magoas de quem nos ouve.

Somos criados em uma cultura que impõe a todos valores e crenças comoditizando nossa sociedade. Depois ainda esperam de nós inovação. Boa parte daquilo que sentimos e pensamos não vem de nós mesmos, mas foi imposto por uma educação que nos condiciona. A sociedade como é constituída hoje é repressora e impede, principalmente no sexo masculino, a expressão daquilo que sentimos. A educação repressora começou há muito tempo atrás com os povos nômades, que eram guerreiros. Aquele que é treinado na arte bélica, não pode se dar ao luxo da sensibilidade, pois nenhum exercito poderá parar sua marcha só porque um de seus membros perdeu apenas um dedo. Portanto desde muito cedo os futuros conquistadores eram condicionados a não sentir dor, mas como a sensibilidade é um caminho único, à repressão a dor levou boa parte da sociedade a reduzir sua sensibilidade também para o prazer. Quando não podemos expressar aquilo que sentimos passamos a atrofiar nossas sensações e o ser humano obstrui-se de viver plenamente. Em princípio seria fácil nos desvencilharmos dessa repressão, pois o livre arbítrio apesar de estar bem escondido em muitos de nós ainda existe. Mas aí entra outra lacuna gigante que o ser humano possui e que só será preenchida com muita confiança. O medo da não aceitação. Esse receio é um dos mais temidos por nós. Maslow, famoso psicólogo (ver sua nacionalidade e época em que viveu) classificou a vontade de pertencer a algum grupo como uma das cinco maiores necessidades humanas. Quando nos tornamos mais conscientes dos nossos condicionamentos e mais conhecedores das nossas verdadeiras vontades podemos em muitos momentos estar ferindo o comportamento conhecido como normal. Se isso não for bem trabalhado poderá incomodar as pessoas que podem acabar se afastando daquele que é mais livre. A questão da liberdade de pensamento e sentimento deve ser trabalhada, mas lembre-se que a descrição é a grande chave para isso.

Cria-se nesta situação um grande paradoxo. Não expressamos tudo o que sentimos, pois temos medo de não sermos aceitos e nos tornarmos infelizes. Por outro lado, acabamos por limitar nossa felicidade por não expressarmos o que sentimos atrofiando nossas boas sensações.
Temos medo de nos expressar, mas ao mesmo tempo admiramos aqueles que são espontâneos e que manifestam o que todos têm medo de mostrar. Esse medo deve ser enfrentado aos poucos e cabe a cada um criar a sua forma a confiança necessária para se manifestar cada vez mais.
Outra trava muito grande, que a maior parte das pessoas possui, é que se expressar seu amor pelos outros acabara por senti-lo muito, sendo assim caso o sentimento não seja correspondido criará uma grande mágoa. A única coisa que podemos pensar é que a vida só vale a pena se for vivida plenamente. Uma frase de um grande pensador brasileiro que é o DeRose diz `` mais vale uma fecunda inimizade que uma amizade estéril `` (confirmar a frase) o mesmo vale para o amor ou qualquer outra forma de envolvimento. Se não for para ser pleno não vale a pena existir. A mágoa se for para aparecer acontecerá de qualquer forma e se for bem trabalhada poderá lhe ensinar muito e lhe tornar uma pessoa melhor. Vamos aprender a nos entregar mais nas relações sem medo de ser correspondido. Essa lição o sol nos dá todos os dias ao enviar toda esta luz e energia ao nosso planeta e a todo o sistema solar sem nada esperar em troca. Seja como o sol que ilumina sem expectativa de receber.

Para concluir alguns pontos devem ser repassados.Quando nos conhecemos mais acabamos por saber qual o propósito de nossa vida isso cria dentro de nós uma motivação perpétua. Preenchemos-nos de força para levar a diante essa missão e motivar outras pessoas a participarem dela. É imprescindível que nos comuniquemos bem, que transmitamos com clareza o que desejamos e que nos preocupemos em passar com mais qualidade e menos quantidade as informações. Para termos pessoas comprometidas ao nosso lado é fundamental que saibamos escuta-las para criarmos juntos um objetivo comum. Saber ouvir também melhorará nossa comunicação e empatia com o público. Saber expressar o que se sente nos tornará mais felizes e contribuirá para a realização de nosso propósito. Não temer a futura magoa ou a não aceitação é parte desse processo e com o livre arbítrio reforçado poderemos vencer nossos traumas e amar mais plenamente sem expectativas de receber em troca, amar por amar, pois, pelo amor é algo que vale a pena viver.

Falar de algum ponto da globalização pode ser algo banal no momento atual, mas apesar de parecer que já esgotamos esse assunto, como estamos em meio ao movimento, certamente nem todas as nuances desse fenômeno foram previstas. Parece que quanto mais cresce essa revolução, mais assuntos teremos para refletir. Vejamos alguns pontos sobre a comunicação nos dia de hoje.

Com o crescimento da aldeia global, passamos a travar contato com pessoas de culturas e valores diferentes. Cada vez mais as viagens se tornam uma constante na vida de milhares de pessoas e as relações estabelecidas via web também só crescem.

O fato é que as relações intercontinentais estão aumentando muito mais rápido do que o aprimoramento da nossa comunicação. Quando falamos em comunicação não nos referimos somente a capacidade de falar outra língua, mas a de nos fazer compreender e realmente expressarmos aquilo que sentimos. Esse ponto ainda não foi bem resolvido nem nos nossos círculos mais próximos como família, cônjuges e amigos. O que acontecerá quando isso se reforçar em outros lugares do planeta? Uma vez que o mais importante da comunicação não é o que se diz mas o que o outro ouve.

Devemos estar atentos pois, tendemos a julgar tudo a partir de nossas experiências de vida e não sabemos como fazer isso com pessoas de hábitos e costumes tão diferentes dos nossos.
O que pode acontecer, por medo desses conflitos, é tornarmos nossas relações altamente superficiais. Isso seria um regresso ao ponto histórico no qual tínhamos tão poucas expressões em nosso vocabulário que somente os anseios mais primitivos eram manifestados pela fala. Foi a magia da comunicação que tornou nosso mundo mais alegre, mais dinâmico e mais profundo. Foi também o diálogo que nos diferenciou dos outros animais e que diferencia nações mais desenvolvidas de outras prejudicadas pela falta de informação.

O ser humano recebe em sua criação uma grande quantidade de imposições ideológicas do que deve ou não fazer e isso nem sempre é coerente com a sua percepção do que é melhor para sua felicidade. O conflito começa ai, com a falta de veracidade consigo mesmo, mas cresce ainda mais quando nos relacionamos com outras pessoas das quais gostamos. Por não querer magoá-las agimos o tempo todo sem sermos espontâneos e vestindo a máscara daquilo que o outro gostaria que fôssemos.

Chegamos num ponto da história que se torna imprescindível que o ser humano comece a se auto-observar e desenvolver seu autoconhecimento. É de importância vital que aprendamos a nos expressar, primeiro permitindo-nos sentir mais o mundo e as emoções e depois compartilhando isso com as pessoas. À medida que vamos nos conhecendo mais é natural que cresça dentro de nós uma autoconfiança muito grande que facilitará a expressão do que preferimos.

Precisamos agir, não ocultar e muito menos reprimir o que sentimos, afinal somente com a expressão clara do que você esta sentindo é que a outra pessoa conseguirá lhe compreender e você também compreenderá mais a si mesmo. Quando manifestamos a alguém o que sentimos aquilo fica mais claro dentro de nós e se a sensação for favorável poderá ser preservada por mais tempo e se for contraproducente mais fácil será desembaralhada.

Os conceitos de público e privado já são muito antigos e muito bem distintos em países desenvolvidos, mas ainda não ficou muito bem definido nesse subcontinente chamado Brasil. A diferenciação entre público e privado nos remete a antiga Grécia na construção da antiga cidade-estado, onde houve uma distinção clara entre o que era do indivíduo e o que pertencia a todos. Cada cidadão que nasceu na Grécia a partir da construção da polis sabia que teria que conviver com duas ordens de existências e há uma grande diferença entre aquilo que lhe é próprio e o que é comum. A construção da polis foi feita com a destruição de todas as unidades organizadas à base de parentescos. Antes de construir o conceito de vida pública e uma sociedade, os gregos e todos os seus contemporâneos viviam apenas em grupos de famílias e assim faziam com o único objetivo, o de preservar a própria vida. Isso não diferencia em nada o ser humano de outros animais que se reúnem para protegerem-se.
Na vida familiar existe sempre uma forte imposição tirânica do chefe de família que pouco se importa com as opiniões dos membros desse grupo e deixa-os subordinados a sua vontade e consequentemente com pouca liberdade. Da mesma forma agiam as antigas organizações, pré-políticas, nas quais povos bárbaros faziam constantemente uso da violência. Na família o abuso de poder é usado como forma de moldar o comportamento daqueles que estão abaixo do patriarca. As organizações não políticas copiaram essa, que era a única forma, que conheciam de mudar a atitude das pessoas.
Quando o conceito de vida pública foi criado junto com as cidades-estados a ideologia era construir um ambiente no qual imperasse a liberdade, responsabilidade por aquilo que era de todos e a participação nas decisões. O ser humano já havia vencido a necessidade de se manter em família para sobreviver e a partir de agora ele dissolveria seu ego no povo e seria mais um a lutar pelo bem comum de todos. Na polis a violência como forma de persuasão não era bem vista uma vez que o discurso verbal era exaltado como uma das mais brilhantes qualidades políticas. O maior êxito que se poderia ter nesse sentido era convencer o outro com argumentos lógicos, e não com a imposição da força, a mudar de opinião. Outro item muito importante na concepção da política é que todos deveriam colocar os interesses comuns acima das vontades particulares.
O que vemos hoje no Brasil é a maior oposição a tudo aquilo que foi concebido como um estado ideal que desejava a máxima liberdade para todos. Comecemos pela queda das instituições a base de parentescos e o que vemos são cada vez mais cargos de confiança (confiança de quem? Do estado certamente não, mas do ``chefe da família``) vemos cada vez menos mudança de cultura a partir de persuasões públicas e cada vez mais imposição de punições e até violência para nos adequarmos ao que desejam nossos políticos. Por fim vejo que nos afastamos cada vez mais dos planos de Platão que previam a abolição da vida privada e a expansão da esfera pública para que o povo tivesse mais livre-arbítrio e nos deparamos cada vez mais com a colocação das vontades próprias acima das do Estado e da população. O caminho do retorno às civilizações pré-políticas é o que estamos traçando com essas atitudes e isso é preciso mudar.
Como desejamos um país mais político, vamos usar as armas desse sistema para vencer a situação atual. Usemos o poder da palavra e da persuasão para conscientizar as pessoas do que vem acontecendo. Não aceitemos de forma alguma cargos de confiança, isso é totalmente anti-democrático e usemos a mais poderosa arma que os gregos criaram que é o poder do voto e a participação política. Assim podemos voltar a sonhar com um país prospero e livre.

A eterna esperança de que seríamos o país do futuro parece estar caindo em descrença absoluta por conta dos recorrentes acontecimentos nacionais. Devemos vencer essa incerteza e construir o país do presente. Diz a lenda que nós não desistimos nunca mas, ninguém consegue realizar algo se não acreditar no projeto. Precisamos inflar a confiança brasileira e isso pode acontecer a partir da observação de alguns fatos.
Peter Drucker em um importante artigo chamado `` A administração e o trabalho do mundo `` nos alerta para o fato de que `` ao longo dos últimos duzentos anos, nenhum país se tornou uma grande potência econômica seguindo as passadas de líderes anteriores.`` Nesse mesmo texto ele demonstra como fizeram os líderes de hoje. Os Estados Unidos, foi o país que mais desenvolveu a capacidade de gestão, mostrou isso muito claramente na II Guerra mundial e se se manteve fiel a essa proposta aprimorando-se sempre no gerenciamento de todas as suas instituições. Os japoneses no pós-guerra usaram o perfeccionismo, um de seus valores comportamentais mais arraigados e o adaptaram a administração pública e privada. Tornaram a produção tão perfeita que ainda hoje, nenhum país consegue alcançá-los, por exemplo, na indústria automotiva.
Drucker deixa claro que os oito países mais desenvolvidos do mundo produzem juntos praticamente tudo o que necessitam. Para que uma nação consiga entrar nesse seleto grupo ela deve se conhecer a tal ponto de saber o que possui de valores que podem ser agregados ao resto do mundo. Feito isso é preciso desenvolver seus atributos para poder repassá-los.
O que o brasileiro possui de mais marcante e que poderia ser comercializado?
Vamos então há uma das mais importantes obras escritas no Brasil, deveria ser leitura obrigatória a todo brasileiro desejoso a entender de onde vem nossa forma de agir e pensar. Esse é o livro ``Raízes do Brasil`` de Sergio Buarque de Holanda.
Nesta obra, ele indica o caminho: `` é que nenhum desses vizinhos (referindo-se aos países europeus próximos a Portugal e Espanha) soube desenvolver a tal extremo essa cultura da personalidade, que parece constituir o traço mais decisivo na evolução da gente hispânica, desde tempos imemoriais. Pode dizer-se, realmente, que pela importância particular que atribuem ao valor próprio da pessoa humana, à autonomia de cada um dos homens em relação aos semelhantes no tempo e no espaço, devem os espanhóis e portugueses muito de sua originalidade nacional.`` Essa influência do culto a individualidade foi fortemente marcada no povo brasileiro, que já tinha no índio um tipo de personalidade forte.
Como o mundo poderá valorizar a forte personalidade do povo brasileiro?
Em mais uma obra imprescindível a qualquer um que queira entender para onde o mundo esta caminhando Thomas Friedman, em ``O mundo é plano``, explica que antigamente o mundo era um lugar enorme e que para uma cultura influenciar outra só por meio de uma guerra na qual um Estado inteiro invadiria outra nação e imporia suas formas de pensar e agir. Após a revolução industrial o mundo diminuiu, pois ficou mais fácil alcançar outras pessoas, as empresas multinacionais cumpriram o antigo papel do Estado e puderam levar a todas as partes a cultura dessas instituições. Atualmente o mundo está muito pequeno, pois um indivíduo sem muito destaque na sociedade, pode influenciar milhares de pessoas ao redor do mundo. Por exemplo, através de um simples conference call uma pessoa na Índia dá diretrizes a pessoas nos cinco continentes do mundo ao mesmo tempo. Thomas Friedman mostra claramente que o ser humano ganhou muito valor na nossa sociedade e que isso só crescerá nos próximos anos.

Juntemos tudo e comecemos nosso progresso.
Realmente é imprescindível que ampliemos nossa identidade nacional, exacerbando o que temos de melhor. Devemos aproveitar essa tendência mundial de valorização do potencial humano, pois nosso povo tem personalidade, isso quando bem trabalhado se reflete em confiança e depois em realização.
O Brasil é um dos países mais empreendedores do mundo, nós brasileiros sabemos que podemos concretizar sonhos se colocarmos vontade e dedicação. Claro que algumas de nossas características comportamentais relativas à personalidade forte precisam ser melhoradas.
A confiança exacerbada pode dificultar a previsão de erros e enfraquecer o planejamento. Aquele que pensa muito em si, acaba por esquecer-se do todo. É muito comum vermos grandes empresários dizendo `` eu realizo minha parte fazendo minha empresa dar certo e pagando meus impostos`` Já vimos que só isso não é suficiente. O brasileiro tende a construir uma empresa para suprir seus gastos e não uma instituição sólida, para a sociedade e que se preservará além de sua própria vida. Comecemos a pensar em um plano conjunto de participação coletiva pelo engrandecimento do país, discurso tão comum nos Estados Unidos.
A peça mais importante para a prosperidade de projetos, que é o ser humano com capacidade de liderança, nós temos de sobra nesse país. Acreditemos mais em nós mesmos e façamos acontecer.

A contemplação é um ato que acompanha o ser humano desde os mais remotos tempos. Os povos sedentários (que habitavam uma terra e nela ficavam por muito tempo) tinham a cultura desse hábito ainda mais arraigado, pois como não pretendiam se deslocar no espaço tinham todo o tempo para se deslumbrar com as maravilhas do mundo que nos rodeia. Por observar por um longo período tudo o que estava a sua volta, essas pessoas conseguiam atingir uma percepção mais aguçada do universo. Chegar à essência das coisas requer muita observação focada sem ser influenciado por outros sentidos externos. A cultura da contemplação começou a ser prejudicada a partir do momento em que os povos nômades começaram a ocupar mais espaço na terra, pois eles se estabeleciam nos locais apenas o tempo em que as reservas naturais disponibilizavam o que eles necessitavam. Esses povos ambulantes não tinham o pensamento voltado para o longo prazo, para a construção de uma civilização e muito menos para a geração de riquezas e tecnologias. Eles eram especializados na guerra e na atitude mesquinha de tomar de outros povos que não eram tão bons na arte bélica. O deslocamento dos povos foi o primeiro motivo que levou o Tempo a interferir em nossas atitudes cotidianas.
Havendo uma cultura do tempo a contemplação passou a não ser mais muito bem vista, pois por exemplo observar animais por um longo período de tempo, poderia ser interpretado como uma perda desse precioso recurso. Os orientais nunca deixaram de lado o ato da contemplação, vemos isso claramente nas técnicas de meditação das artes marciais e especialmente no yôga antigo onde encontramos mais de 52 métodos de meditação. Os Indianos que criaram o yôga sabiam que única forma de expandir sua consciência era detendo a atenção por um longo período de tempo em um único som ou símbolo, sem julgá-lo ou analisa-lo apenas contemplando-o, isto quer dizer observando com prazer.
Do lado de cá, no ocidente depois de ter perdido um pouco do seu valor, a contemplação voltou a ser enaltecida na cultura grega na época da formação da polis. Apesar da imagem que temos dos filósofos gregos como altamente racionais, na verdade o que eles mais enalteciam em seus discursos era a contemplação. Eles colocaram essa atitude acima de qualquer outra atividade e foi justamente isso que gerou o julgamento de Sócrates. Chegou um momento que os filósofos começaram a ver toda a atividade como algo dispensável, inclusive a atividade política que eles tanto contribuíram para melhorar, isso gerou uma revolta nesse grupo de pessoas que induziu toda a polis a ficar contra os Pensadores.
Nos dias de hoje a observação de obras de arte se torna o mais sofisticado exercício dessa nobre atitude. Quando visitamos exposições começamos a perceber que o mais prazeroso não é fazer uma análise da obra, mas simplesmente ficar a frente dela e deixar-se invadir pela maravilhosa sensação que proporciona a parada das ondas mentais. A obra em si pode não significar nada para nós e nem ser o que podemos julgar por bela, mas será de extrema valia para as nossas sensações se, simplesmente, pararmos na frente dela e a observarmos na essência.
Fazer esta experiência é algo que deve ser tentado por todos e melhor ainda é transferirmos essa atitude para o nosso dia-a-dia e podermos retornar a ter a mesma relação com o tempo que tinham aqueles que mais aproveitavam a vida, os antigos povos sedentários que tinham a ampulheta da vida em suas mãos e entendiam o que realmente o universo representa.

Duas características são imprescindíveis para que se vença na vida em qualquer área. Se você deseja mesmo ser bom naquilo que quer é importante que desenvolva:
1. Persistência titânica.
2. Senso cri-critico exacerbado.
A persistência mostra claramente seu valor quando observamos a maior parte das pessoas abandonando tudo o que começam. Em pouco tempo quase todos desistem do que se predispuseram a conquistar e como na estória da lebre e da tartaruga os persistentes vão chegando e acabam sendo vencedores. Podemos atribuir à continuidade cerca de 80% da importância para uma realização. Há casos em que a pessoa faz tudo errado, mas só pelo fato de persistir acaba por vencer. A perseverança mede o quanto verdadeiramente queremos tornar nossos sonhos realidade. O ponto fraco do obstinado é que ele normalmente tem dificuldade de mudar e se adaptar a uma nova realidade. Aquele que realmente quer acabará concretizando-o, pode demorar um tempo, mas acabará se tornando inevitavelmente realidade.
Infelizmente só querer não é suficiente e nossa história esta cheia de exemplos para mostrar isso. O segundo componente do sucesso será o timão que bem direcionado facilitará nossas realizações.
O senso crítico é o que produz a observação constante e que propicia a mudança para o rumo certeiro. Essa característica faz com que aprimoremos aquilo que estamos fazendo até o ponto da satisfação.
O discernimento constante não pode jamais gerar uma inconstância que atrapalhará a primeira e principal característica para se vencer que é a persistência. Ele nos dirá o momento que devemos mudar a direção das nossas ações. De nada adianta persistir para sempre em algo que jamais dará certo, o quando parar, será sempre afirmado pelo crítico que habita nossa consciência.
Tendo uma convicção inabalável do que você quer gerando com isso persistência e agregando senso crítico é impossível que você não vença. O seu lugar esta garantido, depende apenas de você e só dá certo quem muito quer.

A administração, por ser uma ciência muito recente (com cerca de 150 anos), tem se modificado muito e hoje se aproxima pouco do que era quando surgiu. Vejamos a história de um de seus maiores influenciadores e notemos como mudamos nosso conceito a respeito de administração no último século.

Frederik Taylor é considerado o pai da administração científica por propor a utilização de métodos cartesianos na administração de empresas. Seu foco era a eficiência e eficácia operacional na administração industrial. Assim como Descartes foi imprescindível para o período obscurantista, tirando a carga pesada de misticismo que imperava na época e deixando tudo mais real, Taylor fez uma obra também importante, aumentando enormemente a eficiência da produção empresarial. Entretanto seus métodos se tornaram tão simples que foram deixados de lado. Descartes acreditava piamente que através da matemática poderia provar e prever tudo inclusive a existência de Deus, erroneamente pensou, pois como diz Shakespeare ``Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia``, e hoje sabemos que nem tudo pode ser mensurado e a vida não é tão simples como ele imaginava. Taylor estudou muito os processos de fabricação de produtos e desenvolveu as melhores técnicas para a produção máxima. No entanto, ele se esqueceu da importante peça que está entre a cadeira e a linha de produção e interpretou o ser humano como mais uma roda nessa grande engrenagem produtiva.
Taylor deu pouca ou nenhuma atenção ao desenvolvimento humano e cometeu um grande erro. Como ele reagiria ao chegar no mundo atual e ver que quase 100 anos depois da sua morte 75% da riqueza é gerada a partir de conhecimento humano e não mais com o trabalho estritamente manual como era na sua época?

Não temos como saber de que forma ele se sentiria, mas o fato é que não é possível obrigar alguém a ter idéias, não é possível impor a solução de um problema que se estende há anos a uma equipe de pesquisas e esperar que eles resolvam isso em um prazo definido. O mundo apresentou grandes modificações nestas últimas décadas, mais do que nunca, aquilo que Descartes não podia medir e Taylor se esqueceu de atuar é o maior valor existente hoje nas empresas: o ser humano com suas emoções e pensamentos.

Certamente a administração é hoje a ciência que tem mais pessoas envolvidas em seu estudo e prática. Como ela se voltou totalmente para o desenvolvimento humano acabou se tornando, nada mais nada menos, que uma filosofia para o aprimoramento individual.

Hoje o que grandes consultores como Robert Kaplan, Jim Collins, Tom Peters, Stephen Covey, Peter Drucker fazem é o mesmo que faziam Platão, Socrates, Plutarco, Aristótales e outros Pensadores para a humanidade de tempos atrás. Esses consultores têm influenciado a forma de agir e pensar de muitos administradores e estes por sua vez influenciam toda a cadeia hierárquica que está abaixo deles. A ideologia de quase todos os gurus da administração é muito parecida com a que imperava em épocas de marcante desenvolvimento da humanidade como o Renascentismo, Iluminismo ou na Revolução Francesa. Nesses momentos de incríveis transformações o poder do ser humano que havia sido ofuscado por alguma grande instituição, seja ela a Igreja ou o Estado foi otimizado e trazido à tona novamente.

No caso da administração tudo começou quando um jovem integrante da McKinsey (uma das maiores empresas de consutoria do mundo) foi incumbido de uma missão peculiar: Viajar pelo mundo e procurar as melhores práticas de gestão onde quer que fosse. Seu nome era Thomas Peters. Os Estados Unidos vivam uma crise naquele momento. Depois de ficarem anos achando que continuariam na liderança se mantivessem as mesmas práticas, observaram o espantoso crescimento do Japão vencendo-os em muitas áreas. As empresas americanas acreditavam que se tivessem um bom planejamento gerencial em larga escala, boas pesquisas de mercado, técnicas avançadas de marketing e manuais de procedimento seu sucesso estaria garantido, porém não foi isso que a história mostrou. O que Tom Peters trouxe do Oriente e que hoje norteia o trabalho dentro de todas as organizações de ponta e também influenciou grandes revoluções da humanidade foi que a atenção deve sempre ser focada no ser humano.
Quando os homens passam a ser mais valorizados tomam ciência de sua importância no desenvolvimento da humanidade. Foi assim com os grandes movimentos culturais e está se repetindo na grande mudança gerencial que estamos vivendo.

No atual período histórico com tantas transformações e melhorias no mundo devemos saber que cada ação que tomamos para melhorar nossas vidas e a dos demais influenciará a vida de muitas pessoas durante muito tempo.

Os negócios estão se tornando uma oportunidade não apenas para as pessoas garantirem seu sustento (visão extremamente imediatista e superficial) mas, para se desenvolverem como seres humanos. Desse aprimoramento pessoal vai depender o seu sucesso e a prosperidade da empresa em que trabalham. A tendência mundial é que cada vez mais voltemos nossos olhos para ver o que não é aparente e ouvir o que não é dito e passemos a prestar mais atenção as pessoas ao nosso redor e ao quanto elas estão satisfeitas com o que fazem. Somente sentindo-se bem poderão gerar idéias e inovações que farão a diferença para a realização de propósitos comuns.

Jean-Paul Sartre em sua mais famosa peça para teatro intitulada Entre quatro paredes, apresenta um cenário no qual três pessoas vão para o inferno, este por sua vez não se trata de um local quente e repleto de seres diabólicos, mas de um aposento mal decorado com móveis antigos. Nesse ambiente nada acolhedor, as pessoas têm que conviver com os defeitos e diferenças dos outros e em um determinado momento um dos infelizes moradores desse quarto expressa uma das mais famosas frases da obra desse grande filósofo francês "O inferno são os outros".
Essa frase diz muito sobre a natureza humana. Desde os mais remotos tempos o homem foi condicionado a transferir as obrigações aos outros. No começo transferia a responsabilidade para a natureza, depois para Deus, para o senhor feudal, para o Estado, empresa, enfim cada momento para alguém e nunca para si mesmo. A própria filosofia de Sartre era baseada na responsabilidade sobre seus atos para se conseguir liberdade.
As artes marciais ensinam seus praticantes que quando a pessoa vai para um combate não está lutando contra o adversário à sua frente, na verdade ela faz uma batalha contra si mesma, contra seus receios, limitações e medos. A maior luta que podemos ter na vida é o duelo próprio que fortalecerá nossas qualidades e transformará também em virtudes aquilo que não temos de tão bom. Só há um desafiante e um desafiado nesse embate.
Quando um empresário abre uma empresa ele deve estar ciente que não serão os concorrentes os seus maiores obstáculos para o sucesso, mas será ele mesmo. Todos os seus defeitos e qualidades aparecerão nitidamente em sua empresa. Caberá ao empreendedor encarar a realidade nua e crua, enfrentar suas limitações e contratar pessoas que tenham as qualidades que ele não tem. Depois disso, é preciso baixar seu ego para que possa aprender as virtudes dessas pessoas. O mesmo acontece com todos nós, pois sabemos que outras pessoas têm qualidades que deveríamos adquirir, mas ao invés de nos espelharmos nelas ou pelo menos nessa qualidade, procuramos na outra pessoa um defeito para justificar a não ventilação do que ela tem de bom em nossa personalidade.
DeRose, importante educador brasileiro, deixa isso muito claro em apenas uma sentença "Supera-te a ti mesmo, antes de ao teu irmão". Se desejarmos crescer como seres humanos temos que parar de querer transferir a responsabilidade do que acontece conosco e passar a assumir que nossa vida segue o rumo que nós mesmos determinamos a partir de nossas ações.
Todo grande atleta compartilha com a sabedoria das artes marciais e sabe que ao encarar a competição ele está se desafiando mais do que aos outros. Porque um superatleta como o nadador Michael Phelps, a pessoa com mais pódios olímpicos da história, continuaria a treinar obsessivamente, se não fosse para superar suas próprias limitações?
Observe no seu dia-a-dia o quanto você age dessa maneira, tentando transferir a responsabilidade do que acontece com você para outras pessoas e assim dando a elas o pouco do livre arbítrio que você ainda lhe resta. Assuma o controle do seu destino. Mais sábio será seguir uma recomendação do próprio Phelps na qual ele diz "Não devemos nos impor tantos limites".

Você nunca se questionou de onde vem a força das pessoas que passam por muitas dificuldades e que apesar disso se mantém focadas em seu objetivo e depois de muito lutar conseguem realiza-los? Por outro lado vemos pessoas com tudo o que precisam a seu alcance e apesar disso passam a vida em branco e nada fazem pela melhoria do mundo em que vivemos. Muitas vezes a facilidade pode se tornar nosso maior inimigo e a dificuldade nossa maior dádiva, depende apenas de nossas decisões. Fica claro que realizar não depende das condições iniciais mas sim da vontade e determinação do progenitor da idéia
Acredito que essa força da determinação inicia com o autoconhecimento, à medida que nos conhecemos mais vamos descobrindo também qual é o nosso propósito de vida. Quando você tem isso muito claro fica mais fácil agir com uma convicção inabalável de que conseguirá, aconteça o que acontecer. Saber para que viemos ao mundo nos dará o alimento da motivação invencível. Para conseguir essa descoberta tão pessoal cabe apenas a você e a um auto-estudo muito profundo
Patanjali , grande Mestre de Yôga, que viveu na índia no século IV a.C. disse que para se conquistar algo extremamente difícil como a meditação é necessária uma disciplina diligente cultivada por um longo tempo, sem interrupção e com profunda dedicação também é necessário subjugar a compulsão pelas dispersões. Isso poderia ter sido dito por um grande empresário a respeito da construção de uma empresa ou por um medalhista olímpico sobre suas conquistas.
A persistência por um longo período de tempo torna-se o maior aliado daquele que busca grandes realizações, mostra-se por tanto indispensável à conquista dos nossos sonhos. Ainda bem que assim é, pois que graça teria se conquistar algo tão desejável em um curto intervalo de tempo?
Certa vez Ganddhi falou `` o valor das conquistas esta diretamente ligado à quantidade de coisas que tivemos que abrir mão para conquista-las``. Essa frase vai explicar melhor a segunda parte do aforismo de Patanjali. O mundo esta a cada dia mais nos dando estímulos para fazer diferentes experiências, o grande problema disso é que podemos fazer tudo o que queremos em nossas vidas, mas não podemos fazer tudo o que o mundo nos oferece, cabe a cada um, portanto saber o que quer e não deixar que as dispersões tirem você do foco de sua meta.
Temos aqui alguns pontos essenciais para a construção de obras grandiosas ou de realizações com grande valor pessoal, permanecermos focados por muito tempo naquilo que queremos e não nos dispersar com todas as alternativas que o mundo nos oferece, pois aquele que deseja tudo acaba ficando sem nada. A sua verdadeira percepção interna é que mostrará aquilo que você realmente quer aí é só lutar por ela.
Muitas realizações a todos.

O comportamento da população reflete aquilo que valorizamos, ou seria o contrário? Apreciamos as coisas que vão se adequar ao nosso comportamento? Não importa, o fato é que, no Brasil não estamos dando valor a aquilo que fará bem a todos nós como pessoas e como país.

Todos os dias saem notícias de novos artigos de luxo que custam milhões e que são o grande diferencial para aqueles que têm. Será essa a única forma de se diferenciar na sociedade? Quando vamos deixar de valorizar aquele que tem pra valorizar aquilo que somos?

Muito menos comum é ouvirmos notícias de pessoas que escreveram livros fascinantes ou de outras que vêm fazendo pesquisas que vão melhorar a qualidade de vida de todos nós. Podemos também valorizar mais as pessoas que dedicam suas vidas a projetos sociais ou a construir uma empresa que gerará milhares de empregos. O Brasil não vem valorizando a cultura nem a arte e acaba caindo em uma tendência de cópia barata dos Estados Unidos. Estamos condicionados a consumir para nos sentirmos felizes e isso não está certo. A prova é o próprio desequilibro do povo estadunidense.

Não tenho nada contra esse país e considero-o fantástico em várias áreas que eles são lideres mundiais, mas se quisermos ganhar auto-estima como povo e nos tornarmos reconhecidos mundialmente como país maduro, devemos, antes de qualquer coisa, começar a valorizar a nossa cultura e a nossa arte, criar personalidade cultural forte e poder exportar conhecimento. Isso com certeza valorizará muito o orgulho de ser brasileiros que todos temos, mas que anda tão escondido que nem temos coragem de procurá-lo.

A exportação da cultura é a forma mais intensa de elevar auto-estima de um povo, imagine a força que tem o povo americano pelo fato de todo o mundo assistir prioritariamente os seus filmes. Uma vez que você tem a cultura do seu país valorizada ao redor do mundo teremos mais confiança e aceitação. A partir disso será fácil a exportação de conhecimento, a grande jóia do futuro.

Se desejarmos isto comecemos por nós , deixemos de valorizar personalidades que nada nos acrescentam em termos de conteúdo e comecemos a dar mais valor aos que pensam , refletem, aqueles que tem uma mensagem a passar e que se preocupam com as outras pessoas e não apenas com a projeção de seu ego inflado.

Uma das soluções possíveis para isso é começarmos a estudar desde a infância, e aqueles que não tem esse estudo prévio, fazê-lo agora, de assuntos como antropologia, sociologia e mesmo marketing. Quando tivermos um conhecimento mais profundo, do que de mais precioso existe neste planeta, que são as pessoas, entenderemos melhor como nos comportamos, como nos organizamos e a partir disso entenderemos como o marketing influencia nossas decisões e valores. Dessa forma não deixaremos nos levar por vontades que não são realmente nossas. Ganharemos mais individualidade e poder de decisão. O consumo mais consciente é a grande saída desse problema no qual nossa sociedade se afunda cada vez mais.

Precisamos entender melhor o que realmente precisamos e jamais atrelar nossa felicidade a um bem de consumo. Não sou contra termos esses bens o que deve ser questionado é quanto isso é realmente importante para o nosso crescimento como pessoas e o quanto é vital para você se sentir feliz.

Recado foi dado pena que com certeza os que mais precisam lê-lo não vão passar nem perto dessas frases, pois não saberão nem o significado do título.

Sempre há uma dúvida muito grande em relação a esses dois sistemas econômico-governamentais. Meu objetivo neste texto não é pormenorizar suas diferenças, mas apresentar uma reflexão sobre alguns aspectos complementares entre os dois sistemas. Embora sempre fôssemos forçados a entender que capitalismo e socialismo são sistemas completamente antagônicos, a história tem mostrado uma aproximação de ambos. Temos até mesmo o exemplo da China, que preserva o socialismo em algumas cidades e estimula o capitalismo em outras.
Para se obter êxito em qualquer projeto, pessoas e empresas necessitam prioritariamente de dois recursos. Quanto maior e de melhor qualidade forem esses recursos, maior a probabilidade de sucesso. São eles:

Capital: hoje mais do que em qualquer outra época o dinheiro ganha uma importância essencial na existência do mundo. Sabemos claramente que precisamos de verba financeira para nos empenhar em qualquer projeto, seja uma viagem intercontinental pelo oceano ou o início de uma empresa. O dinheiro é o meio e muitas vezes o objetivo final de várias das nossas ações cotidianas. Sem ele fica praticamente inviável a realização dos planos.

Pessoal: estamos em um momento da história no qual o homem, como individuo, ganhou muito poder. Uma pessoa sozinha é capaz de fazer movimentos que interferem e influenciam em outras pessoas e empresas do mundo todo. Ele não precisa ser nenhum gênio para tanto, milhões de pessoas fazem isso todos os dias. Vemos exemplos recentes com o You Tube e a Wikipedia que agregam conteúdo a todos nós. A informação evoluiu e modificou a maneira de ser, estar e pensar de bilhões de indivíduos em todo o planeta, proporcionando a todos, os seus 15min. de fama , como já foi mencionado por Andy Worrol nos anos sessentas. Ela nos aproximou muito e nos deu mais força. O capital humano, mais do que o capital físico, se tornou peça fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento. Sua qualificação e força de vontade interferirão diretamente no sucesso dos projetos, trazendo inovação e competitividade.

Com essa base, fica claro visualizar qual foi o foco de cada um dos sistemas.
O capitalismo tem como objetivo final o lucro. Adam Smith em seu clássico `` A Riqueza das Nações `` idealiza esse sistema pela perfeita liberdade em que atua a famosa "mão invisível", capaz de levar a ação ambiciosa e egoísta do homem a criar o bem estar geral da comunidade. Isto porque, havendo liberdade, o lucro dependerá da livre concorrência em apresentar ao público aquilo que o público espera de melhor. Vale dizer, só obterá lucro quem melhor servir à sociedade. Vencer a concorrência não requer apenas a venda pelo menor preço, mas também a criatividade, as invenções que aperfeiçoam os produtos, os serviços e as artes. Nesse sistema o resultado financeiro de cada projeto é peça chave. Números como o produto interno bruto, que diz respeito à quantidade de riqueza do país, ou o seu crescimento anual são acompanhados o tempo todo pela população mais interessada e engajada. Jamais o capitalismo deixou de lado a preocupação com o bem-estar da população, mas o seu pressuposto é que esse bem-estar será suprido com a geração de riquezas e assim com a liberdade de escolha para aqueles que as gerarem.

O socialismo por sua vez voltou seu foco para o desenvolvimento e amparo das pessoas. A porcentagem de alfabetização da população e a qualidade dos serviços públicos são fatores fundamentais dentro dessas sociedades. Esse sistema supõe que com um trabalho conjunto, e se não houver desperdício, toda a população conseguirá viver bem.
Julgamentos à parte sobre qual é o melhor sistema, o que estamos vendo no decorrer da história é uma migração de um para o outro. Há um roubo saudável das qualidades de cada sistema pelo seu antagonista.

Vemos no mundo corporativo o gênio do capitalismo, Bill Gates, abrindo mão de seu cargo como presidente da companhia, para se dedicar a causas humanitárias, numa demonstração de que apenas gerar riqueza não é suficiente se esta não for corretamente distribuída. Por outro lado, vemos o crescimento econômico recorde de paises como a China, que manteve seus mercados fechados por muito tempo e que agora vê a necessidade de gerar mais riquezas e crescer economicamente.

Quem vencerá essa disputa? Certamente todos nós. O mundo esta ganhando em riquezas e humanitarismo e, apesar das reclamações que todos fazem, se olharmos sob um ponto de vista mais amplo em espaço e tempo, veremos que apesar de termos muito o que aprimorar, estamos andando para um bom caminho, um planeta mais próspero e humano.

Como todo pequeno empresário, comecei sem experiência e sem capital suficiente, mas com muita motivação e vontade para vencer. Tenho consciência dos muitos problemas que afetam o pequeno empresário brasileiro, mas não é neles que vou me focar. Vou falar de problemas e soluções maiores que já vem sendo implementadas, mas que só quem está no olho do furacão percebe. Porque é sabido que existem três tipos de pessoas: as que fazem as coisas acontecerem, as que vêem as coisas acontecendo e as que perguntam: “o que aconteceu?”.
A classe empresarial brasileira chamou para si a responsabilidade de melhorar este país que tanto amamos. Cansados, desistimos de esperar por pessoas que não estão à altura do cargo político que ocupam, nem têm competência para fazer desta nação uma grande potência.
O movimento para mudar essa situação de desencanto com os que nos deveriam representar não é novo, mas tenho certeza de que nunca esteve tão forte quanto agora. Tenho o privilégio de poder acompanhar de perto o esforço sobre-humano de pessoas como Paulo Skaf, na FIESP; Milu Vilela, José Roberto Marinho e Jorge Gerdau à frente do Todos pela Educação e Quero Mais Brasil. Vejo diariamente tudo o que eles têm feito para melhorar o País. Eles e outros muitos exemplos nacionais que trazem essa esperança viva e dinâmica em prol do crescimento do Brasil.
Paulo Skaf tem lutado incansavelmente por demandas que sabemos serem essenciais, como a queda de juros e o enxugamento do Estado brasileiro, dois pontos que por sinal andam juntos. O Todos Pela Educação tem uma meta muita audaciosa para a Educação Básica que tratam do acesso, permanência e conclusão atestada em documento firmado junto à Unesco, de alfabetizar toda a população brasileira até 2020. Essas ações, embora não mostrem resultados no curtíssimo prazo, revelam um aumento da consciência política e administrativa do Brasil. Consciência que foi reprimida pelas gerações que viveram desde a época da ditadura, cristalizando-se o afastamento cada vez maior da população em relação às urgências sociais e deixando, assim, espaço para que políticos inescrupulosos fizessem o que bem entendessem com a nação. Com certeza, a mudança desse paradigma produzirá conseqüências benéficas para todos nós, aumentando a renda, a inclusão e a qualidade de vida da população.
Meu otimismo não para por aí e se amplia ainda mais quando penso no exemplo que estes empresários dão aos novos empreendedores que estão crescendo junto com tudo isso. Hoje, nenhum empresário consciente pensa em criar uma empresa apenas para gerar lucros para si, finalmente estamos acabando com isso. Quem inicia um negócio, agora, sabe que terá de enfrentar não apenas os problemas de sua empresa, mas, numa visão mais sistêmica, precisará inserir-se na busca de soluções viáveis para os problemas de todo o país. Ele sabe que não está criando algo apenas para satisfazer suas necessidades, mas que de seu sucesso dependem todos os que trabalham ao seu lado e que precisa fazer com que essas pessoas também atinjam sucesso, nessa que é a mais básica manifestação de responsabilidade social. O empreendedor moderno sabe que deve criar algo que se perpetue para além de sua vida e da vida dos. Paramos de criar para nosso ego, e criamos instituições sólidas para o coletivo, instituições perenes que contribuirão para o êxito de todos. Sabemos que sem uma política de real inclusão social e cidadã não haverá uma segunda oportunidade para nos orgulharmos de sermos brasileiros.



Seguindo o exemplo desses líderes, jovens estão se organizando em grupos de trabalho para viabilizar essa empreitada. Grupos como o CJE-FIESP, do qual faço parte, extremamente comprometidos com a sustentabilidade e ensinando isso a outros jovens por meio de seus eventos.
Ou como o Ação Jovem pelo Mercado de Capitais, formado por jovens que trabalham nessa área, que adentram as favelas para ensinar à população mais carente como administrar melhor seu dinheiro sem se perder em uma prestação infinita, aparentemente barata, na loja de departamentos mais próxima. Nenhum membro desses grupos ganha nada para isso – nada além da sensação de realizar o sonho de tornar o Brasil um país respeitado.

Tudo isso mostra que realmente estamos fazendo nossa parte para deixar de ser a nação do futuro, para ser uma nação do presente. Se as coisas continuarem assim, e o governo não atrapalhar, o G8 que nos espere.

*Daniel De Nardi é diretor do CESER e CJE na FIESP e membro do Conselho Administrativo da Uni-Yôga.

Muito se critica a arte contemporânea e poucas pessoas conseguem entender aquilo que realmente ela pretende ser.

Façamos uma breve retrospectiva para traçar um paralelo entre a evolução humana e a arte nestes últimos 500 anos. No período medieval, as pessoas em geral tinham muito pouca consciência do que acontecia no mundo. Ele vivia sua vida de forma modesta e humilde, preocupando-se com seus afazeres diários e em não desagradar ao senhor feudal. O poder estava nas mãos dos imperadores e bispos, do Estado e da Igreja. Eram estas instituições que iniciavam os movimentos seguidos por todos os que estavam abaixo na escala social. O poder de decisão dos trabalhadores ou guerreiros era praticamente nulo. Obviamente a arte era voltada apenas para marcar as batalhas, vitórias e as crenças daqueles que estavam no topo da hierarquia. Importava apenas o que acontecia com estes.

Procure sentir-se como uma pessoa do povo, que vivia na Europa por volta de 1500 d.C. e perceba como o seu poder de mudar algo no mundo é pequeno, imagine toda a opressão da Igreja e do sistema monárquico. O mundo era engessado e não aceitava progresso de quem não houvesse nascido em berço de ouro. A arte dessa época retrata apenas, deuses, reis, rainhas, nobres, bispos e momentos importantíssimos. Havia uma distância praticamente invencível entre a vida do vassalo e as artes. Era como se sua vida não valesse a pena ser retratada.

O mundo passa por muitas transformações, primeiro com a Revolução Francesa, que dá um pouco mais de poder ao povo e depois, ainda mais, com a era industrial. Agora não apenas os nobres e a igreja têm poder de financiar a arte, mas também os donos de grandes empresas. A arte entra em transformações, pois, além disso, temos a invenção da fotografia que em princípio acaba com o propósito mais raso da pintura ou escultura que era simplesmente retratar.

O artista ganha mais liberdade e passa a registrar principalmente aquilo que mais o emociona e isso em boa parte é o contato com a natureza. A arte ganha mais vida, mais emoção. Momentos de indescritível beleza natural são retratados nas artes de Monet, Renoir, Van Gogh entre outros. Passamos também a pintar pessoas comuns que jamais haviam aparecido em um quadro no momento anterior. O ser humano ganha poder, ganha consciência e começa a interferir mais no mundo que o rodeia e isso aparece nas artes.

Dando prosseguimento à nossa história, chegamos ao momento mais brilhante da humanidade, o momento em que nós, privilegiados, estamos vivendo. Nunca na história o homem teve tanto acesso ao conhecimento, às belezas da vida e o poder de interferir em milhões de pessoas.

Vejamos os exemplos de jovens que criam empresas caseiras e que recebem milhões por isso e de pessoas simples que montam seus próprios meios de contribuir com outras pessoas e que como num passe de mágica alcançam bilhões de pessoas. Hoje, o valor de cada indivíduo é maior que em qualquer época já vivida por nós, apesar de termos muito mais pessoas habitando nosso planeta. Nunca o ser humano foi tão valorizado.

No atual período a arte que fazemos neste maravilhoso momento histórico, que vem expandindo todas as barreiras, rompendo com paradigmas, refletindo o dinamismo e a velocidade de mudança de nossos dias. Hoje a arte não é mais retratar alguém importante ou uma paisagem que só vivenciamos uma vez em nossas vidas, mas ela tenta nos trazer a idéia de que cada momento pode ser arte por mais simples que seja. A expressão artística agora é de todos e se mescla de tal forma em nossas vidas que pessoas menos sensíveis não percebem, mas são influenciadas por ela quando, por exemplo, gostam do design de um computador. Todos nós podemos vivenciá-la simplesmente olhando para a arquitetura dos prédios ou para uma pessoa ao nosso lado. A arte contemporânea deseja que reflitamos sobre as coisas simples da vida, que muitas vezes passam despercebidas e podem em muito nos alegrar.
Caso você consiga penetrar nessa percepção conseguirá sentir profundamente a arte, ser arte e passará a viver dentro de um filme, pois tudo brilha e pode encantá-lo.

Antes de iniciarmos essa reflexão vamos esclarecer alguns pontos. Há grandes diferenças entre o que o Ocidente entende por sabedoria e o que o outro lado do mundo o entende. Do lado de cá, a sabedoria está normalmente atrelada à capacidade de associações, ao movimento mental e a algo estritamente especulativo. Desde o jardim de infância nos ensinam que devemos sempre pensar, refletir e que isso é realmente essencial. Entretanto essa atitude que nos foi imposta pode tornar-se limitadora à percepção mais profunda do mundo. Passando da área mental para a emocional, a satisfação dos desejos também é limitante e muitas vezes têm um grande fundo de condicionamento. Cito um grande escritor brasileiro, DeRose que sabiamente diz ``há duas formas de comprovarmos a inutilidade dos prazeres: a primeira é renunciando a eles; a segunda, gozando-os``. A satisfação dos sentidos realmente traz uma satisfação, mas esta é passageira e termina assim que as sensações reduzem sua intensidade. Se nos detivermos nisso estaremos eternamente correndo atrás de algo que venha de fora para dentro e não chegaremos ao ponto de gerarmos a felicidade como um estado de consciência, algo que independa das situações externas. Esse tipo de sensação é um estado de inabalável bem-estar.

Para os orientais o único conhecimento que interessa é aquele que nos conduza a um autoconhecimento maior. Para eles o que importa de conhecimento é aquilo que nos leva à felicidade permanente e à descoberta daquilo que realmente somos. A filosofia oriental é muitas vezes criticada no Ocidente por oferecer uma salvação para essas situações, mas que culpa tem ela de servir para alguma coisa enquanto o pensamento filosófico ocidental é em grande parte inútil.

Chegamos a um momento histórico no qual a especulação mental esta no limite de desenvolvimento, não há mais espaço para descobertas nos planos mentais do autoconhecimento. Na verdade isso se esgotou há muito tempo, quando Sócrates após ter pensado muito, mas muito mesmo sobre os mecanismos que regem nossas vidas concluiu `` só sei que nada sei ``. Neste ponto ele mostrou que o pensamento só consegue chegar a um determinado ponto e que depois disso não há alternativa para evoluir que não seja perceber outros planos de consciência. O povo Indiano já sabia disso há muito tempo e desenvolveu técnicas, como as do Yôga antigo para descobrir até onde poderiam ir os planos da consciência.
A intuição certamente será um dos pontos para o qual vamos evoluir. Ela está o tempo todo conosco, tentando de certa forma nos tornar mais lúcidos. Porém, essa maldita ferramenta chamada mente que fomos forçados a usar ininterruptamente não deixa que ela apareça e a obstrui. Veja o exemplo de duas pessoas, uma mais humilde e outra altamente intelectualizada que tiveram um click antes de subir na viagem de ônibus. O humilde, por não usar tanto o mental, sabe que por qualquer motivo não deve seguir viagem e realmente não o faz, já ``o sábio intelectual`` calcula que a probabilidade de ele morrer no ônibus é muito pequena, pois apenas duas pessoas em cada um milhão que passam pelas rodovias morrem e além do mais a empresa que ele esta viajando é muito segura e... lá se vão mais pensamentos bloqueando o flash de intuição ou de percepção mais aguçada que ele teve. Não obstante, o ônibus bate todos os passageiros morrem se salvando apenas o único que ouviu seu sentido interno e ficou na rodoviária.

Isso não deve ser interpretado como uma apologia a não se desenvolver o intelecto, mas sim de não elevá-lo ao patamar máximo do ser humano, pois a mente é falha e rude se comparada, por exemplo, ao plano da intuição. O que ocorre é que não conhecemos possibilidades de nos vermos por dentro, mais internamente do que a mente permite. No entanto, prezado leitor, existe sim essa alternativa e ela está ao alcance de todos através de uma meditação bem executada.
Estamos no momento de tentarmos ver a realidade sobre uma óptica menos superficial e penetrarmos na essência da existência assim como desejou Sartre e muitos filósofos ocidentais. A profundeza de tudo está por trás do mental, está além e acima dele. Deixemos de nos preocupar apenas com as análises, associações e especulações e tentemos durante alguns instantes simplesmente contemplar aquilo que nos rodeia , seja a arte, a pessoa que amamos ou uma grande obra arquitetônica. Faça a experiência, não pense. Assim entenderá o que Fernando Pessoa queria dizer quando falou ``há bastante metafísica em não pensar em nada. ``

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