Terça-feira, 7 de Julho de 2009

ARTE - FLIP 2009


A Festa Literária Internacional de Parati, carinhosamente apelidada de FLIP, já se tornou um grande evento brasileiro, certamente o maior desta matéria no país. Em todas as edições, um dos nossos escritores é homenageado. Este ano, o poeta Manuel Bandeira foi quem recebeu todos os elogios póstumos da sua obra.

Chico Buarque, lançando Leite Derramado atraiu a maior parte da atenção. No entanto, celebridades intrnacionais como Gay Talese, Sophie Calle e Antonio Lobo Antunes também abrilhantaram o evento.

A FLIP é um encontro de idéias, onde a literatura tem o papel central. Uma exposição onde os pensamentos, transformados em palavras, nos dão uma visão melhor do mundo.

Nos próximos artigos discorrerei sobre os escritores que trouxeram as mais interessantes reflexões à Paraty.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

FILOSOFIA - INTRODUÇÃO AO YÔGA ANTIGO

Minha capacidade de aprender com as experiências da vida, ampliou-se muito desde que comecei a praticar SwáSthya Yôga. Acredito que boa parte das vivências que exponho neste blog não seriam vividas, e muito menos, transformadas em texto, caso eu não tivesse travado contado com este método. Pois no próximo 1˙ de agosto, vou ensinar seus aspectos mais importantes, num curso que abrange a história, a beleza e a profundidade desta nobre filosofia.
Para saber mais www.yogadoitaim.com.br




Domingo, 21 de Junho de 2009

ARTE - CELESTIAL!

Mais uma vez tive a sensação de ter vivido o ideal, de ter reunido no plano onírico todas as perfeições concebíveis e independentes da realidade. Pareço ter nascido para viver lá, onde, para mim, tudo se parece mais adequado. Talvez eu devesse fechar os olhos para poder viver de verdade. O Esaú Wendler tem razão quando diz que “a realidade é o pesadelo do mundo dos sonhos.” Mas apesar desta minha fascinação pela subjetividade, sei que ela não moldará o mundo condensado no qual passo a maior parte do tempo.

Aquela maravilhosa música que vez por outra aparece no meu sonho me veio ter de novo esta noite. Quão bela ela é! A satisfação de sonhar só existe porque durmo esperando tê-la ao meu lado. Só para mim. Hoje estava muito forte, mais do que nunca. Ainda está próxima... como se tivesse viajado junto com minha consciência e agora também terá que enfrentar os desafios deste outro mundo, forçando-se para existir - assim como eu - numa realidade que não é a sua.

Onde está a pedra de cal? Tenho certeza de ter deixado-a por aqui. Meu quarto está cada vez pior. Beethoven também era bem desorganizado, talvez porque seja mais fácil sê-lo ou quem sabe, a magnitude dos sons não o deixavam atentar para uma banal camisa jogada num chão sujo. Onde está o cal?

Será que por toda minha vida sentirei prazer em me apoiar na queixeira do violino? Ou em apertar a crina de cavalo do arco? Adoro arrancar os fios que se soltam toda vez que me exalto na expressão de um acorde mais romântico. Está desafinado, até mesmo ajeitá-lo me faz bem.

Ah a música! Na minha memória ela está tão clara! E se eu a trouxesse para cá? É mesmo, eu nunca havia pensado nisto. Talvez por temer que seu encanto enigmático se vá caso eu consiga colocá-la num ordinário aparelho de CD. Por outro lado, imagine poder ouvi-la sempre que eu quisesse. Eu seria tão feliz... e se estas notas não existirem na escala harmônica dos humanóides? E mesmo que existam, se fossem trazidas, talvez não seriam tocadas nem por Paganini num Stradivarius.

Eu queria tanto ter ajeitado aquela sinfonia que compus. Na época, fui um pouco desleixado, não valorizei a criação o tanto que merecia e a música se foi, solta como a água de um rio nos dias de tempestade. Senti um aperto no coração por ela ter se deformado no final. Tal como a argila que, na conclusão de uma escultura, se desfigura por não ter tido o último toque do artista. Acabou por sair sem a presença da minha alma. Despois que estava na partitura da orquestra não pude mais reparar. Até tentei fazer algo semelhante posterirormente, mais bem acabado, mas aqueles esnobes cricris me taxaram de repetitivo. Ainda bem que até mesmo Vivaldi recebeu este atributo, diziam que todas as suas composições eram apenas variações das Quatro Estações.

Dói ter perdido aquela melodia sem que eu pudesse dar o melhor de mim. No entanto, sofro ainda mais por não poder ouvir a orquestra tocando esta melodia celestial que ouço quando durmo. Onde ela estará? E caso eu a encontre conseguirão os músicos tocá-la? Há certas mulheres que de tão belas parecem não merecer homem algum. Mas para minha tristeza, acabam casando-se com um sujeito qualquer, que de impressionante nada tinha. Talvez eu devesse simplificá-la. Tornando-a viva a partir de toques singelos. Nada da exuberância de Wagner, talvez o celestial esteja mais próximo da simplicidade de Grieg.

Vou começar com Ré. Simples como aquela sonata de Bach. Não, não... O simples não é a solução, mas apenas uma fuga que me faz parecer capaz de finalmente realizar este estorvo. Opa, não posso chamar assim a mais bela sonoridade que alguém já escutou e que ninguém conseguiu compor. Vamos lá, de novo. Quem sabe o Lá? É melhor eu ir para o ensaio, já devo estar atrasado.

Agora eu consigo. Está aqui. Pá pá pá pá pá pá pá... eu ouço. Verbalizar não dá, mas ela está aqui, tão perto que consigo tocá-la. Se eu fosse um sensitivo como aquele cara que toca comigo, poderia ver as ondas sonoras movimentando-se neste quarto. Por que as pessoas fazem a cama se todo o dia ela vai amanhecer desarrumada? Não sei, tampouco vou arrumar. Preciso de um papel e uma caneta. Pá pá pá pá pá pá pá... daqui não passa, não vai. Por que? ARGH!!! O ensaio, o café, vou me atrasar.

Ela está mesmo querendo vir ao mundo, nunca havia me pegado de surpresa num lugar agitado como esta padaria. Estou ouvindo-a muito alto, como se tivesse com fones de ouvido. Os sons lá fora não escuto mais. Ela me quer como uma princesa que, apaixonada pelo plebeu, mesmo tendo todo o conforto e a segurança que o um mundo medieval possibilita, luta para se libertar do mundo de fantasia e ilusão que vive dentro do castelo.
- Tem um papel e uma caneta para me emprestar?
- Serve este aqui?
- Não tem maior?
- Pode ser de pão?

A donzela quer tanto que talvez até aceite vir ao mundo num papel de saco de pão. Vem que eu te quero. Pá pá pá pá pá pá pá.... Estou conseguindo porém, preciso manter o foco - tá tá tá tum tá - se não ela se vai. Vou tomar mais um café para manter minha concentração. Se foi. NÃO! Que raiva!

Mas como ela é dengosa, talvez o simples fato de eu ter desejado outra coisa que não fosse somente sua atenção fez com que ela se fosse, sem dar pistas de quando voltará ou quem sabe foi encanto do amor romântico que acaba sempre que se realiza.

Mais um dia que amanheço sem você. Já se vão três meses que você se foi. Continuo te procurando em todo o lugar onde que vou. De fato, me tornei uma pessoa melhor na sua ausência. Estou mais atento e escuto atentamente todos os sons a minha volta, talvez você apareça na freada de um carro, no timbre do comerciante da feira que se esgana para vender seus tomates ou ainda no som das árvores que dançam com o toque do vento. Mas meu coração parece ter perdido o brilho e bate sem ligar para a vida. Tornou-se uma máquina funcionando mecanicamente, da parte mais sentimental do corpo se transformou numa engrenagem que se move graças a um resquício de esperança de tê-la novamente. Desvio todos os dias o meu caminho para comer naquela padaria onde a tive pela última vez. Nunca mais tomei café desde aquele dia e olho fixamente para o quadro que avistava quando você surgiu. Volta para mim Celeste. Você possui nome agora e se soubesse a falta que me faz, você não faria isto comigo. A Arte está perdendo o sentido sem você e minha música não tem mais alma.

Um dia um amigo meu me disse que a melhor maneira para esquecer uma mulher é encontrar outra. Talvez ele tenha razão, pois se substituo um condicionamento por outro, vou apagando as marcas antigas no meu psiquismo. Eu vou esquecê-la. Ela é não é real, só tem força porque não posso tê-la, tal qual uma paixão romântica que tem na impossibilidade de acontecer a força motriz de sua existência. Vou voltar à tradicional escala harmônica e me contentar com o que é humano, mesmo sendo demasiado humano para mim.

Assim como um marido abandonado que para não perder a pose supervaloriza a nova amante, mesmo sabendo que a nova jamais chegará aos pés daquela que ele tinha, não poderei sair tão por baixo desta situação. Este é o momento para ousar, compor, assim como Lizt, uma sinfonia para eu mesmo solar. Com certeza, depois de um final triunfante, com os fagotes soprando um allegretto vibrante e o rufar dos tambores fazendo o teatro tremer, eu a apagarei completamente da minha memória com um último acorde antes de ser ovacionado pela platéia.

Minhas mãos estão tremendo. Eu ensaiei tanto, não há porque ficar nervoso agora. Eu sei que nunca solei num concerto de minha autoria, mas isto não é motivo para tensão. Não há diferença entre ensaio e apresentação, pelo menos é o que dizia Leonard Bernstein, embora isto não seja verdade, agora terá que ser. Não posso mais tremer. Respiro.

Não estou sentindo entusiasmo da platéia. A pior coisa para um artista é perceber que as pessoas não estão correspondendo. Será que é o meu desempenho, ou será que é a música? Isto seria ainda pior. Bom, também não posso depender da aceitação dos outros para me expressar. O que? É você? Agora? Não ... Eu não posso. Por favor saia dos meus sentidos, você está me atrapalhando, e não a desejo mais. Preciso me concentrar, o andamento, vou olhar apenas para o maestro. Vá embora. Estou te vendo Celeste. A música parou. É agora. A única chance que tenho de ter. O maestro está me olhando com cara feia, mas é você que eu quero, você está linda. Todos os violinos estão me olhando e você está surgindo tal como eu sempre escutei. Sinto a platéia, o maestro não entende, mas deu de ombros. Que lindo! É você como eu sempre sonhei... Musica vinda do Céu.

Domingo, 14 de Junho de 2009

ARTE - É SOMENTE VOCÊ COM VOCÊ MESMO



Uma força concentrada abaixo do seu corpo o leva para cima da superfície e ele começa a movimentar os braços, ao tocar a água sente suas mãos ainda mais geladas. Quando a esquerda vence a resistência da superfície, ele a empurra mais para baixo e depois a puxa para trás, conduzindo-a até o quadril. Ao sair, entra a outra para repetir o mesmo semi-círculo.

Quem o avista de cima do morro, vê apenas mais um desconhecido, de roupa preta, boiando e agitando os braços no oceano. Mas ele está dentro do movimento e vive um certo "ênxtase" de tanta consciência que deposita no ato. Questionou-se outrora se seria melhor ficar com o braço mais ou menos tempo dentro da água, testou as duas formas e como não percebeu diferença alguma, deixou a circunvolução, ocorrer naturalmente.

Mais por intuição do que pelo que vê, sabe que precisa estar rapidamente lá fora. Faz mais força. Rema. O mar cresce à sua frente e a primeira onda passa eclipsando a visão do sol quase vermelho que se põe no horizonte. Quando conheceu o outro lado do continente, afligiu-se por não poder desfrutar da magnífica imagem da bola laranja mergulhando no oceano. Decididamente ao se por atrás das montanhas não produz aquele efeito deliciante nas retinas.

A segunda onda parece ainda maior. Por fora é apenas um movimento do mar, por dentro, uma maré de sensações alarmantes que chegam como uma forte pontada nas suas entranhas. Se parece com a que sentiu há alguns anos quando a menina que tanto apreciava apareceu na festa. O medo e o desejo andando lado a lado, como se um fosse extensão do outro. O pavor da reprovação competindo com a possibilidade da glória. E assim como a garota, ele a deseja somente para si. As disputadas influenciam a intensidade do seu querer. Ele a quer, de verdade, quer sim, quer muito.

Pensar em como as pessoas o admirarão após a conquista invariavelmente influenciará seu desempenho e como somente a excelência irá satisfazê-lo, é preciso que esteja unicamente consigo.

A onda vem. Sua prancha que até então tem seu bico apontado para o horizonte se vira para a praia. A sensação gélida que outrora sentira apenas nas mãos, se espalha por dentro do seu corpo. Lembra da admiração dos outros e sua inquietude se acentua. Volta-se para si. Sente-se. Respira fundo. Volta a pensar nos outros, apreensão, torna a si. Mais uma respiração sentida.

Ele rema. A imprevisibilidade do mar desaparece. É como se ele tivesse descendo uma rampa de concreto. Ele se integra ao movimento e ao chegar na base, volta a subir. Precisão. Faz exatamente o que deseja. Busca o topo da onda e completa o movimento. É preciso e perfeito. Êxtase. Euforia. Olha para os lados, ninguém o viu. Está só...

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

FILOSOFIA - FEST-YÔGA E IRON MAN TUDO NUMA MESMA ILHA

Tive a sorte poder frequentar no mesmo final de semana em Florianópolis dois eventos bastante motivantes: o Festival Internacional de Yôga que acontece todos os anos na Praia dos Ingleses e o Iron Man que também tem sua largada anual bem próximo dali, em Jurerê Internacional. Apesar de parecerem destoantes, estas duas modalidades se assemelham em diversos aspectos. A começar por uma disciplina ferrenha que tanto os yôgins, que se dedicam seriamente a esta filosofia, quanto os Iron mans possuem. Nos dois casos, a dedicação e o amor pelo que fazem são muitas vezes incompreendidos pelos demais mortais.

Durante a prova do Iron, meu avô, que me fazia companhia no evento, indagou “Eles não possuem patrocínio?” Poucos, menos de 10% dos 1500 atletas que se jogaram na água fria do mar naquele domingo escuro possuíam algum tipo de incentivo financeiro. Os demais são empresários, profissionais liberais, engenheiros e fazem aquilo tudo por puro life style. Também é comum as pessoas estranharem o fato de um praticante de SwáSthya Yôga seguir as orientações desta filosofia, mesmo estando integrado “ao mundo real”. Pensam que tanto os Irons quanto os yôgins não possuem profissões e que estes últimos ainda vivem isolados na montanha se alimentando de luz. Quanto estereótipo!

Mas no que mais os SwáSthya Yôgins e os Irons se assemelham é que por buscarem objetivos extremamente audaciosos visam a alta performance em tudo o que fazem. É difícil dizer se nadar 3600 metros, pedalar 180 km e depois de tudo isto ainda correr os 42km de uma maratona é mais difícil de se alcançar que a meta da filosofia indiana, um estado de consciência denominado samádhi e que representa a hiperconsciência ou mega lucidez.

O que podemos aprender com estes dois estilos de vida é que para se alcançar qualquer grande objetivo em nossas vidas, precisamos manter uma prática enérgica e cultivá-la por um longo período de tempo, sem interrupção e com profunda dedicação e também é necessário subjugar a compulsão pelas dispersões, que certamente aparecerão para nos tirarem do caminho.









Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

ARTE - MASP ESPECIAL


O MASP está merecendo uma visita. Com três exposições de altíssimo nível o Museu de Arte de São Paulo está de parabéns. Destaque especial para o mais Nova Iorquino e reconhecido dos artistas brasileiros Vik Muniz. Seu trabalho é de uma dedicação e precisão de impressionar a qualquer um.

A história de Vik Muniz é bastante interessante. Ele morava em São Paulo, trabalhava com publicidade e jamais pensara em ser artista. Um dia foi apartar uma briga na rua e quando estava voltando para o seu carro um dos indelinquentes atirou na sua perna. O cara era rico e ofereceu uma boa grana para que ele não prestasse queixa. Vik aceitou a proposta e revoltado com a violência brasileira rumou para os EUA. Mesmo recomeçando a vida limpando supermercado conseguiu tornar-se um expoente artista reconhecido mundialmente. Claro que ficamos questionando. E se ele tivesse ficado no Brasil, mesmo tendo uma situação financeira melhor, conseguiria desenvolver plenamente o seu talento?

A questão fica no ar, mas a sugestão é veemente: visite o MASP, você não vai se arrepender.

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

FILOSOFIA - MAratona de Porto Alegre

Existe uma grande mística na idéia de se completar uma maratona. Falar sobre este assunto com os amigos é pedir para ser tachado de louco ou masoquista. No entanto, como com quase tudo que pensamos ser impossível de se realizar, somos nós mesmos que criamos, dentro das nossas cabeças, os maiores obstáculos. Tornar desafios realidade depende somente de vontade transformada em ação e de enfrentar o receio, como descrevi no artigo A PSICOLOGIA DO MEDO.

A minha primeira maratona não começou em Porto Alegre no dia 24 de maio de 2009 às 7h e 15 min. com a largada na beira do Rio Guaíba, mas há 4 anos atrás quando dei o primeiro trote de 15 minutos no Parque do Ibirapuera e quase morri de cansaço. A preparação feita com constância e disciplina é a chave para se vencer qualquer tipo de desafio. É o treino que faz o gênio. Mas esta disciplina jamais pode ser incorporada como uma auto-flagelação, if you no pay, no play. Acredito que disciplina seja muito mais uma questão de se fazer uma boa escolha - algo pessoal, significativo, que você goste e que tenha identificação com seus valores - do que sofrer para ter o direito de ser feliz.

Comecei a prova muito bem (naquele momento eu achava que aquilo era bem!). A cidade acabara de amanhecer e estava lindíssima, vazia, limpa com a formosura do rio, completamente sereno, estimulando os atletas. Foi nostálgico correr pelas ruas que passei tantas vezes na infância sem dar muito valor e vê-las agora como um turista que observando tudo pela primeira vez, caminha atento a tudo que há ao seu redor.

Eu me planejara correr os 12 primeiros quilômetros a uma média de 5min. e 15seg. cada km, para depois disto, buscar o 5’ para cada km. Mas o começo de toda prova longa é bastante traiçoeiro, soma-se a ansiedade com o descanso total e isto nos faz acreditar que poderemos manter um ritmo forte por todo o tempo do mundo. O que é até admissível numa prova mais curta como uma meia-maratona, mas se torna impossível quando temos que correr por mais de 3 horas.

Mantive esta média, de 5 minutos por quilometro - 12km por hora - até o km 32. E se continuasse neste ritmo terminaria em 3h e 30min, mas aí um cansaço insuportável tomou conta da mim, não era só do corpo, era mais profundo que isso, era da minha consciência mesmo. Neste ponto da prova, cheguei a cogitar abandoná-la, foi quando percebi que poderia optar entre desistir ou terminá-la com um ritmo mais fraco. Por incrível que pareça, esta decisão tornou a corrida muito mais divertida. Apesar da fadiga comecei a sentir mais prazer no que estava fazendo, aquilo tudo era apenas para mim mesmo e a decisão em correr mais devagar era só minha. Caminhei em alguns trechos e ao encontrar meus pais no quilômetro 38 até parei para comer a batata quente que eles me trouxeram, dei algumas risadas com o fato de eu estar quase morto e prossegui.

Os últimos 4km não foram fáceis, no final de uma maratona o tempo parece não passar. Mas ao cruzar a linha de chegada a satisfação é tanta que suplanta qualquer esforço. Tive a presença de espírito de parar e curtir aquele instante, estava realizado e muito feliz, apesar de todo o cansaço. Um significativo objetivo pessoal havia sido cumprido.