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Minha querida aluna Mônica Bauer acaba de lançar um blog com dicas das atividades culturais de São Paulo.
Vale a pena conferir!!

http://culturadoria.wordpress.com/









Nos anos 70, Marina Abramovic viveu uma intensa história de amor com Ulay. Durante 5 anos viveram num furgão realizando todo tipo de performances. Quando sentiram que a relação já não valia aos dois, decidiram percorrer a Grande Muralha da China; cada um começou a caminhar de um lado, para se encontrarem no meio, dar um último grande abraço um no outro, e nunca mais se ver.

23 anos depois, em 2010, quando Marina já era uma artista consagrada, o MoMa de Nova Iorque dedicou uma retrospectiva a sua obra. Nessa retrospectiva, Marina compartilhava um minuto de silêncio com cada estranho que sentasse a sua frente. Ulay chegou sem que ela soubesse, e foi assim.


Um dia tive uma longa discussão com meu professor sobre o valor de um legado. Marne sabia, mesmo sem eu ter dito*
*ele sempre sabia coisas sobre as pessoas sem elas dizerem. Questionava-me se aquela paranormalidade nascera com ele ou se foi desenvolvida pela literatura.
da minha admiração por empresários que deixaram grandes obras para a humanidade.
Então Daniel, me fala um grande industrial brasileiro do século XIX? Matarazzo.
Fala outro. Agora não lembro. Pois, eu te digo agora pelo menos cinco escritores que ficaram para a história. O valor de um escritor para a identidade e força de um país é incomensurável.
Na hora eu não concordei plenamente com o argumento, mas guardei.
Foi em Budapeste, quando me perguntei sobre a razão de estar visitando um lugar tão distante, com tantas outras opções aparentemente melhores, que a voz do Marne voltou a ecoar no meu subconsciente. Pois eu estava lá por causa de um escritor. Meu desejo de conhecer a Hungria foi despertado pelos livros de Sandor Marai.
Pergunto, como este tipo de informação entraria numa estatística econômica? “Neste ano, 230.000 turistas visitaram a Rússia motivados pela leitura de Dostoievski, Tolstoi e Tchekhov.” Me aventuro a dizer que boa parte do encanto que temos por Nova York foi construído anteriormente pelos filmes, seriados e livros que lemos sobre ela. Os americanos sabem exatamente desse retorno econômico que a cultura gera. Seus investimentos astronômicos nessa área não são fruto de mecenato.
Sendo assim, a importância que Barba ensopada de sangue terá para a cultura do pequeno balneário de Garopaba jamais poderá ser medida em números. O que posso falar é da minha experiência com o livro e (aí vem um dado concreto) da minha visita à cidade, que não aconteceria sem ele. Conheci Garopaba em 88, quando meu tio Ledo organizou um campeonato histórico na praia da Silveira. As ondas de 12 pés ganharam as capas de todas as revistas especializadas além do rádio e TV. Anos depois, meus pais compraram uma casa em Ibiraquera, que fica bem perto dali, mas nunca me encantei muito pela cidade. Após a leitura de Daniel Galera, Garopaba ganhou outra importância para mim - senti uma vontade imediatista de passar por lá assim que pisei em Ibiraquera, coisa que nunca me acontecera.  Agora, suas ruas parecem brilhar, a praia ganhou beleza e seus moradores passaram a ser todos personagens de um belo romance.
Uma palavra para definir a escrita de Galera é – Precisão, e talvez seja isso que nos prende tanto aos seus textos. Acredito que um escritor é preciso quando você para de ler o livro e a voz do narrador entra na sua cabeça e passa a narrar os acontecimentos da sua vida.
Posso prever que Barba ensopada de sangue será um livro para ficar para a história da literatura brasileira e torço para que daqui um século ou dois Daniel Galera seja mais lembrado que o patético Eike Batista.   

ABAIXO ALGUMAS FOTOS DOS LOCAIS ONDE A HISTÓRIA SE PASSA
Morro de pedras da Praia da Ferrugem

Praia de Ibiraquera vista da Ribanceira

Lagoa da Ferrugem
Casas à beira da Garopaba (casa do nadador)

Lagoa de Ibiraquera

Academia na Subida da Praia da Silveira

Praia da Garopaba

Sorveteria GeloMel

Cabana na beira da Lagoa da Ferrugem (casa de Jasmim)

Bar do Zado


Pedras da Ferrugem

Beta mancando?

Pescadores de Garopaba

Pet Shop da Palhocinha

Igreja Matriz
Praia da Silveira

 

Henry James era um sujeito fascinado pela arte. Procurava seus personagens em ateliers, vernissages e nas conversas com outros artistas. Escreveu muito sobre a relação entre a arte e a vida. Esse livro é uma coleção de quatro contos que tratam desse assunto. Indicado a todos aqueles que também apreciam as artes plásticas e o fascinante mundo dos seus realizadores. 

Me chamou a atenção uma passagem na qual James parece dar um recado aos menininhos do nosso tempo que adoram exibir, o tempo todo, fotos pessoais. O personagem é um ancião, self made man, patriarca de uma grande família e que só se deixa ser retratado no final da vida. 

“Sustentava que um cavalheiro deveria ser pintado uma única vez na vida e que era uma demonstração de avidez e de presunção ter quadros seus espalhados por toda parte. Isso era apropriado para as mulheres, que proporcionavam um belo padrão para adornar paredes, mas o rosto masculino não se prestava à decoração repetitiva.”      

Quando pisei pela primeira vez em solo parisiense tive uma certeza - se existe vidas passadas, eu já morei aqui. Surpreendeu-me a afinidade que eu tinha com a cidade, sentia-me em casa, como poucas vezes havia sentido. Ao assistir o filme O Amor que se passa inteiramente num apartamento de Paris, comecei a notar mais elementos franceses que sempre me fascinaram, alguns sem eu nem lembrar que vinham de lá.


AMO - A língua francesa, insuperável em sua doçura e sofisticação, a arte e os movimentos nascidos nos cafés de Saint Germain des pres que depois influenciaram o mundo todo. O ritmo do cinema francês me encanta. Aprecio os escritores franceses e seu estilo, Flaubert, Proust, até Joyce que não é francês, mas morou lá muito tempo e só conseguiu ser publicado em Paris. Gregoire Bouillier um francês adotado. Adoro as capas do livros franceses, a Gallimard e suas capas brancas de papel leve. A prensa francesa sempre foi minha favorita no Starbucks. Até a arrogância dos franceses eu entendo. A música, o sabor da água Evian vinda degelo do Mont Blanc, seus queijos, pães, pain chocolat, aquela manteiga President...  Aaaaaa são tantas coisas para amar e há ainda muitas outras que esqueci.

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Não que eu tenha passado o feriado inteiro lendo, mas a combinação de aeroportos, praia e ócio me possibilitou acabar três bons livros esse final de semana. Vamos ao que tenho a dizer sobre eles.



On the road de Jack Kerouac
O livro de Kerouac já nasce como um clássico, sua importância atravessa as décadas e apesar do autor negar, foi esta obra que influenciou a ideologia hippie de viagens sem destino e liberdade sexual. Ele antecipou tudo o que seria vivido pela América nos 60’s.  O entusiasmo de Jack por estar na estrada ressoa na alma daqueles que também nasceram como nômades natos. Sua escrita tem por objetivo ser um reflexos do fluxo dos nossos pensamentos, fluidos, ininterruptos e nem sempre seguindo uma lógica.
A tradução para o “brasileiro” (a edição portuguesa usava termos como boleia para designar carona e Oregão para o estado americano de Oregon) do também escritor e historiador Eduardo Bueno, o Peninha, merecidamente ganhou muitos prêmios quando foi lançada em 1984. O fato de Peninha ser um verdadeiro Beatholics deve ter contribuído muito para seu trabalho. A introdução que ele dá ao texto é fantástica apresentando toda a importância literária deste livro que marcou época e que continua influenciando gerações.
“Bod Dylan fugiu de casa depois de ler On the Road. Chrissie Hynde, dos Pretenders, e Hector Babenco, de Pixote, também. Jim Morrison fundou The Doors. No alvorecer da década de 90, o livro levou Beck a tornar-se cantor, fundindo o som das ruas com a poesia beat. Jack Dylan, filho de Bob, deixou-se fotografar ao lado da tumba de Jack em Lowell, Massachusetts, como o próprio pai fizera, vinte anos antes. Em 1992, Francis Coppolla (o produtor), Gus Van Sant (o diretor) e Johnny Depp (o ator) envolveram-se numa filmagem nunca concretizada do livro – e apesar da diferença de idade, os três compartilham o mesmo fervor pela obra.” Preciso dizer mais? 


Tannhäuser em Paris de Baudelaire
O autor de Flores do Mal e de muitas peças de sucesso no teatro não era apenas um artista completo, mas também um grande crítico de sua área “um poeta que não seja também um crítico é um artistas incompleto” dizia ele. Pois Baudelaire fez contribuições importantíssimas a literatura como a tradução de O Corvo para o francês e praticamente descobrimento de Allan Poe.
Neste livro, Baudelaire vai à defesa de um dos maiores gênios da história da música. Richard Wagner. Hoje não se consegue conceber, alguém criticando a capacidade criativa de Wagner, mas seus contemporâneos custaram e muitos morreram sem reconhecer seu talento. Esse livro é um estudo sobre a obra do compositor alemão e como ele conseguia conciliar em suas peças Teatro, poesia, música e filosofia. Um livro indispensável aos amantes da música erudita.

O Africano - Le Clézio
Meu primeiro contato com Le Clézio foi o livro Pawana, que figura entre meus top 10, depois tentei ler A Quarentena, mas não gostei e larguei no meio. Resolvi dar uma nova chance ao escritor francês e não apenas gostei de O Africano como entendi porque meu desgosto pelo outro. Le Clézio é um escritor de uma precisão incrível e não economiza em detalhes ao descrever cada cena de suas histórias, isto faz com que o livro se torne interessante, mas ao mesmo tempo com um ritmo lento demais para uma história longa. Pawana e O Africano são livros curtos de um pouco mais de cem páginas, já A Quarentena ultrapassa 300 e a partir de um momento a história se torne maçante. O vencedor do Nobel em 2008 é dono de uma capacidade, que eu até então desconhecia em outro escritor, de conciliar a prosa com a poesia, suas frases são milimetricamente deliberada e se nota um apreço muito grande por quem as vai ler. Livro muito sensível retratando a parte de sua vida vivida na África e todas as dificuldades que seu pai passou morando décadas no continente mais pobre do planeta.

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Para fazer uma análise do filme ganhador da Palma de Ouro em Cannes, primeiro é necessário que se entenda a diferença entre entretenimento e arte. O primeiro, como o próprio nome diz tem como objetivo entreter, divertir, distrair. Já a arte se propõe a marcar de alguma forma o espectador, fazê-lo refletir, sentir com mais profundidade, quem sabe. Algumas obras, não apenas no cinema, conseguem conciliar os dois mundos, como por exemplo As aventuras de Pi, mas não por isso são necessariamente melhores ou mais completas que aquelas que se dispõe a uma só coisa.
O Amor retrata a vida de um casal de octogenários apaixonados e cúmplices mesmo que nada seja dito entre eles. Tudo começa a mudar quando a personagem Anne, interpretada pela atriz Emmanuele Riva que recebeu indicação ao Oscar 2013, começa a sofrer com as conseqüências mais duras do envelhecimento - dificuldade para se movimentar, falar e até mesmo pensar.  
Ouvi pessoas dizendo que o filme é lento - aqui entra a importância de se saber diferenciar. Como o diretor austríaco Michael Haneke não tinha a intenção de animar a platéia e sim, como disse Bukowski “estou fotografando a vida”, se acharam o filme lento – touché, era isso que ele queria. Afinal, como é a vida de um casal aposentado com mais de 80 anos se não um vagaroso desenrolar de dia após dia? E esse ritmo arrastado, propositadamente, joga o espectador para dentro da existência dos idosos, fazendo com que ele se sinta morando junto naquele antigo apartamento de Paris. Passamos a saber mais de suas vidas que sua própria filha que não vive ali. A dificuldade que o senhor interpretado por Jean-Louis Trintignant tem para manter sua amada viva e animada é tão bem retratada que a platéia sente vontade de sair da cadeira e ir lá ajudá-lo. E isso fica cada vez mais presente a medida que o tempo passa e as dificuldade de Anne aumentam.
O filme é de uma sensibilidade que desmonta a todos e amplia a certeza de que o tempo é o melhor remédio, mas também é o mais corrosivo dos ácidos.  

   



Dezoito anos passados desde a morte do escritor, reproduzimos uma célebre entrevista feita pelo ator Sean Penn. O encontro ocorreu em 1987, quando o ator estava em Los Angeles para protagonizar Barfly, um filme-biografia sobre a vida de Bukowski, que ultrapassou em muito o território da literatura. Na última hora, porém, Sean perdeu o papel que foi entregue a Mickey Rourke. A entrevista se manteve e tornou-se memorável. Por razões de edição, a intervenção de Sean Penn concentra-se em escolher assuntos, pontos, questões que Charles Bukowski enfrenta como sempre: debochadamente, desbocadamente, cinicamente e… apaixonadamente, como era do feito daquele último beatnik, primeiro punk, amante das mulheres, das corridas e proprietário de frases e pensamentos sem freios.

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