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Algo intrigante nesta minha obsessão por mentes superdotadas é que dificilmente os gênios aparecem sozinhos. Parece que existe uma tendência kármica de colocar vários talentos todos ao mesmo tempo no mesmo lugar. Um exemplo disto é o filme brasileiro Uma noite em 67 que retrata o festival de música brasileira daquele ano. Disputam a final nada menos que Roberto Carlos, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Edu Lobo, nomes que mais de 30 anos depois continuam sendo os maiores destaques da nossa música. Nunca mais apareceu um grupo assim. Me questiono se isto acontece pelo fato de uma mente muito brilhante influenciar outras e elevar o nível do grupo ou se é a concorrência entre vários destaques que os alça ao patamar de gênios.



Em tempos de Mega-Sena acumulada é interessante observar como Tchekhov consegue  penetrar a psique para mostrar até que ponto pode ir a avareza humana.

 
Ivan Dmítritch, homem remediado que vivia com a família na base de uns 1200 rublos por ano, muito satisfeito com seu destino, certa noite, depois do jantar, sentou-se no sofá e começou a ler o jornal.
- Esqueci de dar uma olhada no jornal de hoje – disse sua mulher tirando a mesa. – Dê uma espiada para ver se saiu o resultado do sorteio.
- Saiu – respondeu Ivan Dmítritch -, mas você não penhorou seu bilhete?
- Não. Paguei os juros na terça.
- Qual é o número?
- A série é 9499, bilhete 26.
- Então… Vejamos… 9499 e 26.


Ivan Dmítritch não acreditava na sorte da loteria e em outra ocasião jamais se daria ao trabalho de verificar a lista. Agora, porém, que não tinha nada para fazer e o jornal estava bem debaixo de seu

 


Acabou a Festa Literária Internacional de Paraty. Sentiremos saudades das ruas tortas com suas pedras desajeitadas, dos carrinhos de doces, dos cafés nos intervalos das palestras, da muvuca dos autógrafos, das lindas casinhas coloniais, da Tenda dos Autores e acima de tudo da magia que a faz da FLIP o maior evento literário da América Latina.

Eu já participei de muitos eventos empresariais no estilo da FLIP e o que me deixa mais entusiasmado com a Festa Literária é que nesses outros eventos o palestrante sobe ao palco fala sobre a sua  experiência, conjuga, na maior parte do tempo, os verbos na 1a pessoa conclui e vai embora.

Me agrada muito ver os escritores dizendo "essa idéia eu peguei do Machado de Assis..." ou de outro qualquer. Também me felicito ao ver que sempre quando dois escritores sentam para falar, ambos já leram as obras um do outro, mesmo que haja um gap de fama entre eles. E o mais incrível é que independentemente de quem esteja palestrando terá na platéia os escritores convidados. Parece que todos estão ali para se divertir e aprender um pouco mais com os mistérios da vida que nem eles conseguem desvendar e por isto contentam-se apenas em contemplar.

Para ver as fotos do evento clique AQUI


Li uma crônica de Nelson de Oliveira na qual ele sugere que hajam concursos literários também aos melhores leitores. A idéia é interessante, afinal, o que seria dos escritores se não houvessem os

" Já ouvi colegas escritores dizerem que não conseguem ler enquanto estão trabalhando num livro prórprio, por medo de que Tolstoi ou Shakespeare os influenciem. Sempre tive a esperança de que eles me influenciassem, e me pergunto se teria aceitado de maneira tão feliz ser uma escritora se isso tivesse significado que não poderia ler durante os anos que podemos levar para completar um romance."    Francine Prose - Para ler como um escritor



Acabei de ler Alta Fidelidade do Nick Hornby. Eu já amava o filme, mas depois do livro, acho que vou montar um fã clube. Pois bem, vou confessar uma coisa para vocês. Eu tinha uma idéia de literatura

Decidi escrever este post, pois estava caminhando na rua de um bairro nobre de São Paulo e percebi, sem entender muito bem, que 80% dos prédios tinham aquele estilinho francês, que parece ser o úncio aceito nesta cidade. Será que os arquitetos não têm outros projetos? Estarão totalmente vendidos a um mercado sem exigência? Imediatamente lembrei da arquitetura de Santiago. Por lá, os prédios são todos diferentes, originais e bonitos. São Paulo tem perdido muito de sua estética com esta moda que ninguém consegue entender como pegou.
Este filme mostra muito bem o que acontece por aqui.
"Depois põe um nome francês." - Muito bom!

http://www.youtube.com/watch?v=nMY6vhiTUzA

Em seu conto Je ne parle pas français, Katherine Mansfield, a escritora que mais influenciou Clarice Lispector diz "... a Vida parece se opor a conceder-lhes essas entradas de cena; parece estar empenhada em arrebatá-las de você e torná-las impossíveis, mantendo-se nos bastidores até que seja de fato demasiado tarde..." e parecia mesmo que ela queria nos sacanear, nos deixou vários dias sem onda, apreensivos, sem sol, pegando muito vento e frio.

Mas daí Katherine continua "Uma única vez ao menos você tem a velha bruxa a seus pés." E nós tivemos esta oportunidade quando decidimos desistir do surf e mudar de esporte. Rumamos para Santiago e subimos as intermináveis curvas que conduzem ao Valle Nevado. A sensação de ver neve para nós que moramos num país tropical é algo que nos remete aos filmes e por isto nos extasia tanto. Foi lá, a 4000 metros de altitude, que a viagem teve seu melhor momento, justamente, em seu último momento. As horas que passamos nas pistas de ski compensaram toda a espera pelas ondas e por tudo mais que queríamos e que não tivemos nesta viagem. E mais uma vez o Chile, superou nossas expectativas.

FOTOS

O surf é certamente o esporte que mais depende de fatores externos. Para que as ondas quebrem de forma perfeita recebem influência  do vento com força e direção, da ondulação, também com tamanho e intensidade, correnteza, enfim. São tantos os fatores que atuam sobre o mar que este esporte torna-se uma verdadeira loteria da natureza e talvez seja justamente isto que tanto fascina seus praticantes.

Desta vez, estavam todos estes fatores acertados, tudo perfeito, e por isto a expectativa era enorme. Mas expectativas, sabemos como são... acabaram por  não corresponder e nos chatearam. Foram 4 dias no sul do pais pegando muito vendo, pouca onda e até um pequeno terremoto de 5,7 na escla Richter que fez nossa casa tremer.

Agora estamos na mais famosa praia do Chile. Esperamos que Pichilemu nos traga mais sorte.


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