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A viagem passa da metade! Juntaram-se a nós mais três amigos Tati, Lucas e Mateus. O grupo ganhou em diversão, as ondas apareceram. Um estado de excitação, agora toma conta dos surfistas. Eu e o Rafa sempre cogitamos viajar para outro lugar, pegar ondas diferentes, mas quando as daqui quebram, nos fazem esquecer que outra possibilidade existe. Nos dá aquela sensação de que não desejamos estar em nenhum outro lugar, a vivência plena do momento presente, em uma palavra – FELICIDADE!
Tudo parece caminhar para a perfeição, boas ondas, excelente companhia e cozinheiros de primeira. Sentirei muita falta no momento em que não pararmos de levar nossas pranchas para praia e após muitas horas de remada não tivermos mais nossas conversas na sala espalhada.


Passamos um dia maravilhoso em Santiago, não é fácil para quem surfa ficar numa cidade sabendo que ondas perfeitas podem estar quebrando a poucas horas dali. Mas sou um cara que gosta de cidades, gosto também de locais inóspitos, no entanto, não tenho essa coisa de achar que estar na natureza é necessariamente melhor que numa capital. Sendo assim, aproveitei bastante Santiago, visitamos um lindo museu (GAM), comemos em um bom restaurante (Republicano) e fizemos compras (Sports Mall).
Agora, estou escrevendo com o mar quebrando nas minhas costas, o Rafa e a prepara nosso almoço, a Célia toma sol na varanda e logo mais, iremos andar a cavalo. Esperar que toda a satisfação venha das ondas, pode gerar muita frustração. E Frustração, expectativa e satisfação são sensações bastante presentes no surf. O mar ainda não nos deu chance desde que chegamos em Pichilemu (no final da tarde desse dia conseguimos surfar, conto depois). O que temos a fazer é aproveitar as outras possibilidades que o local nos oferece. Sempre há muitas coisas que jamais fazemos que estão ali, prontas para serem desfrutadas mas que nossos hábitos não nos permitem experimentar.
    


Tomei um café. Tem uma voz na minha cabeça narrando o que devo escrever. Escrever não é um ofício fácil, embora todo mundo “saiba” escrever desde que tem sete anos. Escrever dá medo e quanto mais você escreve mais medo dá. Quando você atinge um bom patamar de escrita e leitura você sabe que bons leitores irão julgá-lo, quer você queira, quer não e eles não perdoam! Mas, vamos lá, vou tentar ser menos pretensiosos (mas eles vão julgar mesmo assim, eu sei, publiquei, serei avaliado, não tem saída), eu falava do café.
Ganhei um aliado. Um fone mega tecnológico, daqueles que não passa nenhum som. Sempre quis ter um desses. Encantado! Estou escrevendo dentro de uma sala de concerto, só ouço o que me interessa e assim, ninguém pode mais me atrapalhar.
Tudo pronto. Vou tentar trazer a voz de novo. Ela está dizendo que gostou da introdução. “Está bem contemporâneo, quem sabe você fará parte da Geração 10” é um livro com coletâneas de novos escritores que sai de 5 em 5 anos e que o Marne, meu professor de literatura, participou esse ano quando ela se chamou Geração 00 e juntou os melhores escritores que haviam sido publicados na 1a década dos 2000.
No aeroporto. Como era de se esperar o vôo atrasou. Estou a caminho de Santiago, sim, quem é meu leitor sabe o quanto eu gosto do Chile. Passarei doze dias desconectado, free as bird,  podendo medir o impacto contraproducente da internet no meu rendimento. Estou feliz, sei que não dependo dela, embora ela insista em não desgrudar de mim. Aguarde, isto é apenas uma introdução, novos e bons textos virão nos próximos dias.



Rejane
Acabei de ler seu blog. Confesso q ouvi c certo preconceito qnd vc disse q também escrevia. Ainda mais poesia, pois hj em dia o que mais vejo na internet são falsos sabichões metidos a poetas. Isto me irrita um pouco, sabe? Parece que todos usam a mesma receita de mal gosto – Jogam um monte de palavras desconexas. Depois adicionam - amor, sentimento e paixão. Incluem - alma, desejo e sonhos a gosto. E pronto – “Poesia”. Não sei se vc estudou literatura, mas a poesia é a forma mais perfeita da escrita. É a palavra em seu estado mais lapidado. Por isso, me dá nos nervos ver esses canalhas fazendo isto com ela.
Mas enfim, gostei bastante dos seus textos. Vc leva jeito p coisa, não me parece que usa tais receitas rsrsrsrs. Gostaria de voltar vê-la para falarmos mais sobre isto. Qnd podemos marcar?
Bjs

Antônio Augusto
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Sabe quando você começa a pensar numa coisa e coincidências relacionadas a ela vão aparecendo? E aí você nunca sabe se aquilo tudo sempre esteve ali e você não percebia ou se de fato começaram a acontecer junto com sua descoberta.
Pois bem, é isto que está ocorrendo comigo em relação à bicicleta. Após usar e me encantar por este meio de transporte na viagem que fiz à Londres e Paris (ambas as cidades possuem um sistema com o qual você pode alugar uma bicicleta a um preço irrisório e devolvê-la em qualquer parte onde aja um posto destes), voltei para São Paulo perplexo de como uma forma tão inteligente de deslocamento não é devidamente aproveitada no nosso país, especialmente em cidades com trânsito tão caótico como São Paulo.
Com certa indignação, publiquei estas frases no meu Twitter @danieldenardi :
- O ciclista deveria ser venerado pelos motoristas e não desrespeitado. Ele é a solução e não o problema do trânsito.
- O ciclista ainda é visto como o estorvo do trânsito. No entanto, boa parte da solução dos engarrafamentos passa pelo uso de mais bicicletas.
- Quem buzina para ciclistas deveria ser obrigado a comprar uma passagem para a Europa para aprender um pouco de educação.


David Byrne foi à FLIP para vender a mesma ideia (e também seu livro Diário de Bicicletas - Editora: Amarillys) e apresentou projetos de sucesso em diferentes partes do mundo. O líder do Talking Heads também falou sobre o quanto vias rápidas dentro de cidades afastam as pessoas do convívio social e dificultam o comércio. Há muitas metrópoles fazendo modificações arquitetônicas para que as pessoas caminhem mais pelas ruas e consequentemente interajam mais com as lojas. A bicicleta tem outra grande vantagem, que também menciono no vídeo abaixo que fiz das minhas voltas por Londres, pois com ela pode-se parar a qualquer momento e ver coisas em detalhes que de carro você jamais perceberia.
Para finalizar, neste mês de julho a Revista Trip, estampou a bicicleta em sua capa e trouxe o debate à tona, inclusive com opiniões do próprio Byrne que passou por São Paulo e também fez seus passeios por aqui. Enfim, o respeito e o estímulo ao ciclismo são imprescindíveis para a melhoria da nossa qualidade de vida e do tráfego das grandes cidades.  



Não espere algum significado epifânico para este título porque não há, nem sei porque o escolhi, este texto mesmo está longe de tê-lo. Deixo-o de lado se é isto que está buscando. Deu vontade de escrever e não vou deixar passar. Vontade de escrever não é algo que aparece sempre, nem mesmo para os mais treinados e já que surgiu vou aproveitá-la.
No avião, voltando para o Brasil, depois de uma viagem inesquecível para o Valle Nevado. Não pretendo fazer um diário de bordo, muita gente já faz isso bastante bem e eu particularmente acho um pouco chato. Vou jogar aqui uns acontecimentos e outras inutilidades, se estiver bom...


Voltei domingo da FLIP, nem consegui escrever sobre o que meu amigo Walter (este com W e maiúsculo) chamou de Disneylândia da intelectualidade e estou agora em Santiago aguardando o sono chegar pois amanhã terei um longo dia de snowboard. Os intelectuais de plantão podem dizer que escrever sobre uma viagem de ski é algo burguês demais para ser literário. Estou obrando para eles.
Enfim, meu objetivo agora é falar um pouco sobre a FLIP, mas antes quero compartilhar um insight sobre viagens que me veio agora. Quando eu lia os contos do Bolaño eu ficava com uma certa  inveja das tantas viagens que ele descrevia, emendando uma na outra, pulando de um país para o outro colhendo experiências e levando-as para a literatura. Eu pensava “como esse falido (não no sentido pejorativo, basta você ler um conto dele para saber que ele não tinha dinheiro mesmo) consegue viajar tanto?” Aí comecei a lembrar que ele sempre se hospedava na casa de algum amigo. Talvez esteja aí a chave para se viajar bastante – não desenvolverei mais o tema.
Aaaaaaa a FLIP é mesmo, é dela que eu ia falar. Pretendo escrever mais textos sobre o evento, então começarei pelo destaque. E ele vem de Portugal, mas é angolano e com letras minúsculas valer hugo mãe, é isso mesmo tudo em caixa baixa. Talvez essa opção de jamais usar letras maiúsculas em seus textos, seja reflexo do seu temperamento low-profile.



Quando morei em Nova York, principalmente no início, eu passava muito tempo sozinho. Calma, isto não é para ser uma história triste, pelo contrário, eu gostava daquela solidão. Foi dentro dela que comecei a me afastar de alguns hábitos indesejáveis e a me disciplinar em outros que sempre quis manter constância. Com o tempo, fui percebendo que o que de fato somos, somos quando estamos sozinhos. Pois assim, com o mínimo de interferência de fatores condicionadores das nossas ações como amigos, familiares e sociedade em que vivíamos, podemos ser quem definitivamente queremos ser. Pois estes condicionadores fazem com que ajamos muitas vezes em desacordo com o que verdadeiramente queremos.

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